[Especial] Harry Potter – Parte 4

Harry Potter conta com uma galeria de memoráveis personagens. Tantos que, algumas vezes, muitos chegaram a ser negligenciados nos filmes ou nos próprios livros. Contudo, é inegável que um dos maiores méritos de J. K. Rowling está na construção de carismáticas figuras que inevitavelmente passaram a fazer parte do nosso imaginário.

Neste post, eu destaquei aqueles que eu considero os melhores e os piores da saga Harry Potter. Eu decidi não escrever a respeito do trio protagonista – Harry, Ron e Hermione – porque eu acabaria caindo no lugar-comum e também porque já falei bastante a respeito dos três nos posts passados e creio que ainda falarei mais um pouco sobre eles nos dois últimos posts desse especial.

E não estranhem o fato de eu não citar Sirius ou Lupin. Eles serão lembrados na próxima postagem 😉

Melhores personagens:

Severo Snape: Talvez o grande herói de Harry Potter seja o ríspido e rigoroso professor de Poções, Severo Snape. Pela sua coragem, pela forma como se arriscou trabalhando para ambos os lados e como foi um ser humano íntegro que soube reconhecer, aprender e reparar seus erros do passado. Embora não conseguisse evitar a antipatia que sentia por Potter, ele jurou protegê-lo sempre. E assim o fez.

Alvo Dumbledore: Um homem sábio, gentil, perspicaz e com um poderoso senso de justiça. Um bruxo brilhante e um mentor magnífico  que, lá pelas tantas, descobrimos possuir um passado nebuloso e questionável. Mas a narrativa de J. K. Rowling sempre nos trouxe surpresas. Os bonzinhos nem sempre são tão bonzinhos. Nem os vilões são maus o tempo todo. Mas uma coisa é fato, é impossível não se encantar ou não sentir confiança diante do simpático sorriso e da solicitude do bom e velho (muito velho) diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore. Com ele por perto, não havia como os alunos de famosa Escola de Magia não se sentirem seguros e protegidos.

Minerva McGonagall: A professora de Transfiguração é uma mulher de caráter singular e indubitável. Eu poderia apontar vários momentos que considero inesquecíveis dessa que é uma das minhas personagens favoritas de Harry Potter. Alguns deles se encontram em A Ordem da Fênix, “eu o ajudarei a se tornar auror nem que seja a última coisa que eu faça na vida!”, diz ela a Potter numa das vezes em que desafia a insuportável Umbridge. Sem dúvida, uma figura marcante.

Draco Malfoy: O maior desafeto de Harry e o aspirante a vilão que todos os fãs de Potter amam odiar. Desde o momento em que encontra Harry pela primeira vez na loja de Madame Malkin, ele já dá uma prévia de sua personalidade aos leitores: mimado, arrogante, prepotente e orgulhoso do seu sangue-puro. É claro que só poderia se tratar de um autêntico Sonserino. Mas a verdade é que ele não passa de um garoto assustado, que acha que o mundo gira em torno dele por causa de seu nome e de seu dinheiro. Rowling soube trabalhar bem a personalidade de Draco e construir sua antipatia de modo convincente diante dos leitores. Mas não dá para negar sua relevância na trama. Afinal, todo herói necessita de um nêmesis.

Rúbeo Hagrid: É impossível não gostar de Hagrid e de seu jeito desajeitado, engraçado e, sobretudo, amável de ser. O professor de Trato das Criaturas Mágicas e guardião das chaves de Hogwarts, é um meio-gigante deveras sentimental, está quase sempre metido em encrencas, mas é aquela com quem sempre se pode contar com o apoio e a amizade quando necessário. Hagrid está sempre disposto a ouvir, aconselhar – ainda que não tenha muito talento para isso – e oferecer uma boa xícara de chá em sua cabana.

Neville Longbotton: Inseguro, ingênuo, tímido, dono de uma péssima memória, mas um amigo fiel e um legítimo Grifinório com seus momentos de herói improvável, impulsionado por uma ousadia e coragem que ele mesmo desconhecia. Realmente digno de erguer e bradar a espada de Gryffindor.

Luna Lovegood: Famosa por viver no mundo da lua, mas na verdade ela parece saber bem mais do que todo mundo. Conforme vamos avançando na leitura, percebemos que Luna não é tão lunática assim. Uma pessoa sempre leal, sincera, que fala o que vem a mente e que não costuma se ofender com todos os impropérios e as zombarias dos alunos de Hogwarts. Ela sempre esteve ao lado de Harry, confiando nele mesmo quando este foi desacreditado por todos. Nada mais justo, portanto, do que Harry dar o nome de sua filha de Lily Luna.

Fred e George Weasley: O que seria do universo de Harry Potter sem os gêmeos, indistinguíveis até pela própria mãe? Também pudera, eles não são apenas idênticos fisicamente, mas também nas artimanhas, nas gracinhas, no jeito desordeiro, na maneira inconseqüente como encaram a escola e a vida. Mas eles sabem o momento em que precisam ficar sérios, não fogem ao perigo e jamais abandonam seus amigos, mesmo em situações arriscadas. A fuga de Hogwarts arquitetada pelos gêmeos Weasley em A Ordem da Fênix, está entre as passagens memoráveis da série. Gilderoy Lockhart bem que tentou, mas são deles os momentos e piadas mais hilariantes da saga Harry Potter, tanto na literatura quanto no cinema.

Lord Voldemort/Tom Riddle: Ele já faz parte da galeria dos grandes vilões do mundo do entretenimento. E não tem como ser diferente. Rowling soube construir com maestria a vilania e o mau-caráter desse grande personagem. Não que concordemos com suas ações cruéis e seu jeito frio e calculista de agir. Mas até dá para compreender as razões que o levaram a cometer tantas atrocidades. Assim como todos, “Você-Sabe-Quem” também tem uma história, um passado. Ele já foi um garoto órfão e isolado, um estudante de Hogwarts que desde jovem era manipulador e tinha sede de poder. Ele nunca chegou nem perto de possuir uma das maiores riquezas que Harry tinha. Ele nunca conheceu a amizade ou o amor. E só isso já o deixa em grande desvantagem em relação ao herói.

Piores personagens:

Família Dursley: É realmente lamentável que os trouxas com maior destaque e profundidade na série sejam justo os tios e o primo intolerantes de Harry. Por mais que Dudley alcance uma espécie de redenção no último livro, ainda assim é uma pena que eles sejam os maiores representantes da classe trouxa na narrativa de Harry Potter.

Rita Skeeter: Também é lamentável que minha classe esteja tão mal representada na série Harry Potter. Brincadeiras à parte, Rita Skeeter é uma jornalista enxerida, sensacionalista e tendenciosa. Não é de fato uma personagem engraçada. É incômoda e irritante pra falar a verdade. Uma crítica de Rowling aos jornalistas que tanto falaram mal dela ao longo de sua carreira. Até que faz sentido.

Percy Weasley: Não era realmente possível que no meio de tantas flores não fosse ter um espinho. A família Weasley é formada por quase uma dúzia de ruivos sardentos simpáticos, íntegros, solícitos, humildes, honestos e amigáveis. Mas um dos irmãos de Ron, Ginny e dos gêmeos Fred e George, Percy, não é nenhuma flor que se cheire. Ambicioso, arrogante, pedante, interesseiro, puxa-saco, com sede de poder e extremamente autoritário… Realmente, se não fossem as extremas semelhanças físicas com os demais Weasley, se poderia jurar que Percy é adotado.

