The Gifted – Piloto

A nova empreitada da Fox em parceria com a Marvel Television, The Gifted é baseada nas histórias em quadrinhos de X-Men e conta com um time de peso. Bryan Singer dirige o piloto e Matt Nix (Burn Notice) assina o roteiro. Os dois ainda atuam na produção executiva da série, ao lado de Lauren Shuller Donner (Franquia X-Men), Simon Kinberg (X-Men: Apocalypse, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido), Jeph Loeb (Marvel’s Agents of SHIELD, Marvel’s Daredevil, Marvel’s Jessica Jones), Jim Chory (Marvel’s Daredevil, Marvel’s Jessica Jones) e Len Wiseman (Anjos da Noite).

Nesses 17 anos dirigindo filmes e, agora, a série de X-Men, Singer já nos brindou com dois dos melhores longas da franquia mutante. X-Men 2 e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, as produções cinematográficas que melhor compreendem a ideia do que X-Men sempre representou nas HQs. O cineasta se mostra um diretor comprometido e apaixonado, que respeita a essência do universo X, além de captar a mensagem que X-Men transmite e sentir imenso carinho pelos personagens. Desde o princípio, ele demonstrou maturidade com uma narrativa egressa dos quadrinhos que tratava de um grupo de super poderosos. Isso em uma época que os super-heróis estavam desacreditados no cinema e a maioria dos estúdios se mostrava relutante em comprar a ideia de uma produção do gênero. Em 2000, Singer surgiu com o primeiro filme dos X-Men – uma trama adulta, mais concentrada na ficção científica e no potencial de seus personagens do que necessariamente em ser um filme de super-heróis coloridos e calcado na ação e nos efeitos especiais. Bryan mostrou vigor e competência na concepção do universo dos mutantes em sua versão live-action.

Felizmente, segue pelo mesmo caminho com The Gifted que resgata, de certa forma, aquele espírito das primeiras HQs e de animações dos mutantes, como X-Men Evolution. A descoberta dos poderes na adolescência é uma metáfora para as transformações sofridas pelos jovens durante a puberdade, ecoando os conflitos da adolescência – aquela época cruel da vida em que nos sentimos deslocados e tudo o que queremos é nos encaixar e encontrar. Em suma, o foco de The Gifted é sempre no indivíduo, no lado humano, em seus anseios e esperanças, seus sonhos e temores. Não é novidade: Singer sempre preferiu centrar sua narrativa mais na humanidade dos personagens do que no aspecto super-heróico, construindo uma trama mais intimista e que torna possível uma maior identificação do público com as figuras retratadas na tela.

Neste piloto assinado pelo cineasta, a história se situa em um futuro próximo, com leis antimutantes ainda mais severas do que aquelas vistas nos filmes da franquia X-Men. Segundo um diálogo entre dois personagens, o que se entende é que toda a guerra entre mutantes do “bem” (liderados por Charles Xavier) e do “mal” (encabeçados por Magneto) no passado, vitimaram tantos inocentes que acabou por culminar nesse cenário em que os mutantes são tratados com ainda mais hostilidade e repressão. A trama já começa com uma mutante que, ao ser perseguida pela polícia, depara-se com um grupo de pessoas iguais a ela, também portadoras do gene X que confere suas habilidades especiais. Eles aparecem para tentar ajudar a novata a escapar, porém, um membro de sua equipe acaba sendo capturado durante a frenética fuga.

Por uma ironia do destino, um promotor de justiça cuja carreira é toda alicerçada em casos antimutantes, descobre que seus dois filhos possuem poderes que, por conta de um incidente, se manifestam durante uma balada. Na busca por salvar sua família, o promotor precisa se aliar àqueles que sempre combateu.

O piloto aposta no dinamismo, em um ritmo envolvente e uma trama fluida, eletrizante e muito bem resolvida. Mesmo quando as cenas de ação ganham destaque (especialmente aquelas em que os mutantes mostram a que vieram), o foco permanece nos personagens, em como eles lidam com seus poderes e seus conflitos internos após utilizá-los. O episódio termina em uma situação de suspense que realmente faz você prender o fôlego. A história, bem executada, já seria motivo suficiente para fazer o espectador retornar para um segundo episódio, todavia, o cliffhanger garante de vez um retorno do público a esse universo na próxima semana.

Se tem um ponto negativo a se ressaltar, é que a sobriedade e o comedimento característicos do Bryan Singer, denunciam certa falta de criatividade. Depois de todos esses anos, é uma pena que ele ainda não tenha percebido que arriscar um pouco mais no visual, saindo da vibe genérica e de sua habitual zona de conforto, não custa muito e realmente não dói. Não se exceder, tudo bem. Mas correr riscos é o que leva a um novo patamar.

Não dá para dizer que se trata de uma obra-prima, até mesmo porque é apenas um piloto. Mas tem potencial. Diverte, empolga e mostra que os mutantes, tanto na telona quanto na telinha, ainda tem fôlego para se manter na Fox.

O MCU vai ter que esperar mais um pouco para ter direito aos X-Men…

Atentem para easter eggs deliciosos: Tem a participação de Stan Lee para variar; Serviço Sentinela e o toque do celular de um dos personagens principais é a música de abertura da série animada clássica dos mutantes, a X-Men: Animated Series.

Andrizy Bento

 

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