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Secret Squirrel

Secret Squirrel foi um desenho animado criado pela popular companhia Hanna-Barbera no ano de 1965 e sua primeira aparição ocorreu na animação especial The World of Atom Ant and Secret Squirrel naquele mesmo ano. Depois disso, ele ganhou sua série de desenhos passando no mesmo festival da Formiga Atômica. Tá lembrando de que desenho se trata? Talvez essa informação refresque sua memória: no Brasil, a produção recebeu o título de O Esquilo Sem Grilo.

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A Piada Mortal – A Animação em Longa-Metragem

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Exibido com exclusividade na San Diego Comic Con 2016, a animação em longa-metragem que adapta uma das mais clássicas e importantes HQs do BatmanA Piada Mortal de Alan Moore e Brian Bolland, lançada em 1988 – para as telas, causou controvérsia e foi execrada por milhares de fãs da obra original. A coletiva de imprensa também foi desastrosa por conta dos embates entre a plateia e Brian Azzarello que roteirizou o filme.

Vamos por partes… Aproveito para avisar que o texto abaixo contém spoilers.

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[Catálogo: Clássicos] – A Viagem de Chihiro

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Tive certa dificuldade em categorizar este filme. Não sabia se inseria a tag Clássicos ou Especial. Mas a César o que é de César. A Viagem de Chihiro trata-se, incontestavelmente, de um clássico moderno.

O filme tem início com a mudança de Chihiro, uma garota de dez anos, e seus pais para outra cidade. E, como todos sabem, mudanças são difíceis. É necessário exercer o desapego e passar por todo um processo de adaptação, portanto, a garota se mostra relutante durante todo o caminho de carro até seu novo lar. Ao chegar ao seu destino, seu pai decide pegar um atalho e a família se depara com um lugar bastante misterioso. Trata-se de um túnel que os pais de Chihiro estão curiosos para saber aonde vai dar, enquanto a menina teme o que pode haver lá dentro e do outro lado. Ao atravessarem o túnel, eles se deparam com o que parece ser uma cidade abandonada. Mas a surpresa maior ainda está por vir: quando a escuridão cai sobre o lugar, este se mostra uma terra de sonhos. Aliás, de pesadelos, habitada por estranhas criaturas. Chihiro enfrenta uma dura e totalmente inesperada jornada – repleta de monstros, espíritos e outros seres fantásticos – para salvar seus pais e encontrar a saída daquele lugar tão exuberante quanto amedrontador.

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The Archie Show

Um desenho marcante, com muita música e aventuras. Assim era A Turma do Archie.

Com 17 episódios, a série animada – produzida pelo estúdio de animação Filmation, criada por John L. Goldwater, roteirizada por Bob Ogle, dirigida por Hal Sutherland e baseada nos quadrinhos da Archie Comics – estreou no dia 14 de setembro de 1968 na emissora norte-americana CBS.

O desenho animado contava o dia a dia da banda de garagem The Archies. Seus integrantes moravam em um bairro residencial e faziam coisas comuns dos adolescentes da década de 1960. O grupo tocava o pop rock que estava na moda. Além do líder e guitarrista Archie, a banda contava também com seus amigos Reggie (baixo), Jughead (bateria), Betty (tamborim, percussão e guitarra) e Veronica (órgão e teclado) na formação. E não  podemos esquecer do cachorro Hot Dog, o mascote do grupo.

Mais tarde, a famosa bruxinha adolescente Sabrina passou a participar de alguns episódios do desenho. Outro grupo de personagens que deu as caras em The Archie Show, mais para o final da série, foi os Monstros Camaradas (lembrando que tanto Sabrina, a Bruxa Adolescente como Monstros Camaradas ganharam série própria de desenho animado no início dos anos 1970).

O compositor norte-americano Don Kirshner teve a idéia de levar os personagens para a televisão com o objetivo de criar a primeira banda virtual da história dos desenhos animados e executar várias canções nos episódios. É o caso do clássico Sugar Sugar escrita por Jeff Barry e Andy Kim que assinaram todas as músicas do desenho (lembrando que Barry também produziu as canções).

Sugar Sugar se tornou um hit de sucesso e chegou a alcançar o primeiro lugar da UK Singles Chart em 1969, permanecendo por oito semanas no topo.

O próprio Don Kirshner foi quem contratou os músicos para a dublagem musical do desenho. Ron Dante (líder da banda Cugg Link), era o responsável pelo vocal masculino dos Archies. Quanto aos duetos femininos, eles eram cantados por Toni Wine, que depois foi substituída por Donna Marie em 1970 e, posteriormente, por Merle Miller nas gravações finais. Outros músicos contribuíram para o vocal de apoio como Jeff Barry, Andy Kim, Susan Morse, Joey Levine, Maeretha Stewart, Ellie Greenwich, Bobby Bloom e Leslie Miller com a contribuição de Barry para a voz de baixo (dublando Jughead no desenho).