Murta que geme: Quando a gente pensava que não havia nada mais chato do que a Murta-que-geme dos livros, eis que surge a Murta-que-geme dos filmes. A Murta é um fantasma de uma aluna da Corvinal que morreu há muitos anos em Hogwarts e costuma assombrar o banheiro feminino no segundo andar, choramingando e vitimando-se em tempo integral.

Dolores Umbridge: Certamente, qualquer um já associou Umbridge àquela professora chata do colégio, da faculdade ou qualquer coisa do gênero. Umbridge é uma baixinha irritante com cara de sapo, desdenhosa, retrógrada, fascista, presunçosa, que acha que ter sangue puro é a coisa mais importante do mundo. A intenção era realmente criar uma personagem que despertasse o ódio dos leitores, mas não da mesma forma que Draco, por exemplo. Dolores Umbridge tinha de ser insuportável a um nível extremo, desse modo, Rowling foi extremamente bem-sucedida na construção desta personagem.

Andrizy Bento

[ESPECIAL] Harry Potter – Parte 3

Com a estreia de Relíquias da Morte: Parte 2 cada vez mais próxima, eu decidi, por esses dias, fazer uma maratona Harry Potter e assisti a todos os filmes da série até a primeira parte de Relíquias. Percebi que estou com o olhar um pouco mais treinado (eu acho…) e então escrevi a respeito de cada um dos filmes para essa terceira parte do Especial do Bloggallerya. Para quem não aguenta mais textos sobre Harry Potter nesse blog e já pensa em excluí-lo dos favoritos (se é que alguma vez ele já foi adicionado aos favoritos), não se preocupem. Só faltam mais quatro partes (!)

Relembrando que aqui está expressa a minha opinião enquanto fã, sendo assim, relevem as hipérboles 😉

Filmes

A Pedra Filosofal:

Em pelo menos um aspecto o diretor Chris Columbus acertou em cheio: o cast de Harry Potter. Tanto que hoje, ao lermos os romances, é difícil dissociar os personagens dos atores que os imortalizaram na franquia cinematográfica.

Obviamente é injusto querer comparar A Pedra Filosofal, o primeiro filme da série, com Relíquias da Morte: Parte 1 ou A Ordem da Fênix, filmes bem melhores e com um orçamento mais polpudo, mas convenhamos que, em se tratando de Warner, era possível fazer bem melhor do que isso.

Quem leu o livro certamente vai achar A Pedra Filosofal uma adaptação até competente do material que a originou. Para quem não leu e está atrás de bom cinema, bem… Daí é outra história.

O filme funciona como uma Sessão da Tarde divertida que não ofende, mas também não causa comoção. Algumas cenas realmente valem a pena e podem ser bastante divertidas e agradáveis como a partida de Quadribol e o xadrez humano (relevando-se os efeitos especiais que não são nada além de passáveis). Outras chegam próximas de emocionar como quando Harry vê seus pais no espelho de Ojesed. Mas o clímax é tão fraquinho que acaba por se tornar esquecível.

É uma pena que o Expresso Hogwarts, em sua primeira aparição, não nos transmita todo o esplendor que deveria transmitir. E alguém me explica o uso de todas aquelas cores berrantes que fazem de alguns momentos do filme quase alegorias carnavalescas? Por um instante até cheguei a pensar que Joel Schumacher é que estava sentado na cadeira de diretor e não Columbus.

Tanto quem leu quanto quem não leu o livro no qual se fundamenta o filme nota que muitas passagens da obra tiveram de ser cortadas, o que é compreensível e não constitui de maneira alguma um demérito até porque o essencial está lá. No quesito fidelidade não há muito do que reclamar dessa primeira incursão do bruxinho nas telonas. Todas as passagens importantes foram retratadas no filme.

O problema é que A Pedra Filosofal é apressado, parece correr com algumas cenas como se quisesse acabar de uma vez, o que dá a impressão desconcertante de que algumas coisas ficaram de fora quando, na verdade, as cenas é que parecem durar metade do que realmente deveriam ter durado.

Para um primeiro filme até que está bom, mas chega a incomodar o fato de Columbus ter transformado essa primeira tradução de Harry Potter para as telas num filme por demais infantilizado.

A proposta de Columbus fica visível em cada frame: recuperar o frescor e a atmosfera dos filmes oitentistas dedicados ao público infanto-juvenil. Mas infelizmente morre na intenção. Em uma cena ou outra, ele até consegue quase chegar próximo disso, contudo, fica só no “quase”.

A Câmara Secreta:

Um legítimo exemplar do cinema de Chris Columbus. Lembra aqueles filmecos natalinos para crianças exibidos na Sessão da Tarde nos fins de ano da Rede Globo.

Eu não escondo de ninguém que sou detratora de Columbus e, convenhamos, tenho lá minhas razões. Aqui ele parece não saber muito bem o que fazer com seu estilo – mantê-lo ou não mantê-lo? O que resulta num filme irregular e disforme, por vezes difícil de acompanhar até o fim.

A Câmara Secreta sofre com efeitos de segunda e uma fotografia extremamente artificial. Hogwarts parece ínfima, sem a grandiosidade que nos transmite os livros. E é neste filme que estão algumas das passagens mais constrangedoras da história de Harry Potter no cinema – a cena do berrador e o chroma key aparente durante a partida de quadribol são apenas alguns exemplos.

Apesar do biótipo perfeito, Daniel Radcliffe ainda me parece perdido nesta seqüência de A Pedra Filosofal, sem muita segurança na pele do protagonista Harry Potter, algo que, felizmente, ele contornaria já no filme seguinte.

Ainda bem que Rupert Grint mostrou ao longo da série que eu estava errada porque a impressão que ele deixa neste filme com seu Ron Weasley é das piores com suas caras e bocas, extremamente caricato. Fico satisfeita que ele tenha evoluído e realmente aprendido a atuar depois dessa.

A narrativa empalidece em meio a tantas soluções que parecem forçadas e mal elaboradas. O desenvolvimento é fraco, roteiro truncado, com uma ação pouco empolgante ou convincente. O elenco dos adultos faz o que pode para salvar a trama, sem grande sucesso.

A Câmara Secreta acaba se prendendo demais à ação e aos efeitos especiais, o que não só acabou por preterir algumas das melhores coisas do texto original de J.K. Rowling, como também não foi uma decisão lá muito sábia, uma vez que o filme, como já foi dito há algumas linhas, conta com um visual que não é, assim, uma Brastemp.

Os fãs do bruxinho poderiam ter passado sem essa. Como comédia até que o filme funciona bem, mas passa muito longe de ser um entretenimento inteligente como são, por exemplo, O Prisioneiro de Azkaban e A Ordem da Fênix, muito melhor orquestrados.

O Prisioneiro de Azkaban:

Admito que peguei meio atrasada o fenômeno Harry Potter. Quando o primeiro filme estreou nos cinemas, eu estava na minha fase O Senhor dos Anéis e desdenhei do bruxinho. Hogwarts não me parecia tão interessante e convidativa quando a Terra Média.

Quando decidi assistir aos dois primeiros filmes de Potter, minha impressão não mudou. A saga continuava a não me atrair.

Então tomei a sábia decisão de dar uma terceira chance a Harry Potter e assisti O Prisioneiro de Azkaban. Demorou, mas a história do bruxinho mais querido e idolatrado do mundo finalmente havia me conquistado e enfim, lá fui eu atrás dos livros.

