Personalidade: John Hurt

O ator recebendo o BAFTA
O ator recebendo o BAFTA

Ele arrancou lágrimas do público com sua sensível e tocante performance em O Homem Elefante. Causou repugnância e horror tanto no público, quanto nos colegas de elenco desavisados quando um alienígena saiu de seu peito em Alien – O Oitavo Passageiro. Foi o tirano e fascista Chanceler Adam Sutler em V de Vingança e o simpático Olivaras em Harry Potter; o chefe do Serviço Secreto Britânico, Control, em O Espião Que Sabia Demais e a voz do Dragão de Merlin, da BBC; O War Doctor no especial de 50 anos de Doctor Who e Winston Smith em 1984; Professor Harold Oxley em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal e Professor Trevor Bruttenholm em Hellboy II: The Golden Army. Narrou as tramas de Dogville e Perfume: A História de um Assassinato. Foi considerado por David Lynch “simplesmente o melhor ator do mundo”.

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Vencedores do SAG Awards 2017

No último domingo, dia 29 de janeiro, o Sindicato dos Atores dos Estados Unidos anunciou os vencedores do Screen Actors Guild Awards (SAG) 2017 em uma cerimônia realizada em Los Angeles. O grande vencedor da premiação, que elege as melhores performances do cinema e da televisão americana, foi Estrelas Além do Tempo que levou o prêmio principal de Melhor Elenco. Surpreendentemente, La La Land não foi indicado a esta categoria e deve repetir o feito de Coração Valente que, nesses 21 anos de existência do SAG, foi o único vendedor do Oscar de melhor filme a não concorrer à categoria de elenco.

Por sua vez, Emma Stone conquistou o prêmio de melhor atriz pelo musical de Damien Chazelle Viola Davis (foto em destaque) arrematou a estatueta de atriz coadjuvante pelo filme Fences. Foi a quinta vitória da atriz no SAG e coroada com um belíssimo discurso. Denzel Washington levou o prêmio de ator principal pelo mesmo filme, enquanto Mahershala Ali, com sua performance sensível em Moonlight, venceu na categoria de ator coadjuvante.

Já nos prêmios de televisão, os destaques ficaram por conta de Stranger Things, premiada na categoria de Melhor Elenco em Série de DramaThe Crown que venceu os prêmios principais de atuação.

Abaixo estão listados todos os vencedores do SAG Awards 2017:

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Manchester by the Sea

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A construção psicológica do protagonista, Lee Chandler, somada à interpretação precisa de Casey Affleck é certamente o maior trunfo de Manchester by the Sea. Amparado por excelentes coadjuvantes e a deslumbrante fotografia a cargo de Jody Lee Lipes, um dos principais concorrentes ao Oscar 2017 é um excelente estudo da dor de um personagem comum, imerso no silêncio de quem pensa ser totalmente inútil verbalizar seu sofrimento. O longa de Kenneth Lonergan versa aceca das transformações que a tragédia, a angústia, a perda e a morte operam na vida de uma pessoa.

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Indicados ao Oscar 2017

La La Land iguala o recorde de indicações de Titanic e A Malvada

Na segunda-feira, 24 de janeiro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou as nomeações ao Oscar 2017 de uma maneira bem diferente dos anos anteriores. Ao invés de uma pequena cerimônia com a presença de atores famosos e um representante da Academia lendo em voz alta os indicados para um público seleto, composto de membros da imprensa; desta vez foi produzido um vídeo no qual nomeados e vencedores de edições passadas anunciavam os nomes que disputam as principais categorias do Oscar deste ano.

O principal destaque é mesmo La La Land, como muitos especialistas já antecipavam. O longa de Damien Chazelle concorre em 13 categorias, mas obteve mesmo 14 indicações – uma vez que dois de seus temas musicais disputam o prêmio de Canção Original – igualando o recorde dos filmes Titanic de 1997 e A Malvada de 1950.

Outros concorrentes de peso são Moonlight A Chegada que concorrem em oito categorias cada e Manchester by the Sea que possui seis indicações.

As vítimas das tradicionais esnobadas da Academia foram  o longa Silence de Martin Scorsese, apontado como possível indicado a melhor filme por inúmeros termômetros e palpiteiros, acabou ficando somente com uma mera indicação em Fotografia; e Amy Adams, cujo nome muitos davam como certo na categoria de Melhor Atriz por A Chegada. Infelizmente, acabou ficando de fora da disputa.

Uma das principais surpresas, no entanto, é o reconhecimento de Isabelle Huppert, impecável em Elle, que concorre como atriz principal.

