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Me Chame Pelo Seu Nome

O maior trunfo de Me Chame Pelo Seu Nome é andar na contramão de outros longas que o precederam em um cada vez mais amplo histórico de filmes que retratam o relacionamento homoafetivo – e cujos exemplares mais lembrados são Moonlight, O Segredo de Brokeback Mountain, Azul É A Cor Mais Quente e Garotos Não Choram, só para citar alguns que receberam importantes indicações e estatuetas em temporadas passadas de premiações. Ao invés do teor trágico e de relação proibida (dada justamente a questão da orientação sexual) que marcaram os quatro citados, Me Chame Pelo Seu Nome é solar, com foco no desenvolvimento do protagonista, em sua jornada de crescimento e autoconhecimento, na descoberta da paixão e do desfrute da sexualidade. Continuar lendo Me Chame Pelo Seu Nome

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A Forma da Água

O lúdico é uma característica recorrente do cinema de Guillermo del Toro. O cineasta mexicano é tão hábil ao lidar com criaturas fantásticas que consegue torná-las atraentes seja qual for o gênero adotado para contar suas histórias: sci-fis, adaptações de histórias em quadrinhos, terror, conto de fadas. Sempre as situando em universos inventivos e buscando a universalidade em suas narrativas. Continuar lendo A Forma da Água

Dunkirk

Dunkirk

Tecnicamente irretocável e emocionalmente vazio. Eis um modo preciso de definir o último petardo de Christopher Nolan. A proposta do longa é narrar os pormenores da Operação Dunkirk, ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial e cujo objetivo era evacuar quase quatrocentos mil soldados aliados das praias da cidade portuária que dava nome à operação, localizada no norte da França. Isso sob o intenso bombardeio das tropas nazistas que haviam invadido o país. Continuar lendo Dunkirk

Corra!

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Um dos hits inesperados dos cinemas americanos em 2017, Corra! (Get Out no original, em inglês), dirigido por Jordan Peele, traz uma história simples, mas surpreendentemente bem contada, em uma embalagem certeira de filme de terror. Nele, o jovem fotógrafo Chris Washington (Daniel Kaluuya) decide, ainda que com certa relutância, conhecer a família da namorada, Rose Armitage (Allison Williams). Como se trata de um relacionamento interracial, Chris tem motivos de sobra para estar inseguro. No entanto, sua namorada afirma que seus pais não são racistas. Inclusive, seu pai até votaria em Barack Obama pela terceira vez (uma frase que o próprio faz questão de repetir ao conhecer o genro). Continuar lendo Corra!

Vencedores do Oscar 2017 – Não existe vitória antecipada

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Ao comentar as minhas previsões para o Oscar 2017, no texto de ontem, eu relutei um pouco em usar a expressão vitória antecipada. Mas, no final das contas, enquanto editava o texto, decidi mantê-la. E errei. Como faço questão de salientar no título deste post, não existe vitória antecipada. Mesmo no Oscar em que o resultado tende a ser sempre tão previsível.

Na noite de ontem, vimos a história acontecer no palco do Dolby Theater. E não de maneira positiva. Em transmissão ao vivo, para milhões de espectadores do mundo inteiro (nem ouso estimar a quantidade), os atores Warren Beatty e Faye Dunaway anunciaram o ganhador do prêmio de melhor filme, a categoria máxima da noite. Uma confusão com os envelopes de melhor atriz e melhor filme gerou um momento constrangedor para todos os envolvidos. Beatty até percebeu que havia algo de errado, mas entregou o papel para que Dunaway lesse o nome do vencedor. Ela nem se deu conta que se tratava do envelope de melhor atriz, nem atentou para o nome de Emma Stone. Apenas leu em voz alta La La Land… quando o ganhador, na verdade, era Moonlight. Continuar lendo Vencedores do Oscar 2017 – Não existe vitória antecipada

A Qualquer Custo

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Logo na primeira sequência de A Qualquer Custo, do diretor David Mackenzie, já somos arremessados para uma cidade fantasma do Texas. Em um sofisticado plano panorâmico, o cenário da trama é apresentado ao espectador, embalado pela trilha sonora atordoante de Nick Cave e Warren Ellis, imediatamente interrompida no instante em que os irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) dão início a um assalto a uma agência bancária. Esses primeiros minutos já transmitem ao público a exata ideia do que esperar das próximas quase duas horas de projeção que passam voando: paisagens desoladas de cidadezinhas outrora prósperas, momentos profundos e reflexivos intercalados por sequências eletrizantes de assaltos a bancos, perseguições na estrada e alguma violência crua e sem floreios. E é justamente neste e em uma série de outros contrapontos que toda a narrativa se estrutura e se desenha na tela.

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