Eu sou suspeita demais para falar do livro ou do filme O Prisioneiro de Azkaban. Pra mim foi o começo de tudo, o início da minha paixão, portanto, meu discurso tende a ser passional demais e passar longe de qualquer imparcialidade. Mas em momento algum eu disse que a minha série de textos seria imparcial e, bem, eu não sou nenhum Luiz Carlos Merten ou Marden Machado para escrever uma crítica cinematográfica, então lá vamos nós sem medo de ser feliz:

Ao contrário de Columbus, o cineasta mexicano Alfonso Cuarón sabe muito bem o que fazer com seu estilo e o faz muito bem, nos entregando uma fantasia sombria, mas absolutamente divertida e mágica, como deveriam ser todos os filmes da franquia Harry Potter.

Cuarón foi a escolha exata para dar o upgrade de que tanto necessitava a série. Além de entender o espírito e o clima da narrativa, o cineasta entende muito bem quem é o público com quem está dialogando. Algo que ele já havia mostrado em A Princesinha de 1995, um dos filmes infanto-juvenis mais belos que já vi.

Finalmente temos uma Hogwarts digna dos livros (ou da nossa imaginação quando líamos os livros). É imprescindível destacar a exuberância de cenas como a que Harry voa montado sobre o hipogrifo, algo esplendoroso – tanto pelo acuro visual e técnico quanto pela emoção que transmite ao espectador – como há muito não víamos em um filme destinado ao público jovem.

É notória a evolução em todos os aspectos deste se comparado aos outros dois filmes. Elegantemente filmado e com um belíssimo acabamento, percebe-se o cuidado de Cuarón com cada detalhe. O apuro dos planos e enquadramentos é evidenciado, por exemplo, em cenas como as que envolvem a paisagem que cerca Hogwarts, incluindo os constantes enfoques no Salgueiro Lutador, um elemento importante no clímax do filme.

Enquanto o Nôitibus Andante, o Vira-Tempo de Hermione e o Mapa do Maroto de Harry garantem a diversão dos espectadores, as revelações a respeito do passado do protagonista, os momentos em que Harry conjura o patrono, seus diálogos com o professor Lupin bem como o reencontro de dois velhos amigos numa seqüência fundamental, emocionam.

Também é possível sentir um frio perpassar a espinha quando os Dementadores entram em cena ou quando o trio principal se confronta com um lobisomem. Sem contar todo o mistério que cerca o tal Prisioneiro de Azkaban do título.

O trio de protagonistas composto por Radcliffe, Grint e Emma Watson está muito melhor neste filme do que nos antecessores. As atuações estão mais naturais e eles parecem extremamente mais seguros, convincentes e confortáveis em seus personagens. Sirius Black e Remus Lupin aparecem brilhantemente representados pelos ótimos Gary Oldman e David Thewlis.

Sobretudo se destaca a perspicácia de Alfonso Cuarón que sabe muito bem que as linguagens do cinema e da literatura são muito divergentes. Uma adaptação não necessita ser literal, fiel a cada parágrafo de um livro para ser um bom filme. Cuarón compreende isso e, deste modo, as alterações, mudanças e releituras feitas são extremamente bem vindas. O Prisioneiro de Azkaban pode não ser fiel a cada linha escrita por J. K. Rowling, mas é fiel à essência da obra, uma verdadeira adaptação cinematográfica.

O terceiro filme do bruxinho é simplesmente uma obra incomparável, com um visual de encher os olhos, fotografia maravilhosa e excelente trilha sonora a cargo de John Williams. Um filme divertido, inteligente, engraçado, com uma narrativa enxuta e eficiente e até assustador em alguns momentos.

Para os fãs do livro, uma adaptação mais do que justa. Para os fãs de bom cinema, um filme deslumbrante.

 O Cálice de Fogo:

É surpreendente neste filme o trabalho do inglês Mike Newell – diretor da celebrada comédia britânica Quatro Casamentos e Um Funeral e uma escolha curiosa para dirigir Harry Potter.

Newell optou por conferir mais realismo a este capítulo da série. Não que ele se distancie da fantasia propriamente dita, mas o filme tem um tom bem menos fantasioso que seus predecessores e que o próprio livro. Se analisarmos por essa perspectiva – o estilo e a abordagem adotados pelo diretor – faz sentido o fato de Dobby, o elfo doméstico, por exemplo, não dar as caras na película. A magia e as criaturas mitológicas ainda estão lá obviamente, mas funcionam mais como plano de fundo, suporte e elementos secundários – ao contrário do que aconteceu em A Câmara Secreta.

O foco está no crescimento do protagonista e no relacionamento entre os personagens, no fato de Harry e seus colegas estarem entrando na adolescência, o que leva a boas e hilariantes sequências como as que mostram as tentativas frustradas dos pobres Harry e Ron de chamar garotas para o baile.

Apesar de Harry lutar contra um dragão e enfrentar grindylows (demônios aquáticos), são seqüências como a do Baile de Inverno, por exemplo, que ficam marcadas em nossas memórias após a sessão. As cenas mais leves que dão o tom à narrativa até quase o clímax do filme, algo que não é nenhuma surpresa vindo de um diretor como Newell, mas é, por outro lado, em se tratando de uma série como Harry Potter.

Foi um tanto ousado da parte do cineasta manter esse frescor narrativo em alta até quase o desfecho, investindo em cenas de ação como os desafios do Torneio Tribruxo apenas em momentos bem pontuados.

Embora O Cálice de Fogo não seja tão bom quanto o seu antecessor, ainda assim é um entretenimento de qualidade. O roteiro, muito bem estruturado, enxugou bastante do material original, só mostrando realmente o essencial, o que interessa ao público e aparando algumas arestas. É filme para fã, certamente. Os não iniciados podem ficar um pouco confusos com alguns trechos e até achar que muitas cenas envolvendo o Torneio sejam dispensáveis.

Ainda que a narrativa seja leve, apostando mais em cenas engraçadas e românticas, é o filme que conta com o desfecho mais trágico e violento da série até aqui, com a morte de um dos competidores do Torneio Tribruxo e o retorno triunfal do Lorde das Trevas, uma das cenas mais sombrias e assustadoras da franquia cinematográfica.

Harry Potter está amadurecendo em vários aspectos. De uma forma bem mais dramática que seus colegas de Hogwarts. Agora, ele parece cada vez mais ciente de ter todo o peso do Mundo da Magia em suas costas.

A Ordem da Fênix:

Trabalho desafiador para David Yates por inúmeros motivos: Estar à frente de uma franquia bilionária que se tornou mega cultuada; ter de superar o trabalho aplaudido de seus antecessores, Alfonso Cuarón e Mike Newell, com filmes que foram sucesso de crítica e público; e porque A Ordem da Fênix não é um livro simples de ser adaptado.

O romance é extremamente cinematográfico, assim como os demais da série Harry Potter, e os trechos importantes são bem pontuados, porém, como já foi dito, o livro é enorme e possui diversas passagens fundamentais que não poderiam, de maneira alguma, ser negligenciadas na adaptação.

Contudo, Yates conduz o enredo com mão firme e segura, sem grandes tropeços. Transpor tantas páginas para as telas obviamente não foi uma tarefa fácil, mas ele foi excepcionalmente bem-sucedido.

Embora se trate de uma narrativa mais adulta, Yates não deixa de lado o senso de diversão. O resultado são cenas de ação emocionantes, uma bela fotografia e um visual arrebatador aliados a um texto afiado que envolve um interessante contexto político e equilibrada densidade dramática.

Todo o elenco está muito convincente e acredito que não seja apenas porque a maioria está repetindo seu papel pela quinta vez. Os atores parecem realmente se sentir como parte integrante do mundo mágico. Os vínculos entre seus personagens estão mais bem estabelecidos e os relacionamentos são explorados e desenvolvidos de maneira satisfatória.

