Guardiões da Galáxia Vol. 2

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Existem dois tipos de seres no universo. Os que dançam e os que não dançam.

Peço licença para parafrasear Drax (Dave Bautista) e dizer que existem dois tipos de pessoas. As que gostam e as que não gostam de Guardiões da Galáxia. As que gostam, defendem que os longas se tratam de diversão descompromissada, de filmes cujo propósito é nos fazer retornar à infância, com uma overdose de tiradas cômicas, batalhas espaciais em profusão e personagens cativantes que despertam imediatamente o carinho e preocupação do público. Outros dizem que se trata de um embuste. E algumas das críticas dos (poucos) detratores vocais da franquia, se agravaram com a estreia deste segundo volume, garantindo que o baby Groot (Vin Diesel) e o foco demasiado nele existem apenas para vender colecionáveis; a trilha sonora retrô, ainda mais incrementada, está lá pelo mesmo motivo, o apelo comercial (uma estratégia para disponibilizar a soundtrack em fitas cassete); e que o novo exemplar da franquia se ampara nas mesmas fórmulas e conceitos que consagraram o primeiro. Sem nenhuma novidade, só que mais turbinado.

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De fato, a história é bastante simples. E os valores defendidos pelo roteiro também – amizade, família, união e solidariedade. O que fica bem evidente em um quote proferido por Drax (ele novamente), de que os Guardiões não são amigos e, sim, uma família. Eles podem gritar um com o outro, mas jamais deixam algum membro para trás, a mercê do perigo. Outro elemento recorrente e muito bem trabalhado durante a narrativa é o receio em expressar os sentimentos francamente, que surge tanto na figura de Gamora (Zoe Saldana) e Peter Quill (Chris Pratt) – citando constantemente seu lance não-verbalizado – quanto de Rocket Raccoon (Bradley Cooper) que exibe sua faceta cínica e sarcástica, sempre fazendo pilhéria de tudo, de modo a omitir seus reais sentimentos. O guaxinim procura afastar as pessoas do seu convívio antes que os outros se afastem dele, mantendo seu jeito durão de quem não se importa quando, na verdade, se importa demasiadamente. De certa forma, esse aspecto reflete a maneira com que o filme se desenrola, fazendo gracinhas mesmo em cenas dramáticas ou de ação, para no final pegar o espectador desprevenido com uma explosão emocional na qual toda a comicidade é jogada para escanteio em prol de uma sequência extremamente sensível, triste e belíssima. Talvez um dos tributos mais bonitos a um personagem, logo após sua redenção e sacrifício.

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Toda a problemática da trama se dá por conta de baterias valiosíssimas roubadas por Rocket. Quando o filme tem início, Peter Quill, Gamora, Drax, Rocket e Baby Groot são aclamados como os Guardiões da Galáxia e estão em uma missão delegada por Ayesha (Elizabeth Debicki), líder da raça Soberana, para recuperar e proteger as tais baterias antes que estas acabem em posse de um monstro interdimensional. A equipe é bem-sucedida em sua tarefa e, em troca disso, a irmã de Gamora, Nebulosa (Karen Gillan) – outrora capturada pelos Soberanos tentando roubar as baterias – torna-se prisioneira dos Guardiões. Mas como Rocket e Drax passam longe da figura exemplar de heróis honrados, cometem um ato de anti-heroísmo antes de deixarem a terra dos Soberanos, roubando algumas das supramencionadas baterias. O ato não passa despercebido e a raça de Ayesha ataca a nave dos Guardiões munida de um exército de drones. O exército acaba destruído por uma misteriosa figura, Ego (Kurt Russell), que não demora a se revelar o pai de Peter Quill.

