Star Wars: Rogue One

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Aliar fantasia à política em uma trama bem fundamentada, na qual nem a diversão e nem o contexto social são negligenciados, é algo a ser admirado no cinemão americano. É isso que Star Wars: Rogue One, dirigido por Gareth Edwards, promove. Acima de tudo, o novo exemplar cinematográfico da franquia inaugurada por George Lucas pelos idos da década de 1970, é uma história sobre sacrifício e cumplicidade, fé e determinação, honra e coragem, heroísmo e nobreza. Um ótimo conto que mostra outro lado – verossímil, mas questionável  – da Aliança Rebelde. Um longa capaz de emocionar até mesmo os não familiarizados com a obra e, logicamente, agradar aos fãs, devido ao tratamento de carinho e respeito pelo canon e seus visuais esplendorosos.

O cerne da narrativa é a construção da (já altamente conhecida pelos fãs)  Estrela da Morte, uma estação espacial bélica capaz de devastar planetas inteiros. A trama se situa seis anos após a extinção da Ordem dos Cavaleiros Jedis e cerca de treze anos antes da explosão da primeira Estrela da Morte – isto é, fica entre a trilogia nova (que compreende os filmes lançados entre 1999 e 2005) e a clássica (formada pelos longas de 1977, 1980 e 1983). Vigora um regime opressivo e ditatorial após as atrocidades planejadas e ordenadas pelo Imperador Palpatine e a consequente conversão da República Galáctica no cruel e vil Império Galáctico que, agora, recruta pessoas especializadas para a confecção da arma mais poderosa existente.

Neste contexto, o diretor imperial Krennic (Ben Mendelsohn) tenta persuadir (leia-se coagir) o talentoso designer de armas Galen (Mads Mikkelsen) a trabalhar na construção da Estrela da Morte. Jyn Erso (Felicity Jones), a filha de Galen, acaba afastada de seu pai ainda criança, uma vez que ele é levado à força pelo Império e ela foge a fim de se esconder do diretor. A princípio, Jyn é criada pelo revolucionário Saw Gerrera (Forest Whitaker). No entanto, ao completar 16 anos, tem de aprender a sobreviver por sua própria conta e risco. Já adulta, é libertada da prisão Imperial pela Aliança Rebelde, mas por um preço: o objetivo é rastrear seu pai. Em uma lógica troca de favores, Jyn deve colaborar com a Aliança a fim de garantir sua liberdade quando findada a missão. Ao aceitar o acordo, ela é enviada para o planeta Jedha ao lado do oficial rebelde Cassian Andor (Diego Luna) e do droide imperial K-2SO.

Outros personagens introduzidos na trama – como o guerreiro espiritual e cego que possui uma crença inabalável na Força, Chirrut Imwe (Donnie Yen); Baze Malbus (Jiang Wen), o fiel amigo de Imwe, embora não compactue das mesmas crenças; e o piloto  Bohdi Rook (Riz Ahmed) – se unem a Jyn, Andor e K-2SO, compondo o grupo de rebeldes que planeja se infiltrar em um banco de dados de alta segurança, localizado no planeta Scarif, para roubar os planos do projeto Estrela da Morte.

As batalhas são bem estruturadas e visualmente formidáveis com um desenho de produção que não encontrou rival à altura em 2016, sempre dando uma ótima dimensão na tela de como a guerra se desenrola, sem negligenciar as noções de espaço-tempo tão caras à montagem de um longa dessa estirpe.  O visual é espetacular: um festival de luz, cores, naves e cenários projetados puramente para delírio dos fanboys e fangirls de Star Wars.

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Todavia, são os contornos políticos que garantem um filme inteligente, nos apresentando um outro lado da Aliança Rebelde, cujas decisões e ações são dúbias e controversas durante boa parte da narrativa. E convém mencionar a boa dinâmica entre os personagens que realmente se sobressai. A interação entre todas as carismáticas figuras que protagonizam a história não poderia ser mais orgânica. As conexões se desenvolvem pontuadas pela ação – com um clímax praticamente constante, a química surge em meio aos embates, explosões e guerras galácticas, de maneira natural. O espectador acredita no laço que se forma entre eles.

O caráter nostálgico, o tom de tributo e a proposta de preencher algumas lacunas na mitologia introduzida nos três grandes clássicos que tornaram Star Wars o produto mais emblemático da cultura geek já eram justificativas suficientes para a concretização de Rogue One. Mas este novo filme da franquia faz mais do que isso: incita a reflexão acerca da dimensão daquele universo proposto em 1977 por George Lucas; se aprofunda em atitudes e conceitos que, agora, soam antagônicos; alia um importante arco político com visuais arrebatadores (introduzindo novos planetas, criaturas, droides e naves espaciais); e mostra, com efeito, o que é realmente um bom prelúdio. Algo que a nova trilogia de Lucas não soube fazer. 

Destaque para as participações de Darth Vader (voz de James Earl Jones e presença física de Spencer Wilding) e da Princesa Leia, nossa saudosa Carrie Fisher*, dando as caras em uma cena que interliga Rogue One de imediato a Uma Nova Esperança, filme original de 1977, e que, agora soa como um tributo profético à saudosa atriz que nos deixou em 27 de dezembro do ano passado.

Uma delícia ver como souberam construir uma boa história que servisse de de prólogo para o episódio IV, sem parecer caça-níquel. Mais uma vez, depois do ótimo The Force Awakens, temos a constatação de que a franquia está em boas mãos – e cabeças inteligentes.

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Eu estou com a Força e a Força está comigo.

★★★★

* No caso da Princesa Leia, a atriz norueguesa Ingvild Deila serviu de molde para as avançadas técnicas de captura de movimentos de personagens e ficou a cargo da famosa e experiente empresa de efeitos visuais de Lucas, a ILM, criar o rosto 3D de Carrie Fisher e inseri-lo digitalmente no molde de Ingvild. O mesmo recurso foi utilizado para o Governador Tarkin, cujo intérprete , Peter Cushing, faleceu em 1994. Contudo, Carrie, além dos traços, emprestou a voz à Princesa Leia criada digitalmente.

Andrizy Bento

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