A Ordem da Fênix conta com momentos inspirados. Destaque para a antológica fuga dos gêmeos Weasley de Hogwarts (não sem antes dar a Dolores Umbridge um pouquinho do que ela merece) e a cena em que Harry vê uma das lembranças mais traumáticas de Snape envolvendo seus adorados pai e padrinho, James Potter e Sirius Black, respectivamente.

Yates mantém a atmosfera sombria que virou um traço marcante da série desde que Cuarón se aventurou pelo Mundo da Magia. O universo de Harry Potter está ficando cada vez mais assustador e precisa ser encarado sob uma nova perspectiva. Dessa forma, o cineasta confere o tom exato de ameaça ao filme. Afinal, nem só de criaturas fascinantes e criativos feitiços vive Harry Potter.

A edição é maravilhosa, um exemplo disso é primeira vez em que Harry vê um Testrálio, ótimos corte e ângulo. Sem esquecer de mencionar a seqüência que abre o filme que conta com primorosos movimentos de câmera.

A ambientação é outro elemento que merece nossa atenção. Hogwarts nunca pareceu tão imponente quanto neste capítulo e, agora, sob a direção da retrógrada Umbridge, o castelo tem um tom até intimidante. Fato é que nem Hogwarts é mais um lugar seguro como antes e a estética adotada para o filme deixa isso bem claro.

O clímax é um dos mais bem orquestrados da série. Yates aposta num emprego certeiro dos efeitos especiais e bem arquitetadas cenas de ação. A batalha no Ministério da Magia proporciona aos espectadores uma mescla de adrenalina, temor e emoção na medida certa. E para os fãs apaixonados e devotados da vítima do Avada Kedavra desta vez, é impossível não acompanhar Harry nas lágrimas e no sentimento de revolta.

Talvez o meu favorito dos filmes de Potter vá ser sempre O Prisioneiro de Azkaban, pelo significado especial que tem para mim. Mas é inegável o fato de que A Ordem da Fênix é a melhor tradução de um livro da série para as telonas. Sem dúvida se trata do filme que conta com o melhor acabamento da série até aqui e um dos visuais mais sofisticados. A mais completa e bem realizada das aventuras de Potter para o cinema. Mas que venha Relíquias da Morte: Parte 2 para mostrar que eu estou errada.

O Enigma do Príncipe:

Um filme que apresenta a mesma carga de enfado do livro, mas um bom passatempo de qualquer maneira, mesmo com uma história cheia de passagens um tanto truncadas.

A primeira seqüência com os Comensais da Morte é muito boa e parece prometer um filme espetacular. Mas o ritmo cai bastante a partir daí.

O suspense novamente dá o tom à narrativa, mas para aliviar um pouco os momentos de tensão, há algumas cenas engraçadas, alguns diálogos espertos e piadas divertidas. Desta vez a cargo de Ron, sua namoradinha Lilá Brown e da lunática e sonhadora Luna Lovegood.

Além disso, há espaço para o romance, ainda que esse aspecto seja tão mal resolvido e desajeitado quanto nos livros, mas pelo menos acrescenta uma bem-vinda dose de leveza num filme de caráter bem mais sombrio do que o anterior.

As atuações continuam tão boas quanto nos filmes que o precedem. Destaque para Tom Felton, o intérprete do arrogante e, agora soturno, Draco Malfoy, com ótima presença de cena. O desempenho de Daniel Radcliffe, de fato, evolui a cada filme. Ele já havia dado mostras de grande melhoria no capítulo anterior. Jim Broadbent, perfeito como o professor Horácio Slughorn, é mais um dos destaques do afinado elenco.

Outro ponto interessante de O Enigma do Príncipe são os flashbacks envolvendo Tom Ridle em sua época de estudante em Hogwarts. Na verdade, são estas seqüências que tornam o filme mais interessante, apesar da performance de Frank Dillane como o jovem Voldemort não ser lá essas coisas.

O filme é tecnicamente impecável, como já é de praxe; conta com uma fotografia maravilhosa, bem cuidada ambientação e vale ressaltar o rigor dos enquadramentos e a câmera extremamente precisa de Yates.

Contudo, é uma pena que se tenha dado um tratamento tão burocrático ao texto. O teor dramático da história é tão fracamente trabalhado, se optando por focar demais em frivolidades, que acaba resultando num filme pouco substancial, que não sabe exatamente a que veio e para onde vai. O Enigma do Príncipe ainda sofre com a falta de equilíbrio entre as cenas mais leves e as mais dinâmicas.

Ao final fica a impressão de que havia muita coisa para se trabalhar em um filme só. E olha que o livro nem é assim tão grande. Muito pelo contrário, é bem menos eloqüente que A Ordem da Fênix.

Enquanto havia a preocupação de dividir A Ordem em dois filmes e Yates executou um trabalho estupendo realizando apenas um filme, mas um dos mais completos da franquia, no caso de O Enigma a película parece carecer de um foco, de um objetivo. O problema vem já do material de origem, mas cabia ao roteirista Steve Kloves e ao diretor David Yates contornarem este problema e tentarem arranjar alguma solução que resolvesse essa falta de escopo.

Não é um filme divertido como O Prisioneiro, nem tem o tom quase lírico e o frescor de O Cálice e tampouco é dinâmico como A Ordem. Mas não se trata de um filme ruim, de qualquer forma.

Relíquias da Morte – Parte 1:

Embora a decisão de dividir o último livro da saga Harry Potter em dois filmes seja estritamente comercial, foi corajoso da parte de Yates assumir essa empreitada, até porque a primeira metade do livro Relíquias da Morte é mais concentrada nos diálogos e nos vínculos afetivos entre o trio principal e contém muito raras passagens de ação.

Assim como o anterior, o filme começa muito bem, mas o ritmo cai logo em seguida, só que desta vez é realmente compreensível já que o foco está em levantar pistas que levem até as Horcruxes, em descobertas, discussões, hipóteses, questionamentos e muitas explicações.

Radcliff, Grint e Watson carregam o filme nas costas, mais uma vez fazendo um ótimo trabalho como Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger. O momento da briga entre Ron e Harry possui um tom de realismo capaz de causar comoção nos espectadores.

Algumas das cenas mais leves são realmente encantadoras, como o momento em que Harry e Hermione dançam para descontrair o clima pesado que se instala depois da breve partida de Ron. Tudo que Harry quer é deixar Hermione mais alegre e, desse modo, consegue arrancar sorrisos também do espectador. Outro destaque fica por conta da seqüência em que Harry vai ao resgate da espada de Gryffindor e, em seguida, Ron tenta destruir a Horcrux, bem executada e com um clima adequado de tensão.

O senso estético de Yates continua digno de nota. Os efeitos especiais estão mais uma vez competentes e empregados de maneira correta e bem pontuada, jamais utilizados de maneira gratuita. O uso de cores e sombras e os belos cenários (desta vez sem contar com o apoio da tradicional Hogwarts) fazem deste um dos filmes de Harry Potter com visual mais rebuscado.

Como entretenimento, Relíquias: Parte 1 é extremamente funcional, ainda que tenha um clima mais melancólico, soturno e aposte mais na interação do trio protagonista, lutando para sobreviver por sua própria conta e risco, do que em cenas mais movimentadas. Creio que seja o filme com a narrativa mais adulta até aqui, o clímax é mais dramático e violento do que nos antecessores.

Determinadas sequências podem soar monótonas para os desavisados e, aqui e ali, tanto os fãs quanto os não-leitores percebem que talvez não houvesse problemas e nem grandes dificuldades em transformar o sétimo livro em uma única adaptação, sem a necessidade de dividi-lo em duas partes.