Nesse ínterim, um antigo inimigo torna-se aliado. Ayesha contrata Yondu Udonta (Michael Rooker) e sua tripulação que fora exilada na comunidade dos Saqueadores para recapturar os Guardiões. Durante a missão, após pegar Rocket, Yondu mostra-se relutante em dar prosseguimento ao plano, o que leva o tenente interpretado por Chris Sullivan, Taserface (HAHAHAHA! desculpem), a organizar um motim contra ele, mantendo Rocket, Groot e Yondu cativos a bordo da nave deste último. Ao lado de Kraglin (Sean Gunn), um companheiro de Udonta, os três dão início a um plano de fuga, destruindo a nave e a tripulação que organizou o levante. No entanto, Taserface utiliza seus últimos minutos para informar a localização dos foragidos à frota Soberana. Com diversas referências aos quadrinhos da Marvel Comics e fazendo bom proveito da mitologia contida nas HQs, Guardiões da Galáxia Vol. 2 corrobora a expansão do MCU, enriquecendo o universo já consolidado nas telonas.

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Não há nada de mais na história em si. Mas é tudo tão bem feito que se aventurar por esse universo vale a pena. Guardiões da Galáxia jamais perde o senso de diversão de fim de semana, mas ainda reserva espaço para inserir dramas e reviravoltas na medida certa, sem falhar no ritmo, construindo uma mitologia com fôlego e energia de sobra e provida de um apelo emocional certeiro.

A trilha sonora realmente apresenta alguns excessos, mas é bem pontuada. Father and Son do Cat Stevens, por exemplo, surge para devastar de vez espectadores já fragilizados por uma tragédia. A inserção desta canção em particular é um clichê extremamente funcional e capaz de nos levar às lágrimas com a mesma intensidade que Groot nos leva às risadas. E esse é o grande trunfo de Guardiões da Galáxia. Reinventar clichês e acertar no timing, seja ele cômico ou dramático. Investir em plot twists que mesmo não totalmente desprovidos de certa previsibilidade, funcionam. É um filme tão divertido e sensível quanto colorido e dinâmico.

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Um dos maiores acertos, sem dúvida, é a construção de personagens carismáticos. Todos tem seu momento e são defendidos brilhantemente por um elenco afinado que compõe figuras atraentes pelos quais torcemos e vibramos. Sem falar na ação e no desenho de produção soberbo das batalhas. Os efeitos especiais são de encher os olhos e a maquiagem, notável, corroborando o universo proposto. A paleta cromática, repleta de matizes vivos e saturados, remete tanto à sua fonte originária, os quadrinhos, quanto aos sci-fi dos anos 1980.

Mas, para além da aventura espacial e de toda a pirotecnia, Guardiões da Galáxia Vol. 2 revela-se uma fábula sobre a importância da família e a força da amizade. No momento em que Peter diz “Às vezes passamos a vida procurando por alguém que sempre esteve ao nosso lado” foi inevitável lembrar do meu próprio pai bem na véspera de Dia das Mães. Meu único pensamento foi: I feel you, Star-Lord. E quando Rocket chora, é impossível não chorar junto com ele.

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Nós esperamos tanto por um filme que soubesse retratar bem a dinâmica de uma família de super poderosos, esperando que Quarteto Fantástico fosse este representante (e vacilando duas vezes em seu intento) e foi um grupo de heróis praticamente desconhecido que acabou por oferecer isso aos espectadores dos filmes da Marvel; um bando de desajustados espaciais que desenvolveram um vínculo sólido e belo, tanto entre eles próprios quanto com a audiência. Ao invés de um simples mais do mesmo, o cineasta James Gunn surpreendeu mais uma vez.

Nós ainda somos Groot!

Atenção para os easter-eggs que vão desde a participação de Howard, o Pato, aos Guardiões da Galáxia originais das HQs dos anos 1960, passando por Cosmo, O Cão Espacial, Grão-Mestre e pela sempre indispensável presença em Stan Lee, em uma cena divertida como sempre, na qual explica seus cameos em outros filmes da Marvel.

Andrizy Bento

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2 opiniões sobre “Guardiões da Galáxia Vol. 2”

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