Quanto aos instrumentistas: Hugh McCracken na guitarra, Chuck RaineyJoey Macho no baixo, Ron Frangipane nos teclados e Buddy Saltzman e Gary Chester na bateria.

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Esse conceito do The Archie Show, de bandas fictícias egressas de desenhos animados, influenciou alguns outros produtos nos anos 1960 e início dos 1970. A principal concorrente da produtora Filmation, a famosa Hanna-Barbera, desenvolveu algumas animações nesse estilo, nas quais as tramas também narravam as aventuras de bandas de rock fictícias. Entretanto, ao contrário dos The Archies, as aventuras dos personagens da Hanna-Barbera se tratavam quase sempre de investigar mistérios e, nas horas vagas, se apresentar com suas respectivas bandas. A banda virtual em si ficava em segundo plano, isto é, eram todos derivações de Scooby-Doo, mas com música.

Os desenhos Josie e as Gatinhas, Butch Cassidy (que levavam o nome das bandas no título), As Aventuras de Charlie Chan, (no qual os filhos mais velhos do detetive chinês tinham um grupo musical) e Tutubarão (aonde ele e seus amigos formavam o conjunto subaquático Os Netunos) são alguns exemplos de produções que beberam na fonte criativa de The Archie Show.

Fica a dúvida se a banda virtual de trip rock britânica, Gorillaz, criada no final da década de 1990 pelo líder do Blur, Damon Albarn, também foi influenciada pelos Archies…

No Brasil, a série animada foi exibida pela Rede Globo no início da década de 1970 até os anos 1980. A dublagem foi feita nos estúdios Herbert Richers.

Adryz Herven

[Especial] X-Men – Parte 4 – Dias de um Futuro Esquecido

A aclamada saga Dias de um Futuro Esquecido foi publicada pela primeira vez em 1981. A HQ dos mutantes se encontrava, então, em seu melhor momento nas mãos de Chris Claremont e John Byrne, que de certa forma reinventaram a criação de Stan Lee, assumindo o título nos anos 70. À essa altura do campeonato, ambos já haviam provado seu talento com A Saga da Fênix Negra e a parceria dava inúmeras mostras de que iria entrar para a história.

Abordando conceitos como viagem no tempo e realidades alternativas  (muito antes de filmes como De Volta Para o Futuro invadirem as telas e o imaginário dos cinéfilos), esta saga retrata um futuro apocalíptico, situado no ano de 2013, no qual os mutantes são perseguidos e exterminados por robôs enormes denominados Sentinelas, criados por Bolivar Trask. Os X-Men representam a resistência, mas sobraram poucos deles. A única forma de mudar este cenário aterrador, é impedir o assassinato do Senador Kelly no passado, orquestrado pela Irmandade de Mutantes em 1981 .

Este evento desencadeou uma onda anti-mutante e uma verdadeira campanha de ódio e perseguição aos homo superior. A mente de Kitty Pryde, a Lince Negra, é enviada para o seu corpo no passado a fim de impedir a tragédia e suas consequências devastadoras.

Dizem por aí que essa história inspirou o cineasta James Cameron a criar O Exterminador do Futuro. Curiosidades à parte, a saga prima por um roteiro audacioso e coeso. O que é impressionante, uma vez que histórias que envolvem viagens no tempo sempre correm o risco de não soarem plausíveis. Não é o caso aqui. O contexto sócio-político é bem trabalhado e, por vezes, nos remete ao nazismo e à caça aos judeus. É uma história bem elaborada, sem medo ou hesitações em mostrar nossos personagens favoritos mortos no futuro. A arte é bem competente, com traços e cores que valorizam tanto o futuro sombrio quanto o passado de esperança. Ao mesmo tempo, faz o leitor refletir sobre quanto tempo ainda vai se estender a luta dos mutantes pela aceitação e o fim da intolerância?

A história foi adaptada para a TV em X-Men Animated Series, a série animada de 1992, em um episódio de duas partes. Mantendo a essência da original, a mola-mestra da trama ainda é o assassinato de Robert Kelly. No entanto, é Bishop o enviado ao passado com o auxílio do cientista Forge, uma vez que Kitty Pryde não era um personagem recorrente na série. O futuro caótico é bem representado apesar das limitações em termos técnicos. Uma alteração bem-vinda em relação ao original é o fato de que, no passado, o responsável pelo assassinato de Kelly foi um X-Men. Interessante o roteiro pegar um gancho nos problemas de confiança (ou falta dela) que o grupo tinha com Gambit, que é o acusado do crime. Mas, na verdade, todo o plano foi idealizado por Mística e a Irmandade de Mutantes.