A não ser que você seja fã do bruxinho – seja dos livros ou dos filmes – essa primeira parte de Relíquias é recomendável. Do contrário, o filme pode parecer bastante enfadonho. Mas, ainda assim, não tem como não se emocionar com as cenas finais e o cliffhanger, obviamente, nos deixa com altas expectativas para o derradeiro episódio, Relíquias da Morte – Parte 2. Aguardamos ansiosamente!

 Falta pouco 😉

Andrizy Bento

[ESPECIAL] Harry Potter – Parte 2

Okay, esse post ficou enorme, mas como se trata da resenha de cada um dos livros da série Harry Potter, espero que os possíveis leitores deem um desconto. Tentei ser o mais objetiva possível com cada um dos textos, mas como sou meio prolixa, não tenho certeza se fui bem-sucedida.

😉

Livros

A Pedra Filosofal:

Durante onze anos, Harry teve de viver sob os cuidados (leia-se maus tratos) de seus tios trouxas (como são conhecidas as pessoas que não são bruxas no Mundo da Magia), os Dursley, não tendo nem mesmo uma remota idéia de sua verdadeira natureza, uma vez que seus tios fizeram de tudo para enterrar qualquer vestígio de que, na verdade, ele descendia de bruxos.

Lily e James Potter (nas traduções em português dos livros, Lilian e Tiago), os pais de Harry, foram assassinados pelo Lord Voldemort quando Harry tinha apenas um ano. Conhecido no mundo bruxo como O Menino que Sobreviveu, ele não fazia idéia do quanto era famoso entre seus iguais, uma vez que foi o único sobrevivente do feitiço da morte, o Avada Kedavra.

Depois de Voldemort matar sua família, ele tentou assassinar o pequeno Harry e, surpreendentemente, o feitiço se virou literalmente contra o feiticeiro, o reduzindo a um pedaço de alma sem forma física, fazendo com que a população bruxa o desse como morto. Daquele dia, em Harry, restou uma lembrança – uma cicatriz com um curioso formato de raio em sua testa.

Quando finalmente completa onze anos, correspondências com um remetente estranho começam a ser entregues na casa dos tios de Harry por corujas. Os Dursley tentam a todo custo se livrar das cartas e não deixar que Harry saiba a respeito da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, na qual está matriculado. Mas de nada adianta. O guarda-caça, Hagrid, parte em busca de Harry e depois de muitas explicações e de dar uma dura nos tios trouxas do garoto que sobreviveu, Potter descobre que é um bruxo e lá vai ele no Expresso Hogwarts com destino à famosa Escola de Magia e Bruxaria.

Harry parece finalmente ter encontrado seu lugar no mundo e descoberto amigos que se tornariam seus parceiros de toda a vida, Ron e Hermione. Mas como nem tudo é encantador e lúdico no mundo da magia, ele tem de lidar com a arrogância do colega Draco Malfoy (com quem a rivalidade vai se tornando cada vez mais acentuada no decorrer dos volumes da série) e a antipatia e o desdém infundados do professor de Poções, Severus Snape, para com ele, sentimentos que acabam se tornando recíprocos.

Em A Pedra Filosofal, somos apresentados a um universo crível com personagens carismáticos. Uma digna introdução ao mundo de Harry Potter ainda que a aventura pareça um pouco pálida, mas é compreensível, uma vez que Harry era apenas uma criança de onze anos ao lado de amigos da mesma idade ainda não preparados para perigos da magnitude dos que enfrentariam nos livros seguintes. Aqui, nós ainda podíamos ter a certeza e o alívio do pleno final feliz, algo que seria impossível nos romances futuros.

Já neste primeiro volume da saga, descobrimos que Potter herdou duas coisas valiosas de seu pai: o talento para o Quadribol – e Harry acaba por se tornar o Apanhador mais jovem em muito tempo – e a famosa Capa da Invisibilidade que já da o ar de sua graça nesse livro e se torna mais que um acessório, uma companheira indispensável de Harry nos volumes seguintes.

Uma das passagens mais interessantes deste livro é quando Harry descobre o Espelho de Ojesed – um objeto mágico que permite que as pessoas vejam ao invés de seu reflexo, o seu mais puro e profundo desejo. Nele, Harry enxerga seus pais, um momento que dá margem a uma das várias e sábias frases de Dumbledore: “Não vale a pena viver sonhando e se esquecer de viver”.

O resultado não é de todo satisfatório, mas é um livro divertido, encantador e cuja mitologia é capaz de fascinar e prender a atenção não só do público infantil, mas também de leitores maduros, pela habilidade e talento com que Rowling conta sua história. A Pedra Filosofal passa longe de ser o melhor livro da série e nem tem essa intenção. Como já dito acima, uma digna introdução e uma narrativa bem amarrada e consistente.

A Câmara Secreta:

Em seu segundo ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, os estudantes e o corpo docente da Escola estão apavorados e em estado de alerta. A Câmara Secreta – que estava fechada há vários anos e muitos acreditavam se tratar de uma lenda – foi novamente aberta. Da última vez que isso aconteceu, houve uma tragédia em Hogwarts e, desta vez, uma série de eventos estranhos passa a assolar o castelo.

A Câmara esconde uma terrível criatura capaz de matar todos os chamados “sangue-ruins” de Hogwarts. Segundo a lenda, apenas o herdeiro de Slytherin – o fundador da casa da Sonserina – pode abri-la. Harry acaba, por força das circunstâncias, envolvido no caso e, por se tratar de um ofidioglota (bruxo que fala com cobras, assim como Slytherin), os demais alunos acreditam que o tal herdeiro só possa se tratar de Harry.

Potter ainda se depara com um misterioso diário que pertence a um antigo estudante, Tom Ridle. Não é um diário comum, pois é capaz de controlar a mente de quem o possui. E é este estranho e enigmático item que pode levá-lo à Câmara Secreta.

O segundo volume da série é feito de momentos e passagens interessantes, mas o conjunto, em si, não é assim tão memorável. Agora com seus personagens devidamente apresentados ao público, Rowling se permite acrescentar mais elementos à história e enriquecer sua mitologia.

Seguindo a mesma linha do livro anterior, A Câmara Secreta é outra leitura agradável para se devorar em questão de horas. Uma aventura divertida e dinâmica. O destaque fica por conta do personagem de Ginny Weasley, a irmã de Ron, que carrega pra cima e pra baixo o misterioso diário; e do novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Gilderoy Lockhart, que garante boas risadas ao longo da narrativa.

Aqui também temos um pouco mais de conhecimento acerca do passado de Lord Voldemort ainda em sua época de aluno, quando era conhecido pelo seu verdadeiro nome, Tom Ridle. Esse é um dos grandes trunfos de Rowling que vai apresentando aos pouquinhos, ao longo de toda a série, a origem desse carismático vilão.

De toda a saga, é um dos livros de que menos gosto, mas ainda assim vale a leitura.

O Prisioneiro de Azkaban:

Na minha obscura opinião é, com certeza, o melhor livro do bruxinho. Tendo consciência de que seus leitores estão crescendo, Rowling não hesita em pincelar sua narrativa com tons de cinza e adicionar algumas passagens mais sombrias. As criaturas malignas e horripilantes que atendem pelo nome de Dementadores aparecem em profusão nessa história para o horror de Harry e seus amigos e para a alegria de Draco Malfoy, rival de Potter, que não perde a oportunidade de zombar e atormentar Harry pelo fato de ele sempre desmaiar com a aparição dos horripilantes guardas da prisão de Azkaban.

