[Especial] Teledramaturgia – Parte 4: Novelas que não foram ao ar

Quatro novelas produzidas, mas que nunca foram exibidas. Esse não é um caso muito comum, mas, sim, já aconteceu na teledramaturgia brasileira. Três novelas foram impedidas de serem levadas ao ar e uma delas teve suas gravações interrompidas devido ao fim da emissora que a veiculava. Vejas todos estes casos na lista abaixo e os motivos de terem suas transmissões vetadas:

Roque Santeiro – Rede Globo (1975)

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Todos, certamente, devem se lembrar da clássica novela Roque Santeiro de 1985, que tornou-se uma das mais aclamadas novelas da televisão brasileira. Em pensar que ela poderia ter sido uma produção bem diferente dez anos antes…

No dia 27 de agosto 1975, estava tudo preparado para a substituta da novela Escalada entrar no ar na tradicional faixa das oito horas (hoje transmitida às 21h00min). Escrita por Dias Gomes, A Fabulosa História de Roque Santeiro e de Sua Fogosa Viúva, a que Era Sem Nunca Ter Sido (sim, tinha esse longo nome) teve seu título encurtado apenas para Roque Santeiro, e já tinha 36 capítulos gravados.

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A história, todos já conhecem: girava em torno da cidade de Asa Branca e seus habitantes que viviam em função do mito Roque Santeiro. O personagem-título era tido como um herói pela população da fictícia cidade, ao supostamente morrer tentando defendê-la. Nos papéis principais da trama estava Francisco Cuoco, Lima Duarte e Betty Faria. Eis que no exato momento em que todos aguardavam sua estréia, entra um aviso no ar que alertava: “atentatória aos bons costumes”. Sim! A censura da época do regime militar vetou a exibição do folhetim. De acordo com os fatos, a novela era uma adaptação da peça de teatro também censurada O Berço do Herói de 1968 e os censores da época acabaram descobrindo. Como não tinha nenhuma novela pronta para o horário, foi reprisado o sucesso Selva de Pedra. Quanto aos atores, a maioria veio a integrar o elenco da novela Pecado Capital de Janete Clair que estreou também às oito horas da noite, três meses após o ocorrido.

Como já foi dito, após o fim da ditadura no Brasil, no dia 24 de junho, finalmente a trama de Roque Santeiro ganhou uma nova versão e foi ao ar do início ao fim, para a alegria dos telespectadores brasileiros.

Despedida de Casado – Rede Globo (1977)

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Outra novela que a censura proibiu a exibição, novamente utilizando o aviso de “atentatória aos bons costumes” no dia da estreia.  O fato ocorreu em 3 de janeiro de 1977, na extinta faixa das dez da noite, substituindo o sucesso Saramandaia. O país se encontrava às vésperas da aprovação da lei do divórcio e trinta capítulos já haviam sido gravados.

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A trama narrava a história de uma mulher que, após se separar do marido com quem estava há 10 anos, decidia curtir a vida de solteira. Regina Duarte, Antônio Fagundes e Cláudio Marzo eram os protagonistas. A novela foi escrita por Walter George Durst e dirigida pelo grande Walter Avancini. Para substituir a novela, após o veto, O Bem Amado passou a ser transmitida horário. Já o elenco foi reaproveitado no folhetim Nina, também da faixa das dez, cuja estreia ocorreu cinco meses depois. Infelizmente, esta não teve a mesma sorte de Roque Santeiro, não ganhando uma nova versão e tendo seu roteiro indo parar na gaveta, sendo esquecido de vez no limbo das telenovelas.

O Marajá – Rede Manchete (1993)

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Não se tratava bem uma novela e, sim, de uma minissérie. Estava prevista para ir ao ar no dia 26 de junho de 1993. O regime militar já havia acabado há algum tempo no Brasil, todavia, mesmo assim, ela sofreu censuras. O que aconteceu foi que Fernando Collor de Mello – que um ano antes tinha renunciado seu cargo de presidente da república, pois sofreria um impeachment – entrou com um processo judicial de modo a proibir a exibição do folhetim na Rede Manchete. O ex-presidente se ofendeu com a história que era nada menos do que uma paródia que retratava sua vida e o período em que esteve na presidência do país.

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A trama girava em torno do personagem Elle, presidente que governava um país fictício. Foi escrita por quatro autores: José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos e Alexandre Lydia, com direção a cargo de Marcos Schechtman. Júlia Lemmertz, Alexandre Borges, Hélcio Magalhães e Vânia Bellas integrariam o elenco principal. E essa foi mais uma produção na história da teledramaturgia brasileira que foi parar no limbo, já que contam que as fitas da minissérie foram perdidas sem deixar rastros de seu paradeiro.

Maria Nazaré – Rede Tupi (1980)

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Essa não teve o mesmo problema de censura como as citadas anteriormente. O que se sabe, é que não chegou a ter capítulos completos produzidos, apenas 32 cenas gravadas. Com a falência da Rede Tupi, a antecessora de Maria Nazaré, Como Salvar Meu Casamento, acabou não tendo um fim, faltando 20 capítulos para seu encerramento e, com isso, impedindo até que novas produções começassem a ser realizadas na emissora.

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Na história, a heroína da trama, Maria Nazaré – um misto de Joana D’Arc com Maria Bonita – fazia justiça com as próprias mãos e viveria um romance com um cangaceiro que os envolveria em disputas de terra e algumas batalhas. Na pele dos protagonistas estavam os atores Eva Wilma e Carlos Augusto Strazzer. A trama foi escrita por Teixeira Filho e Cleton Teixeira, com direção de Carlos Zara. Após a falência da Tupi, nenhuma emissora mostrou interesse em produzir a novela e a história acabou sendo arquivada de vez.

Adryz Herven

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