Personalidade: Pink

A primeira vez em que ouvi falar de Pink (também grafado como P!nk) foi no extinto Contato MTV. O então VJ, Edgard Piccoli, anunciava que surgia uma nova cantora no saturado cenário do pop mundial, já tão infestado por Britneys, Christinas, Mandys, Jennifers e Jessicas. Ela vinha como uma promessa. Diferentemente das outras cantoras com jeito de princesinhas, ela era rebelde, tinha o cabelo tingido de cor de rosa e apostava mais no R&B do que no pop dançante ou em músicas melosas que versavam sobre primeiro amor como as outras citadas. Suas coreografias também eram mais ousadas.

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Gostei da Pink de cara. De seu jeito espontâneo e autêntico. Em meio a tantas cantoras que disputavam o posto de Madonna da nova geração, mais interessadas no título de sex symbol e em alçarem o primeiro lugar das listas de fashion icons das revistas de moda, Pink era apenas Pink. Com uma voz marcante e inconfundível, além de uma ótima presença de palco, ela mostrava que tinha talento e personalidade.

De um lar desestruturado aos palcos, sua trajetória foi marcada por controvérsias e hits explosivos. Desde o começo, a cantora deixou claro que não queria ser apenas mais uma. Não se encaixava – e nem queria – no perfil de menininha ou teen princess. Antes da fama, teve de lidar com os problemas em casa. Especialmente com relação aos pais que brigavam muito durante sua juventude, o que tornava difícil a convivência em família. Ainda teve de sobreviver ao inferno na escola e quase sofreu uma overdose na adolescência. Ao se tornar publicamente conhecida, foi alvo de polêmicas com clipes que mostravam tentativas de suicídio, canções que alfinetavam Britney Spears e uma super bebedeira na premiação musical da MTV que, claro, virou notícia no dia seguinte e foi relembrada no aquecimento Video Music Awards do ano posterior.

Sua personalidade pode ser definida como efervescente. Suas letras vão da acidez característica – atacando a cultura da celebridade, presidentes e a objetificação da mulher – até algo mais intimista, versando sobre o desconforto em ser você mesmo, separações, depressão e fuga. Com um nome artístico que alude a um personagem de Cães de Aluguel de Quentin Tarantino e às suas próprias bochechas rosadas, quando seus terríveis colegas de infância e adolescência aprontavam alguma com ela, Pink se tornou uma cantora premiada, com três Grammys em sua estante de prêmios – de quatorze indicações – bem como cinco astronautas de prata do VMA; e consagrada como a mulher do ano em 2013 pela revista Billboard.

Alecia Moore (nome de batismo da cantora) nasceu na Pensilvânia em 8 de setembro de 1980. Lançou seu primeiro álbum, Can’t Take Me Home, em 2000. Seu single de estreia, There You Go, obteve algum êxito nas paradas americanas A partir do segundo álbum, Missundaztood, que chegou às lojas um ano depois do primeiro, o som da cantora e compositora passou por uma reformulação, apostando em uma sonoridade mais pop rock e em ritmos mais dançantes. É neste álbum que estão presentes sucessos como Get The Party Started e Don’t Let Me Get Me (que fez parte até de trilha sonora de novela brasileira).

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O terceiro, Try This de 2003, manteve o estilo musical do anterior, lhe rendeu um Grammy de Melhor Perfomance Vocal Rock Feminina e trouxe hits como Trouble e God is a DJ; ambos ganharam videoclipes divertidíssimos. O quarto álbum da cantora, talvez um dos melhores de sua trajetória, mostrava sua evolução como artista e trazia uma faceta mais madura de Pink como compositora. Com uma inclinação inegável para o rock, as letras deste – I’m Not Dead lançado em 2006 – se destacavam por serem mais ácidas e nervosas, além de abordarem temáticas profundas e reflexivas, com composições baseadas em experiências pessoais da própria artista. Em Stupid Girl, Pink critica a cultura da imagem e a obsessão pelo corpo perfeito. Já U+Ur Hand é um hino feminista anti-babacas da balada. Em Dear Mr. President, que só foi lançada fora dos US por motivos óbvios, o alvo é bem evidente. Ainda sobra espaço para canções mais melancólicas como Who Knew e Runaway, notoriamente autobiográfica.

2008 foi o ano do lançamento do quinto disco de sua carreira que trazia So What, Please Don’t Leave Me e a ótima Sober entre as faixas. Dois anos depois, lançou sua primeira coletânea: Greatest Hits… So Far. Depois de um pequeno hiatus para se dedicar a sua filha Willow, que nasceu em 2011, ela retornou com um de seus álbuns de estúdio mais interessantes e aclamados, o The Truth About Love, que continha os sucessos Just Give Me a Reason (uma das músicas mais executadas nas rádios em 2012) e Try (que possui um clipe maravilhoso).

Apesar de certa resistência aos padrões vigentes no universo do pop, como denunciam a letra e o clipe de Stupid Girl, Pink não se mostra avessa à fama, tendo participado da regravação de um clássico da década 1970, Lady Marmalade, ao lado de Christina Aguilera, Lil’ Kim e Mya para a trilha sonora do filme Moulin Rouge. Cover, este, que acabou se tornando um novo clássico que despontou nas paradas de sucesso mundiais em 2001, evidenciando outro e quase irreconhecível lado da cantora – mais sensual e feminino. Também participou de uma campanha milionária do refrigerante Pepsi, juntamente com Britney Spears (que ela alfineta na canção Don’t Let Me Get Me) e Beyonce, no qual interpretavam uma versão da ultra-regravada We Will Rock You do Queen, trajadas de gladiadoras e tendo como cenário uma arena do Coliseu.

Durante toda a sua trajetória, a garota que hoje nem ostenta mais curtas madeixas cor de rosa, compôs uma canção perfeita para cada momento da vida, com letras fortes que refletem questões inerentes a todos nós. Eis algumas delas:

Don’t Let Me Get Me – porque tem horas que a gente cansa de ser a gente mesmo.

Get The Party Started – Contagiante. Perfeita para começar uma festa.

Try – Porque não dá para simplesmente desistir depois de uma queda.

Just Give Me a Reason – Às vezes relacionamentos acabam sem a menor explicação.

Just Like a Pill – E há relações que são tóxicas…

U+Ur Hand – O título alusivo diz tudo. Uma das músicas mais anti-babacas.

Perfect – Quase uma resposta da própria ao seu hit Don’t Let Me Get Me. Nesta, ela afirma que você é perfeito(a) de qualquer jeito, exatamente do modo como você é.

Sober – A música ideal para aquele momento em que você se dá conta que passou dos limites na noite passada e disse e/ou fez o que não devia…

Stupid Girls– Porque, infelizmente, tem várias dessas por aí.

Run Away – Você também já desejou fugir um dia.

Andrizy Bento

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