Em O Prisioneiro…somos apresentados ao professor de Defesa Contra as Artes das Trevas favorito de todos e um dos melhores personagens da saga, Remus Lupin. Com ele, Harry aprende a conjurar um patrono (Expecto Patronum!) para poder se proteger dos Dementadores. O Prisioneiro do título é Sirius Black, supostamente o responsável indireto pelo assassinato de Lily e James Potter. Um fiel seguidor de Voldemort que escapou da prisão de Azkaban há pouco tempo e agora está atrás de Harry, e ao que tudo indica, para matá-lo. Conforme vamos avançando na leitura, descobrimos que nem tudo é o que parece e Black é mais um que vem compor a galeria de grandes personagens da saga Harry Potter.

Destaque para o Vira-Tempo de Hermione que até hoje gera polêmicas discussões em fóruns na internet – o que é extremamente compreensível em se tratando de histórias que envolvem viagens no tempo – e para o Mapa do Maroto, um presente dos gêmeos Weasley para Harry. É nesse livro que os leitores ficam sabendo da existência dos Marotos, um dos aspectos que sempre me chamou mais a atenção na história. A cena em que Aluado, Almofadinhas, Rabicho e Pontas apresentam seus cumprimentos ao professor Severus Snape através do Mapa é das mais divertidas e antológicas.

Apesar de algumas passagens mais obscuras, continua sendo uma aventura direcionada ao público infanto-juvenil. Rowling parece bem mais segura de sua narrativa neste volume e confere à história a grandiosidade e a mágica que estavam um pouco em falta nos primeiros livros.

De fato, este é o romance que conta com um dos melhores argumentos, a narrativa mais bem desenvolvida, ágil, precisa, envolvente e a introdução de dois dos personagens mais fascinantes e carismáticos da série.

O Cálice de Fogo:

No final das férias de verão, Harry recebe um convite indispensável dos Weasley, a família de Ron, para assistir à Copa Mundial de Quadribol. Ao final da partida decisiva, um estranho acontecimento deixa os bruxos em choque. A marca de “Você-Sabe-Quem”, o Lorde das Trevas, surge no céu, e os Comensais da Morte também aparecem causando um enorme caos.

É o quarto ano de Harry em Hogwarts, há um novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas – Alastor “Olho-Tonto” Moody – e o castelo será palco de um emocionante e extraordinário evento: O Torneio Tribruxo. Além de Hogwarts, alunos de outras duas escolas irão participar. Apenas os maiores de 17 anos podem colocar seu nome no Cálice de Fogo para o sorteio e somente um estudante de cada escola poderá ser selecionado.

Óbvio que o nome de Harry é misteriosamente sorteado, ainda que ele tenha apenas 14 anos e que não tenha colocado seu nome no Cálice. Há alguma coisa estranha por trás disso, mas o fato é que Harry, ao lado de Cedric Diggory (também representante de Hogwarts, da casa Lufa-Lufa) Victor Krum (Durmstrang) e Fleur Delacour (Beauxbatons) foram os nomes selecionados pelo mágico Cálice e, portanto, por mais estranhas que sejam as circunstâncias, devem competir no Torneio Tribruxo.

Depois da precisão narrativa de O Prisioneiro de Azkaban, é meio impossível não se assustar com a eloqüência de Rowling em O Cálice de Fogo. O livro não é ruim, muito longe disso. Mas seria melhor se tivesse, pelo menos, umas 80 páginas a menos.

Algumas passagens são extremamente desnecessárias. Poderia se cortar, por exemplo, boa parte da Copa de Quadribol e realmente não fazia diferença a seleção dos alunos para as casas e a música do Chapéu Seletor. Coisas imemoráveis que não acrescentam nada à história e, simplesmente, não fazem diferença no todo.

Rowling se propõe a explicar e detalhar demais mesmo quando não convém. E a inserção exagerada de personagens como a jornalista enxerida Rita Skeeter mais atrapalha do que ajuda. Uma participação mais comedida desta e outras personagens já seria mais do que suficiente.

E isso faz com que personagens que deveriam ter mais profundidade na história como Cedric Diggory, soem rasos e superficiais, só apresentando alguma efetividade mesmo no clímax como é o caso.

Contudo, em um ponto há de se convir que J.K. acertou em cheio: Harry, Ron, Hermione e os demais não são mais crianças. Agora, são adolescentes e tem mais preocupações além dos mistérios que cercam Hogwarts e envolvem a origem e história do próprio Harry Potter. Eles estão começando a se interessar pelo sexo oposto, precisam convidar alguém para o Baile de Inverno e começam a perceber que os sentimentos vão além da amizade, o que pode gerar ciúmes, conflitos e até algumas lágrimas.

O Cálice de Fogo fica aquém de seu antecessor, mas algumas das soluções propostas por Rowling são inteligentes e acertadas. O clímax deste livro é o mais obscuro e violento até aqui. A escritora abre mão do happy ending neste volume e faz seu herói ter de aprender a lidar na marra com a morte de um companheiro próximo e a volta triunfal de Lord Voldemort.

Aqui já temos um vislumbre do que está por vir. Os indícios de que personagens importantes vão começar a morrer, que o confronto final se aproxima e que as coisas vão começar a mudar no mundo da magia se fazem presentes no terço final do romance. É hora de Harry finalmente crescer e descobrir que o universo mágico em que vive não é mesmo tão encantador quando aparenta e pode ser extremamente apavorante e perigoso.

A Ordem da Fênix:

Talvez por estar atravessando uma fase difícil – a adolescência – e não ser um jovem comum, Harry esteja passando por um estágio natural inerente a essa etapa confusa da vida. Ele está se tornando um adolescente rebelde cujas respostas que obtém para todas as dúvidas que o afligem parecem insuficientes e isso o deixa frustrado, bravo e aborrecido consigo mesmo e com todos à sua volta.

Rowling confere demasiada humanidade ao seu herói que agora, de vez, que não se importa em andar na linha ou ser sempre um exemplo de boa conduta.

Ele já começa a história irritado, novamente na casa dos Dursley, seus tios trouxas, onde costuma passar as férias a contragosto. Ele quer saber notícias de seu mundo, mas o jornal de lá, O Profeta Diário, parece estar omitindo do povo bruxo os fatos reais e assustadores que os cercam. Pra completar, seus amigos, Ron e Hermione, parecem ter esquecido que ele faz parte da equação e, portanto, evita pensar neles e em seu padrinho, Sirius Black, de quem tanto gosta, mas que o máximo que tem feito é enviar recados genéricos dizendo para ele se comportar.

Harry decide aplacar sua frustração enfrentando o primo gordo e que sempre o maltratou, Dudley. E, ao final disso, Harry acaba tendo de protegê-lo dos Dementadores que surpreendente e inexplicavelmente invadem a Rua dos Alfeneiros. Tudo isso termina numa audiência que Harry comparece no mundo dos bruxos por ter usado a magia fora da escola sendo menor de idade.

Dumbledore e Harry estão desacreditados no mundo da magia por alegarem que Voldemort está de volta, algo que o Ministério passa a história inteira a desmentir e encobrir a todo custo, para não alarmar a população bruxa. Isto faz com que Potter e seu mentor sejam vistos como mentirosos e lunáticos e as pessoas não fiquem cientes da assustadora realidade à sua volta.

A Ordem da Fênix do título é composta por Sirius, Lupin, os pais de Ron Weasley, o controverso Snape, entre outros, e liderada por Dumbledore para combater Voldemort e seus seguidores. Uma Ordem antiga, da qual os pais de Potter fizeram parte no passado. Por sua vez, Harry também forma seu grupo ao lado de seus amigos e de alunos de outras casas que mostram interesse na iniciativa, a Armada de Dumbledore, para tentar combater os métodos retrógrados e medievais da nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, Dolores Umbridge, que é declaradamente uma espiã em Hogwarts a mando do Ministério.

