Personalidade: Marion Cotillard

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Basta um olhar. É o suficiente para cativar a atenção do espectador. Seus profundos e marcantes olhos azuis projetam um verdadeiro espectro de emoções. Colocando nestes termos, tem-se a desconcertante impressão de que se trata apenas de floreios para ornamentar um perfil. Mas apenas quem já conferiu as performances de Marion Cotillard no cinema, sabe que é um fato. A francesa que completa 41 anos hoje, 30 de setembro, é daquelas raras atrizes que conseguem transmitir tudo o que sua personagem está sentindo através de um expressivo olhar.

Marion arrebata por completo em Era Uma Vez em Nova York, no qual seu semblante denuncia melancolia e fragilidade. Consegue desorientar o espectador em A Origem, com uma personagem tão ambígua quanto encantadora. Sem grande esforço, causa uma comoção absurda em Dois Dias, Uma Noite, provocando identificação imediata em quem o assiste. E mesmo no confuso Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, foi capaz de surpreender e exercer fascínio com uma personagem que causou controvérsia.

Desse modo, a atriz francesa, considerada musa e das mais bancáveis do século, trafega com admirável naturalidade e destreza por entre blockbusters e cinema de arte. Versátil ao portar qualquer que seja a personagem, ela consegue ser sedutora e tocante, destemida e sensível, sem jamais perder sua identidade.

Pode-se dizer que o drama sempre esteve profundamente enraizado em Marion, desde suas origens. Filha do dramaturgo e diretor Jean-Claude Cotillard e da atriz e professora de teatro Niseema Theillaud, ela começou a participar de peças teatrais ainda na infância, tendo estudado interpretação no Conservartório de Arte Dramática em Orléans (cidade onde cresceu) e posteriormente no Conservatório Molière em Paris.

Do início da década de 1980 até meados dos anos 2000, participou de diversas produções relativamente conhecidas do grande público, como a série de televisão Highlander, a trilogia Táxi (produzida por Luc Besson), Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas de Tim Burton e Um Bom Ano de Ridley Scott. Mas foi com Piaf – Um Hino ao Amor que a atriz ganhou notoriedade, ao interpretar a lendária cantora Edith Piaf e ser a única atriz a ganhar um Oscar por um filme falado em língua francesa.

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Após esse estrondoso sucesso e reconhecimento, vimos Marion atuar em diversos filmes de cineastas consagrados, como Inimigos Públicos de Michael Mann, Nine de Rob Marshall, Meia-Noite em Paris de Woody Allen, Ferrugem e Osso de Jacques Audiard (que a deixou bem próxima de conquistar o prêmio de interpretação feminina no Festival de Cannes) e os já mencionados A Origem e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, ambos de Christopher Nolan, e Era Uma Vez em Nova York do conceituado diretor James Gray.

Recentemente, esteve em Mal de Pierres, contracenando com Louis Garrel (dois dos maiores símbolos sexuais franceses de todos os tempos) que disputou a Palma de Ouro em Cannes, mas que não foi bem recebido no festival; e It’s Only the End of the World de Xavier Dolan, vencedor do Grand Prix em Cannes, ambos de 2016.

Aliás, há um boato recorrente de que o tradicional festival de cinema de Cannes tem certa birra em relação aos artistas franceses que possuem uma carreira bem-sucedida em Hollywood, o que inclui Marion. Verdade ou mito, o fato é que essa é uma característica que aproxima Cotillard de outra atriz-símbolo francês: Juliette Binoche. Figura constante em Cannes, Marion já desfilou por doze vezes consecutivas pelo tapete vermelho do festival de cinema da Riviera Francesa, mas ainda não conquistou o tão sonhado prêmio de interpretação feminina.

Além da cobiçada estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que Marion venceu em 2008, a francesa acumula prêmios que incluem Globo de Ouro, Bafta e César, todos por Piaf. A atriz já havia ganhado um César por sua performance como coadjuvante em Eterno Amor de 2005. Também foi novamente indicada ao Oscar – contra todas as expectativas – em 2014, pelo belíssimo Dois Dias, Uma Noite.

Mas excelência em atuação não é tudo o que define a carreira profissional de Cotillard. Ativismo e elegância são outras palavras constantemente associadas à principal atriz francesa da atualidade. E, de certo modo, caminham lado a lado. Ela recusou um contrato milionário com uma empresa de cosméticos pelo fato desta testar seus produtos em animais. Não poderia se esperar menos de alguém que é porta-voz do Greenpeace desde 2002. Em 2008, seu estilo sofisticado chamou a atenção da clássica grife francesa Dior, que a tornou garota-propaganda da marca, passando a estrelar uma série de curtas-metragens para divulgar a linha de bolsas Lady Dior.

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Com seus traços delicados, charme, impetuosidade e profunda dedicação ao trabalho, a notável atriz e ativista fez por merecer seu lugar dentre os ícones do cinema europeu e americano. Que a aniversariante dona de um poderoso olhar continue nos presenteando com suas exuberantes performances por muitos anos.

Andrizy Bento

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