Esta adaptação também foi parar nas páginas dos quadrinhos. O que é bem curioso – a adaptação da adaptação (!) X-Men Adventures era uma minissérie especial em quatro edições que adaptava os episódios da série de TV para os quadrinhos. Isto é, os mutantes pularam para a telinha, mas retornaram às suas origens. A HQ é tão interessante quanto os episódios da série animada. Porém, vacila na arte, com traços equivocados (Jean Grey tem a fisionomia drasticamente alterada ao longo das páginas e Mística, quando está com aparência de uma humana comum, é a cara do Michael Jackson!) e alguns “movimentos” dos personagens soam confusos e difíceis de assimilar.

Como bem se nota, Dias de um Futuro Esquecido é uma história tão boa que é quase impossível estragá-la…

Com tantas adaptações, faltava a trama migrar par a telona. Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes dos mutantes e produtor do “recomeço” X-Men: Primeira Classe, já tinha interesse em adaptar a história para o cinema desde a época em que estava trabalhando em X-Men 2 de 2003. Onze anos depois, ele finalmente leva a clássica trama às salas de projeção. Mantendo a premissa e os conceitos da história original, o filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido que estreia nesta quinta-feira, 22 de maio, é não apenas o mais satisfatório, como o mais completo e audacioso filme dos X-Men. A missão que muitos julgavam impossível – de fazer a conexão entre o arco iniciado em Primeira Classe e a trilogia original – é cumprida, aliás, muito bem cumprida. Ambas as linhas temporais tem um tempo de tela adequado, e a costura entre uma e outra acontece de forma natural, cuidadosa, sem excessos.

O filme tem vários momentos brilhantes e notáveis. Mas os que vão ficar gravados na cabeça dos fãs, após o término da sessão, é a ótima cena protagonizada por Mercúrio, em slow motion, ao som de Time in a Bottle de Jim Croce; e o final – uma pequena, singela, mas bonita homenagem à velha guarda dos X-Men, os personagens que protagonizaram os três primeiros filmes da franquia.

Temos um melhor acesso ao lado mais humano dos mutantes, com cenas mais leves e um tom bem-humorado. As cenas de ação não ficam em segundo plano, e os X-Men aparecem utilizando seus poderes verdadeiramente como uma equipe, lutando pela sobrevivência de sua raça, e nunca de forma gratuita. Ainda há espaço para sequências mais dramáticas e até trágicas, que poderão arrancar lágrimas dos olhos dos devotos fãs dos personagens. Apesar de muitos mutantes em cena, alguns com participações bem pequenas, não dá pra dizer que houve alguma negligência. DoFP apresenta um ótimo desenvolvimento de personagens, um bom equilíbrio entre os elementos narrativos, uma trilha sonora coesa e fantástica ,e faz justiça, sim, à história original. Todo o potencial da equipe mutante é finalmente explorado. É um deleite para os olhos tanto a execução das cenas de ação e efeitos especiais, como o tratamento de respeito e carinho que é possível notar que Bryan Singer tem pelos personagens. Além disso, fazer um blockbuster, filme de super-heói, produto típico do verão americano e ainda conseguir transmitir ao público uma bela mensagem acerca da tolerância, do respeito e da aceitação das diferenças de cada um, vai além de entretenimento. É quase uma obra-prima.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido tem algumas das qualidades que tem faltado a inúmeros arrasa-quarteirões atuais e que deveriam ser sempre inerentes a estes: é divertido, empolgante, dinâmico, mas também é inteligente e emocionante. Conta com um roteiro bem construído e um visual que não apenas funciona, mas também surpreende. Além de grandes personagens retratados com dignidade por um elenco afinado.

Bryan Singer mais uma vez elevou a franquia X-Men a um novo patamar no cinema (feito que já havia realizado com X-Men 2). Um filme para se ver e rever e uma das melhores opções que entrará em cartaz nos multiplex este ano.

Aí vão uns pequenos spoilers: Desta vez é Wolverine que volta ao passado, com a ajuda de Kitty Pryde que envia sua consciência para o ano de 1973, a fim de impedir que Mística mate Bolivar Trask, criador do programa Sentinela; X-Men: O Confronto Final passou a ser um filme non-canon. Esqueçam dos eventos narrados nele, não fazem mais diferença no todo; E na cena pós-créditos, temos um vislumbre de Apocalypse, o mais poderoso dos mutantes. 😉

Andrizy Bento