Novamente, Rowling dá vazão a sua verborragia, mas agora tudo faz mais sentido, incluindo detalhes. Todos esses elementos citados compõem uma narrativa grandiosa de contornos épicos que fazem deste um dos melhores volumes da saga.

É difícil largar a leitura dinâmica, rica e emocionante. O final – o confronto da Armada e da Ordem contra os Comensais da Morte de Voldemort culmina numa tragédia que chega a arrancar lágrimas, principalmente de quem é fã do personagem que encara a morte desta vez, vítima do feitiço Avada Kedavra.

Mais uma vez, não há o que se pode chamar de final feliz e, finalmente, a população bruxa toma conhecimento de que uma época de trevas paira sobre suas cabeças.

O Enigma do Príncipe:

O começo do fim. E infelizmente, um livro não tão bom assim, principalmente se comparado ao primor que é o livro que o antecede na cronologia Potteriana.

Mais um ano letivo começa em Hogwarts e com uma surpresa: Snape finalmente conquistou o tão almejado por ele, cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, uma função que parecia amaldiçoada, pois nenhum professor conseguiu se sustentar por mais de um ano na tarefa.

Harry agora tem encontros freqüentes com o diretor Dumbledore em seu escritório para descobertas importantes para a compreensão da história, o que os leva a inúmeras viagens reveladoras na Penseira (uma bacia de pedra onde são depositadas lembranças, sendo possível revê-las posteriormente)

Paralelamente a isso, Harry se vê as voltas com um misterioso livro de poções que no passado pertenceu a um aluno brilhante que se autodenominava Príncipe Mestiço. A aquisição faz com que Harry, se aproveitando dos ensinamentos e anotações do antigo proprietário do livro, conquiste a admiração do novo professor de Poções, Horacio Slughorn, e desperte a ira e, acredita Harry, a inveja de uma relutante Hermione.

Uma série de estranhos acontecimentos de conseqüências catastróficas, como experiências de quase morte vividas por alguns de seus colegas de Hogwarts, fazem Harry quebrar a cabeça tentando descobrir qual o objetivo dos ataques e ter uma estranha certeza de que Draco está por trás disso.

Rowling perde bastante tempo com o fracassado romance de Ron e Lilá Brown, os ciúmes de Hermione por conta disso e seu conseqüente afastamento do amigo, além do fraco desenrolamento da relação entre Harry e Ginny.

Se tem algo em que Rowling falha bastante é no aspecto “romance”. Ela não nasceu para narrar histórias de amor. Os seus trunfos mesmo estão na construção de personagens cativantes, na elaboração de complexas e plausíveis mitologias, no desenvolvimento de épicas batalhas, no desenrolar de aventuras dinâmicas e inteligentes, no entretenimento de qualidade focado no mistério, na ação e no suspense. Na hora de narrar as desventuras amorosas do trio protagonista, Rowling erra a mão. E os casaizinhos formados não soam assim tão encantadores e nem dão grandes motivos para suspiros.

No geral, esse livro tem alguns bons momentos, mas é uma narrativa mediana e pálida, sem nenhum grande destaque além do final chocante. Mas até chegarmos lá, já tivemos uma boa dose de leitura enfadonha.

Porém, nem tudo são deméritos. O Enigma do Príncipe possui trechos surpreendentes e reveladores. O passado de Tom Ridle, o Voldemort, agora parece bem mais claro para Dumbledore e Harry Potter. Tomamos conhecimento da existência das Horcruxes e o professor de Poções, que assumiu o antigo cargo de Snape, se mostra essencial para o resgate da lembrança que torna os enigmáticos planos do Lorde das Trevas mais nítidos.

Infelizmente, como já foi dito, a narrativa só engata mesmo nos capítulos finais. É um livro que parte de uma premissa interessante, mas que sofre com um desenvolvimento bem abaixo do esperado.

Relíquias da Morte:

J.K. Rowling é uma escritora inteligente que sabe como prender a atenção do leitor até o fim. Nesse último volume, ela se mostra coerente e fecha o ciclo de sua saga com uma narrativa épica, com altos e baixos, derrotas e vitórias de ambos os lados.

Revelações acerca do passado de personagens como Dumbledore e Snape são capazes de chocar os fãs e despertar neles os mesmos sentimentos contraditórios despertados no herói errante, Harry Potter. Mas são coisas que nos fazem constatar o talento de Rowling ao contar sua história. O universo criado pela inglesa não é maniqueísta e bidimensional composto de mocinhos e vilões. Como disse sabiamente Sirius Black em A Ordem da Fênix, o mundo não se divide em pessoas boas e Comensais da Morte. Seria simplista, irreal e fácil demais. Afinal, todos temos luz e trevas dentro de nós.

Nos dois lados do antológico e contundente confronto final há combatentes que tombam e como nos preocupamos e temos muito carinho pelas personagens da saga do bruxinho, é claro que nos enfurecemos, choramos e sentimos as mortes e perdas que parecem injustas. Mas como dizem por aí, vida não é justa e no universo de Harry Potter não é diferente. O que distancia os livros da realidade é apenas o aspecto magia. De resto, os valores e as lições ensinadas são totalmente inerentes à nossa própria realidade.

É óbvio que a prolixidade de Rowling incomoda em alguns momentos e outras passagens soam um tanto forçadas. Mas ao chegarmos aos derradeiros momentos da narrativa, isso não importa porque tudo parece fazer absoluto sentido desde que feitas as devidas ressalvas.

O final pode não agradar a todos e até deixar um gostinho amargo na boca. Confesso que da primeira vez que li, fiquei revoltada com o desfecho. Mas a minha leitura foi muito passional. Dessa vez, a abordagem foi mais crítica e analítica, ainda que não totalmente desprovida do sentimento de apego que sempre tive pelos personagens do romance. Na minha segunda leitura, compreendi melhor as soluções, saídas e decisões tomadas por Rowling e creio que ela concluiu a história de Harry da forma como deveria ser. Por isso, uma segunda chance é sempre importante.

Somente um fã insensível para não ter um exemplar de Relíquias manchado de lágrimas ou com páginas amassadas – reflexo de ameaças constantes de rasgá-las ou de atirar o livro contra a parede.

Fonte das imagens: LivrosGrátis.net e Shopping Livros

Andrizy Bento

[ESPECIAL] Harry Potter – Parte 1

Acho que não existe melhor forma de inaugurar este blog do que falando de Harry Potter, até porque estamos próximos do dia 15 de julho, data de estreia do oitavo e último filme da milionária e bem-sucedida franquia. 

Decidi, portanto, já que estamos voltando, prestar uma homenagem a esse carismático bruxinho que vem encantando e emocionando gerações há tantos anos. Como ele faz e fará eternamente parte do imaginário de zilhões de pessoas, inclusive o meu, eu tinha que arranjar uma forma digna de me despedir.

Ir ao cinema e aguardar até o momento em que os créditos irão subir pela última vez, parecia muito pouco tendo em vista tudo o que Harry Potter significou pra mim… Antes que eu comece a ficar sentimental demais, aí está a primeira de sete partes do meu especial Harry Potter, lembrando que os textos refletem a minha opinião enquanto fã. Não é um texto imparcial, portanto, é provável que eu tenha me excedido em alguns momentos. Mas chega de papo!

A Obra

Fonte: http://blog.meiapalavra.com.br

Não dá para dizer que todos os livros da série Harry Potter são obras-primas. Mas a obra em si, como um todo, com certeza merece esse status.

De tempos em tempos, surge uma obra original, criativa, inteligente e bem elaborada, capaz de permanecer gravada eternamente no imaginário popular. É raro de acontecer, mas Harry Potter está entre elas.

