Personalidade: Renato Russo

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Ele conquistou uma fiel Legião de fãs. Meninos e Meninas, Pais e Filhos escutaram e ainda escutam suas músicas e se emocionam. Renato Russo é, até hoje, considerado o filósofo do rock nacional para seus admiradores. O poeta cujas letras, melodias e arranjos atravessaram gerações.

Digo a todos que minha paixão e curiosidade pelo rock nacional da década de 1980 tiveram início no exato dia em que ouvi Faroeste Caboclo da Legião Urbana na rádio, a gloriosa canção de quase nove minutos de duração. Se hoje eu sou uma voraz pesquisadora do rock nacional, devo isso ao Renato Russo.

Renato Manfredini Júnior nasceu no dia 27 de Março de 1960. O sobrenome Russo teve como inspiração o famoso filósofo francês Jean-Jacques Rousseau. Ele já havia batizado um personagem seu com esse pseudônimo: Eric Russo, vocalista de uma banda de rock fictícia criada por ele mesmo. Renato até brincava de fazer entrevistas com esse personagem e escreveu toda a trajetória da banda, inclusive, músicas próprias para ela (aliás, me lembra alguéns que conheço muito bem…). Quando criou tudo isso, tinha apenas 15 anos de idade, época em que teve epifisiólise, uma doença que atinge o fêmur e, por isso, passou muito tempo sem andar. Como ele não queria que as pessoas o vissem nesse estado, ficava horas no quarto inventando histórias e ouvindo música de variadas bandas gringas. Música era sua grande paixão e o que movia sua criatividade.

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Com o passar dos anos, e já recuperado, formou sua primeira banda. O Aborto Elétrico era totalmente influenciado pelo punk inglês e contava com Fê Lemos e André Pretorius em sua formação. Mais tarde, o irmão de Fê, Flavio Lemos, também passou a integrar a banda. Escreveram músicas importantíssimas como Química, Conexão Amazônica, Geração Coca-Cola, (todas gravadas mais tarde pela Legião Urbana) Fátima, Música Urbana, Veraneio Vascaína (que posteriormente, passaram a integrar o repertório do Capital Inicial), dentre outras.

Mas as constantes brigas entre Renato e Fê Lemos não colaboraram para que o Aborto pudesse seguir em frente, principalmente depois de seu último show, no qual os dois integrantes arremessaram baquetas de bateria um no outro. E isso unicamente por Renato ter se atrasado para o concerto e errado a letra durante a apresentação.

Após o fim do Aborto, Renato Russo se tornou o Trovador Solitário. Sob esta alcunha, abriu shows para a Plebe Rude e, em um destes, chegou a ser vaiado, uma vez que o público clamava por algo mais punk.

Finalmente, em 1982, ao lado dos amigos Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos (que já era seu terceiro guitarrista), formou uma nova banda. O nome do grupo, até hoje desperta a curiosidade. Ele jamais explicou ou se pronunciou sobre sua origem. Os integrantes remanescentes contam apenas que, em um dia qualquer, Renato falou de repente: “Vamos dar o nome da banda de Legião Urbana”. E assim ficou. O músico Renato Rocha também chegou a integrar a Legião nos primeiros discos, mas algum tempo depois se afastou por incompatibilidade com os demais membros do grupo.

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O restante da história, todo mundo conhece bem. Legião Urbana se tornou uma das bandas mais icônicas do cenário musical brasileiro, referência para inúmeras outras que surgiram depois, realizaram diversos shows históricos e fizeram várias aparições em programas de televisão que compreendem registros marcantes da imprensa nacional.

Renato lançou muitos discos ao lado Legião. Legião Urbana (1985), Dois (1986), Que País é Esse (1987), As Quatro Estações (1989), V (1990), O Descobrimento do Brasil (1993). Deu uma pausa para se dedicar a projetos solo e, durante esse intervalo, lançou dois álbuns: The Stonewall Celebration Concert de 1994, cantado todo em inglês, e Equilíbrio Distante de 1996, no qual interpreta canções em italiano.

Em 1996, gravou seu último disco ao lado da Legião Urbana, A Tempestade ou o Livro dos Dias, composto de canções extremamente melancólicas que, reza a lenda, gravou aos prantos Tudo indicava que, com esse disco, Renato estava fazendo sua despedida a familiares, amigos e fãs, alertando para o fato de que todos receberiam uma triste notícia em breve.

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E ela realmente veio, no dia 11 de Outubro de 1996, quando o Brasil deu adeus ao poeta. Renato faleceu aos 36 anos de idade, devido à complicações decorrentes do vírus HIV, do qual descobriu ser portador em 1990.

Discos póstumos e muitos tributos foram prestados ao músico, até hoje cultuado no cenário musical brasileiro. Quase Sem Querer, ele nos emocionou e comoveu. Ainda que Renato tenha deixado uma lacuna irreparável em nossa cultura musical – por mais que ele dissesse que o pra sempre, sempre acaba – suas composições e mensagens são eternas.

Adryz Herven

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