Sobre as apostas do Bloggallerya: se não me falha a memória, é a primeira vez que acerto todos os indicados a Melhor Filme. Minhas apostas também foram precisas nas categorias Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Animação e Filme Estrangeiro. Já em Diretor, Atriz, Ator Coadjuvante e Roteiro Original foram quatro acertos e uma alternativa certeira.  Me saí melhor do que em outros anos 😉

Mais abaixo, você confere a lista de nomeações em todas as categorias do Oscar 2017. Lembrando que a cerimônia de entrega dos prêmios será realizada em 26 de fevereiro e terá como hostess o apresentador Jimmy Kimmel.

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La La Land – Cantando Estações

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Como espectadora, musical é um gênero que me deixa desconfortável. Por mais que reconheça os méritos, especialmente dos grandes clássicos, se trata de um gênero que não consegue me convencer ou atrair. Geralmente, acho que são artificiais. A exceção é As Canções de Amor de Christophe Honoré, no qual a música surge de maneira espontânea e natural, como se os personagens estivessem dialogando através de canções e imersos em uma atmosfera videoclíptica que contribui muito para que o longa funcione.

Não é constrangimento nenhum admitir que fui munida de preconceitos assistir La La Land  tanto por se enquadrar na categoria de musical, quanto pelo fato de que todo filme adotado como o queridinho da Awards Season é promessa de muito alarde por pouca coisa. Afinal, o que se privilegia nessa época é o famigerado padrão Oscar, de filmes quadrados, mornos, que não incomodam, nem causam comoção. E a sequência de abertura, extremamente elogiada pelos quatro cantos do globo, só serviu para cutucar a minha aversão.

La La Land abre com uma cena musical, em que dezenas de pessoas, presas em um engarrafamento (que remete imediatamente ao 8 ½ de Fellini) rumo à Los Angeles, saem de seus carros e iniciam um número de cantoria e dança em um plano-sequência realmente admirável. A metáfora é pública e notória: mesmo diante das dificuldades e barreiras, os jovens aspirantes a artistas estão em busca de seus sonhos na cidade dos sonhos. Sim, não tem como não reconhecer seus méritos, mas que a cena me deu certo embrulho no estômago diante da desconcertante impressão de que o longa seria inteiramente cantado, também é inegável.

Depois disso, a impressão se desfez, felizmente. E La La Land se provou uma grata surpresa.

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A Chegada

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Stanley Kubrick costumava dizer que um filme deveria se aproximar mais da música do que da ficção. E ele não poderia estar mais certo. A música não se limita a uma narrativa convencional, isto é, não conta uma simples historinha. Ela é composta de versos, rimados ou não, metricamente dispostos de forma que soem harmônicos quando combinados à melodia. No final, a música faz sentido. Mesmo que as frases, quando não cantadas, pareçam desconexas e dispersas. Ao ler os versos, desprovidos do compasso, sempre há a impressão de que falta algo. Mas quando a letra está aliada aos acordes da guitarra, violão, piano ou qualquer outro instrumento, ela vai representar uma emoção distinta para cada uma das pessoas que a ouvir, dependendo da sensibilidade e da experiência de cada um.

O cinema também é um conjunto de elementos que devem buscar harmonia a fim de que um filme funcione. Um filme não é uma simples história, não se restringe ao roteiro. O roteiro é uma parte significante. Mas a fotografia, a montagem, a sonoplastia, o figurino/maquiagem e a direção, devem estar em sintonia para que a narrativa possa fluir.

Não sei dizer se o franco-canadense Denis Villeneuve tem conhecimento da frase de autoria de Kubrick (embora ele seja fã confesso do homem por trás de 2001: Uma Odisséia no Espaço), mas, pelo sim ou pelo não, o fato é que o cineasta seguiu à risca a filosofia do mestre. Isso por ser daqueles artesãos que realmente compreendem a essência do grande ecrã; qual é a força motriz da sétima arte. E é por isso que em A Chegada, todos os recursos narrativos e visuais são trabalhados com sabedoria e primor, apresentando uma harmonia sem igual.

A trama é centrada na linguista Louise Banks (Amy Adams), convocada por militares para traduzir e interpretar a linguagem e os sinais de seres alienígenas que aportaram na Terra, em diversos pontos do planeta. A fim de descobrir se eles representam uma ameaça, Louise vai se aproximando cada vez mais dos seres extraterrenos, estabelecendo uma comunicação com estes, e acabando por desvendar mistérios intrínsecos à humanidade e sua própria existência.

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