Eu costumo dizer que a criação da escritora escocesa J.K. Rowling está no mesmo patamar de Star Wars e O Senhor dos Anéis, só para citar alguns exemplos igualmente grandiosos e memoráveis. Não são apenas funcionais como entretenimento e extremamente bem-sucedidas comercialmente. São mais do que isso. São narrativas bem construídas, com personagens cativantes e mensagens significativas capazes de suscitar amplas e intermináveis discussões.

O maior trunfo de Rowling foi investir em uma mitologia poderosa envolvendo diversas criaturas legendárias sem que a saga acabasse por soar forçada e artificial

Quando embarcamos na fantasia proposta nas páginas de Harry Potter, parece realmente normal que compremos varinhas, livros escolares, entre outros artefatos no Beco Diagonal, que façamos passeios no final de semana por Hogsmeade, tomemos uma cerveja amanteigada no Três Vassouras e nos esbaldemos de doces na Dedosdemel.

Parece natural que o nosso esporte favorito seja o Quadribol, que viajemos a bordo de uma locomotiva vermelha com destino à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e, chegando lá, lancemos feitiços e azarações naqueles colegas que julgamos insuportáveis.

E aparentemente é bem mais interessante ter aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, Feitiços e Poções (desde que o professor não seja o Snape) do que as disciplinas convencionais que são ensinadas aos pobres trouxas.

Mas Harry Potter não é apenas um romance divertido e escapista, uma aventura destinada a crianças como muitos pensam. As valorosas mensagens por trás de todo o esse universo mágico são suficientemente claras e transmitidas aos leitores de maneira perspicaz.

Harry Potter, por vezes, funciona como uma alegoria sobre o preconceito. Como exemplo há o caso de Draco Malfoy, da família Black (exceto Sirius), dos Comensais da Morte, entre outros, orgulhosos de seu sangue puro e que odeiam e abominam àqueles a quem chamam de sangue-ruim, os bruxos filhos de trouxas (pessoas sem poderes mágicos).

Por sua vez, os tios trouxas de Harry, os Dursley, têm aversão a bruxos. Essa intolerância à natureza do sobrinho – a quem vêem como aberração –  na realidade, se dá pelo fato de eles temerem o que desconhecem.

Já a ascensão de Lord Voldemort no mundo dos bruxos, sugere uma comparação à época do domínio da Alemanha por Hitler. O Lorde das Trevas e seus discursos acerca da purificação do sangue, o seu controle da imprensa – fazendo o jornal O Profeta Diário servir como uma espécie de propaganda do seu governo e seus ideais – e o fato de perseguir, caçar e matar, ao lado de seus Comensais da Morte, bruxos nascidos trouxas, simpatizantes de trouxas e qualquer um que vá contra sua liderança, nos remetem imediatamente ao período de ameaça, medo e trevas que foi a própria era Hitler.

O talento narrativo de Rowling não para por aí. A escritora foi meticulosa em cada aspecto, cada detalhe. Nos costumes e tradições dos bruxos; na elaboração e execução das leis outorgadas pelo Ministério da Magia; na criação de feitiços e maldições; na releitura de seres mitológicos clássicos; na grade curricular de Hogwarts; no tocante à mídia na forma do respeitado jornal O Profeta Diário ou do tablóide sensacionalista O Pasquim; e até no sistema de transporte bem criativo e anticonvencional (Aparatação, Rede de Flu, etc.)

É claro que, sobretudo, se destaca a jornada do nosso herói errante. Seu crescimento e sua evolução. Um menino íntegro, corajoso e cativante, mas que também é, por vezes, rebelde e até um pouco arrogante, como diz Snape.

Ele tem o peso do mundo da magia em suas costas. É apenas ele quem pode salvar a população bruxa de uma nova era de terrorismo, fascismo e horror derrotando o bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos, Lord Voldemort. E Harry é só um adolescente que no último livro tem apenas 17 anos.

Quem poderia imaginar que aquele garotinho franzino de onze anos do primeiro romance, maltratado pelo primo gordo e negligenciado pelos tios, seria a esperança de toda uma população de magos e feiticeiros num futuro bem próximo?

Mas a verdade é que Harry passa boa parte dos volumes da saga tentando ser um menino normal. Pelo menos, normal para os padrões do Mundo da Magia.

Contudo, de todas as mensagens, alegorias, referências presentes na obra, uma se destaca mais do que qualquer outra: a amizade. E não falo somente do trio principal, do fato de Ron e Hermione estarem sempre ao lado de Harry, partindo com ele, inclusive, naquela que promete ser a mais arriscada e difícil de suas missões, uma viagem que pode não ter volta…

Falo também de todos os outros personagens. Da família Weasley, do corpo docente de Hogwarts, da Ordem da Fênix, de seus colegas, dos fantasmas que vagam pela escola… Harry jamais conseguiria sozinho. Ele precisava do apoio daqueles que amava. E isso leva ao desfecho emocionante de Relíquias da Morte. Sabemos que Harry estará sempre disposto a arriscar sua vida pela de seus amigos. E seus amigos estão dispostos a lutar e morrer por ele.

No decorrer dos anos e dos volumes, J.K. Rowling não teve medo de ousar e tornar seu universo cada vez mais obscuro e perigoso. Ela tinha plena consciência e domínio de sua história, por isso mesmo, Harry Potter e seus amigos cresceram junto com seu público leitor. E seus leitores amadureceram junto com Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger e aprenderam muito com eles também.  

E essa viagem de mais de dez anos, ao lado Harry e seus colegas no Expresso Hogwarts, com certeza, será sempre das mais fascinantes e inesquecíveis que fizemos pelo maravilhoso mundo do entretenimento. 

Fonte das imagens: blogs e-livraria e meia palavra

Andrizy Bento

De volta às atividades bloggisticas

Pois é… Decidimos voltar ao glorioso mundo blogueiro. 

A Adryz (@adryz80 ou HerVen como preferirem) ficava enchendo o saco para voltarmos… Mas o Kevin (@Kev_Kel) e eu, Andrizy (@DrizySB), irmã dela, somos dois preguiçosos. Sim, nós admitimos. Os últimos anos também foram meio atribulados para todos e nossos interesses mudaram um pouco. Deixamos de lado a vida de blogueiros de um blog que ninguém lia (a não ser família e amigos) para dar atenção a outras coisas que exigiam a nossa atenção e dedicação. Além do mais, novas redes sociais surgiram em nossas vidas e acabamos gastando muito do nosso tempo livre no twitter, tumblr e, mais recentemente, facebook.

O Kev anda meio sumido de tudo, inclusive do twitter. Mas agora ele planeja voltar porque irá contar com mais tempo livre (É o que ele diz).

Então, decidimos atender aos inúmeros pedidos da Adryz e retornamos.

Claro que tem mais uma coisa que motivou nossa volta: a participação especial de dois fanboys e amigos que prometem aparecer por aqui sempre que a vida lhes permitir: Raphael Skywalker (que volta ao Brasil depois de uma longa temporada curtindo a Europa) e Kaio Dantas que se autodenomina “O Glamouroso” (ambos não tem twitter… povo atrasado é assim mesmo). Além da participação de outros amigos que curtem esse negócio de blog. Eles serão um grande apoio, já que Kev e eu não temos disciplina de postagem e somos dois fracassos na hora de manter um blog (vide nossas experiências anteriores). Mas vamos tentar mais uma vez?

Okay então! A Bloggallerya está oficialmente de volta e com novo endereço 😉

Uma poltrona macia, um balde de pipoca, alguns discos de vinil, umas revistas da Marvel e um encontro com Tarantino… De tudo um pouco ou nada disso