Vencedores do Oscar 2017 – Não existe vitória antecipada

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Ao comentar as minhas previsões para o Oscar 2017, no texto de ontem, eu relutei um pouco em usar a expressão vitória antecipada. Mas, no final das contas, enquanto editava o texto, decidi mantê-la. E errei. Como faço questão de salientar no título deste post, não existe vitória antecipada. Mesmo no Oscar em que o resultado tende a ser sempre tão previsível.

Na noite de ontem, vimos a história acontecer no palco do Dolby Theater. E não de maneira positiva. Em transmissão ao vivo, para milhões de espectadores do mundo inteiro (nem ouso estimar a quantidade), os atores Warren Beatty e Faye Dunaway anunciaram o ganhador do prêmio de melhor filme, a categoria máxima da noite. Uma confusão com os envelopes de melhor atriz e melhor filme gerou um momento constrangedor para todos os envolvidos. Beatty até percebeu que havia algo de errado, mas entregou o papel para que Dunaway lesse o nome do vencedor. Ela nem se deu conta que se tratava do envelope de melhor atriz, nem atentou para o nome de Emma Stone. Apenas leu em voz alta La La Land… quando o ganhador, na verdade, era Moonlight.

Algumas coisas precisam ser ditas a respeito disso. Para além do óbvio clima de desconforto e constrangimento instaurado naquele palco e que afetou os apresentadores do prêmio, o mestre de cerimônias, Jimmy Kimmel, e obviamente os produtores, diretor e elenco de La La Land. Não há como culpar Beatty e Dunaway. Aquele foi um erro dos organizadores do evento. Eles só cumpriram o protocolo. E, com todo o hype em torno do filme de Damien Chazelle, sua vitória parecia mesmo certa. Havia até grandes sites de entretenimento apostando com afinco que La La Land se uniria aos maiores vencedores da história da premiação, igualando o recorde de onze Oscars de Ben Hur, Titanic e Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Um exagero, sem mais.

O musical de Chazelle é a cara da Academia, a típica produção que o Oscar adora. Não ofende, é bonito, tem duas estrelas queridinhas e com ficha limpa em Hollywood o protagonizando, faz homenagem a grandes clássicos do cinema, não é politizado, não toca em nenhuma ferida, é o padrão Oscar. Isso não quer dizer que o filme não tenha méritos, ou que eu não ache que seja um bom filme. Pelo contrário, quem leu minha resenha, sabe que teci elogios ao longa. Mas é fato que Oscar raramente – muito raramente – arrisca e dá o prêmio a uma produção  mais ousada, que realmente se atreve, não-cômoda, urgente e que escapa do lugar comum. Por mais esta razão, não há como culpar Beatty e Dunaway. A vitória de Moonlight foi uma surpresa em todos os sentidos.

Primeiro pelo erro crasso de anunciar o vencedor errado em um revival versão  Hollywood do Miss Universo 2016. Segundo porque a vitória de La La Land parecia certa. Terceiro porque é difícil imaginar a Academia entregando o prêmio mais disputado da noite para Moonlight, que foge da zona de conforto e de seus padrões conservadores. Se foi uma resposta para o #OscarsSoWhite do ano passado, eu não sei (embora soe exatamente assim). Mas que foi uma surpresa boa, apesar do vexame histórico, isso é inegável.

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Sobre as apostas do Bloggallerya: nesse ano, não me saí tão bem. Foi um total de 15 acertos e uma possibilidade certeira em 24 categorias. Nunca havia errado tanto no que diz respeito às categorias técnicas. Mas é só porque a tão esperada lavada de La La Land não aconteceu. De qualquer modo, acertei quase todas as categorias principais. Menos a de melhor filme. E nunca estive tão feliz por ter errado 😉

Abaixo, você confere os vencedores do #OscarsSoCrazy 2017:

Melhor Filme: Moonlight – Sob a Luz do Luar
Melhor Diretor: Damien Chazelle (La La Land)
Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester by the Sea)
Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight)
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Fences)
Roteiro Original: Manchester by the Sea
Roteiro Adaptado: Moonlight – Sob a Luz do Luar
Melhor Animação:Zootopia
Melhor Filme Estrangeiro: The Salesman (Irã)
Melhor Documentário em Longa-Metragem: O.J.: Made in America
Melhor Documentário em Curta-Metragem: Os Capacetes Brancos
Melhor Curta-Metragem: Sing
Melhor Curta em Animação: Piper
Melhor Fotografia: La La Land
Melhor Figurino: Animais Fantásticos e Onde Habitam
Melhor Maquiagem/Cabelo: Esquadrão Suicida
Melhor Mixagem de Som: Até o Último Homem
Melhor Edição de Som: A Chegada
Melhores Efeitos Visuais: Mogli: O Menino Lobo
Melhor Design de Produção: La La Land
Melhor Montagem: Até o Último Homem
Melhor Canção Original: “City of Stars” – La La Land
Melhor Trilha Sonora: La La Land

Andrizy Bento

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2 opiniões sobre “Vencedores do Oscar 2017 – Não existe vitória antecipada”

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