Personalidade: John Hurt

O ator recebendo o BAFTA
O ator recebendo o BAFTA

Ele arrancou lágrimas do público com sua sensível e tocante performance em O Homem Elefante. Causou repugnância e horror tanto no público, quanto nos colegas de elenco desavisados quando um alienígena saiu de seu peito em Alien – O Oitavo Passageiro. Foi o tirano e fascista Chanceler Adam Sutler em V de Vingança e o simpático Olivaras em Harry Potter; o chefe do Serviço Secreto Britânico, Control, em O Espião Que Sabia Demais e a voz do Dragão de Merlin, da BBC; O War Doctor no especial de 50 anos de Doctor Who e Winston Smith em 1984; Professor Harold Oxley em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal e Professor Trevor Bruttenholm em Hellboy II: The Golden Army. Narrou as tramas de Dogville e Perfume: A História de um Assassinato. Foi considerado por David Lynch “simplesmente o melhor ator do mundo”.

Em sua prolífica trajetória de 60 anos como ator de cinema, televisão e teatro, John Hurt se mostrou um dos mais versáteis, talentosos e interessantes atores de todos os tempos. Intercalando filmes comerciais com produções mais indie, tornou-se tanto um ator de renome, sendo indicado a praticamente todas as premiações importantes, quanto um ícone nerd ao participar de diversas obras marcantes da cultura pop – superando até mesmo Christopher Lee em número de participações em produções fantásticas cultuadas por enormes fanbases.

Seu currículo é praticamente irretocável e invejável, composto de filmes de David Lynch, Ridley Scott, Alan Parker e Lars Von Trier, peças baseadas em textos de William Shakespeare e Tom Stoppard e produções de excelência e requinte da BBC.

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John Hurt nasceu na Inglaterra em 22 de janeiro de 1940. Sua carreira como ator teve início em 1962, com o filme The Wild and the Willing, mas seu primeiro grande papel foi o coadjuvante Richard Rich de A Man for All Seasons de 1966. Foi indicado ao Oscar duas vezes. A primeira por O Expresso da Meia Noite de 1978, dirigido por Alan Parker, quando concorreu como melhor ator coadjuvante; depois por seu desempenho fabuloso no drama biográfico O Homem Elefante de David Lynch, em 1980, na categoria de melhor ator. Por esse papel, ganhou o Bafta de ator principal e concorreu outras três vezes ao prêmio como coadjuvante (inclusive por Alien). Também foi reconhecido no Globo de Ouro pelos longas citados, tendo arrematado a estatueta pelo filme de Parker.

Em 2003, Hurt tornou-se o patrono da Proteus Syndrome Foundation, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. A síndrome de Proteus é a condição que Joseph Merrick – personalidade que Hurt interpretou em O Homem Elefante – acreditava sofrer, apesar de a condição exata de Merrick nunca ter sido esclarecida com certeza. Em 2006, foi patrono do Projeto Harar, uma instituição de caridade britânica que dá suporte e presta serviços a crianças com desfigurações faciais na Etiópia. Por sua contribuição às artes, foi condecorado pela Ordem do Império Britânico em 2015.

O ator faleceu no último dia 25 de janeiro de 2017, devido às complicações causadas por um câncer de pâncreas. Hurt havia tornado seu diagnóstico público há dois anos. Uma perda incomparável para a telona, a telinha e os palcos.

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John Hurt foi grandioso, um ator soberbo, com performances memoráveis que jamais serão esquecidas. Enquanto ergo minha varinha em sua homenagem, desafio qualquer um a assistir à antológica sequência em que Merrick é perseguido em uma estação de trem e grita: “eu não sou um animal, eu sou um ser humano, eu sou um homem!”.

David Lynch estava certo, afinal 😉

Andrizy Bento

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