THE WALKING DEAD – 7×01: “The Day Will Come When You Won’t Be”

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Tem um bom tempo (pelo menos umas cinco temporadas) que The Walking Dead deixou de ser uma série sobre o apocalipse zumbi e se tornou uma trama que versa sobre a luta pela sobrevivência, a resiliência humana e as relações entre os personagens nesse cenário caótico.

Depois de uma sexta temporada morna, esse início do sétimo ano nos trouxe o antagonista Negan (o ótimo Jeffrey Dean Morgan) torturando, matando e sendo responsável por um verdadeiro banho de sangue, ajudando a dar uma sobrevida a um seriado que já apresentava severos sinais de desgaste, apesar de ainda atrair grande audiência. Como toda série de sucesso, os produtores não hesitam em continuar investindo em novas temporadas, não querendo perder sua galinha dos ovos de ouro, tornando-a um simples produto com direito a spin-off caça-níquel. Resultado: a trama vinha se arrastando nos últimos anos, já soando combalida. Mas eis que a sétima temporada chega com novo fôlego e energia.

Já de início, a equipe criativa por trás do show provocou e testou a paciência do espectador, dando a impressão de que iria apostar em outra das decisões covardes que marcaram negativamente a sexta temporada. Para quem não se recorda (o que é impossível), o sexto ano da série terminou com um cliffhanger (o famoso gancho), com o maníaco Negan usando seu bastão coberto por arame farpado, Lucille (só um maníaco daria um nome de mulher ao seu próprio bastão), para matar um dos membros do grupo de Rick Grimes (Andrew Lincoln), cuja identidade foi mantida em segredo até o retorno da série, no último domingo, dia 23. E eis que se trata de um personagem neutro, não necessariamente idolatrado pela fanbase. Entretanto, TWD subverteu as expectativas – oras, eles tiveram um hiatus inteiro para refletir a respeito da emoção que iriam causar: se a decepção e ira pelo fato de tirarem de cena um coadjuvante desimportante ou a ira, tristeza e consternação por matar um fan favorite.

Em uma decisão inteligente, o alvo não mostrado na tela e mantido em suspense durante os meses de hiatus, acaba por ser o coadjuvante sem brilho. Mas, inesperadamente, Negan escolhe um segundo alvo e massacra um membro regular do elenco desde o piloto da série e queridinho dos fãs com sua amada Lucille – uma cena brutal e chocante, tanto pela violência empregada quanto pelo carinho que o personagem despertava nos espectadores. Ponto para os showrunners. Há eras que a produção vinha tirando de cena apenas coadjuvantes pouco acentuados e não arriscando matar nenhum de seus principais personagens.

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A última vez que tivemos um vilão digno, que representava uma real ameaça, foi na quarta temporada, com o Governador, que acabou vítima de sua própria vilania, mesmo apresentando certa humanidade e passando longe de ser bidimensional. Chegou um momento em que seu caráter insano e megalomaníaco fatigou o público.

Depois disso, foi uma sucessão de eventos nos quais o grupo encabeçado por Rick Grimes sempre mostrava uma onipotência que chegava a incomodar. Era impossível sentir alguma preocupação pelos personagens quando pareciam todos bem seguros, armados e equipados, cercados pelos muros de Alexandria e sem correr nenhum risco real de morte (centenas de zumbis poderiam cair em cima de um único homem e, ainda assim, ele sobrevivia…).

Negan, com suas doses generosas de sadismo, vem para abalar essa estrutura e devolver ao espectador a apreensão pela vida dos heróis que ainda representam a resistência contra hordas de zumbis e malignos seres humanos sobreviventes. O apocalipse enlouqueceu tanto a humanidade (o que restou dela, aliás) que as pessoas conseguem ser bem piores do que os nossos amigos devoradores de vísceras e tripas…

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Como em qualquer momento de qualquer era, você deve sentir mais medo dos vivos do que dos mortos.

E que a sétima temporada continue nesse ritmo.

Andrizy Bento

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