Habemus Pilotos: Novas Séries

Estamos no hiatus, mas habemus pilotos!

Estamos na entressafra de séries, nas férias da season, no famigerado hiatus. No período em que todo seriador sofre loucamente, pois suas séries favoritas entraram em intervalo. Tudo bem que, em tempos de Netflix, muitos nem imaginam o quanto um hiatus pode ser doloroso. O número de séries diminui, mas esse é um período de experimentação para os canais. É quando as emissoras analisam seu público, pois o estilo de séries que estreia nessa época, em caráter experimental, pode determinar o que vem por aí em setembro, na fall season. Bem, vi alguns pilotos e, pela minha última contagem, dois escaparam da minha grade. Admito, fico arrasada com isso. Minha pilotomania continua atacada. Eu tento usar da seguinte técnica: estabeleço requisitos para assistir ao piloto. Por exemplo, se saiu legenda (amo todo e qualquer grupo de legenda. Tks pelo trabalho de vocês!), eu vejo. E se for comédia, dispenso. Não vejo sitcoms. As exceções ficam por conta de Friends e Sex and the City. Portanto escaparam do meu crivo doentio UnREAL e Impastor, ambas elogiadas.

Eis um mapinha básico dos pilotos vistos:

The Astronaut Wives Club

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Drama exibido pela emissora ABC, narra a história das esposas dos primeiros astronautas americanos que trabalharam na NASA e fizeram parte do projeto Mercury, durante a corrida espacial. Na época, elas foram vítimas da mídia e do governo, tendo suas vidas afetadas e extremamente manipuladas por estes. O piloto é estupendo, mas a série cai no lugar comum de “casos da semana”. Explico: ela se reduz a focar na história de uma esposa específica a cada semana. A trama tem potencial, mas ainda não foi devidamente explorado. Ela poderia se basear no exemplo de uma produção da HBO, From the Earth to the Moon, uma delicia de série, produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks, que conseguiu apresentar bem a trajetória e o heroísmo dos astronautas daquela época. TAWC tem potencial, como foi dito anteriormente, e estou esperando ansiosamente que nos seja apresentada toda a mágica desse período histórico.

The Whispers

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The Whispers conta com a produção de Spielberg e teve um belo piloto, porém, não sem algumas derrapadas no meio do caminho. De qualquer forma, continua demonstrando que tem potencial. A série se arrisca ao trazer como figura principal um ser invisível denominado Drill que manipula crianças. Há um objetivo específico por trás disso, afinal as crianças que ele perturba não foram escolhidas aleatoriamente. Tudo aparentemente tem uma finalidade, um porquê. Você vai ficar curioso para saber o que Drill quer! (Clique para ler a resenha)

Proof

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Carolyn Tyler é uma cirurgiã renomada, porém enfrentou alguns problemas no último ano: seu filho mais velho morreu em um acidente de automóvel e, o pior, ela é quem estava no volante. Para completar, seu casamento também acabou. De modo a tentar curar sua depressão, ela se alista no programa “Médicos Sem Fronteiras” e vai para a Ásia. É em meio a um tsunami, que ela tem uma EQM (experiência de quase morte) e vê o filho chamar por ela. Ao retornar para casa, um milionário excêntrico em estado terminal a convoca para uma pesquisa no mínimo inusitada: buscar a verdade sobre o que há depois da morte. Ele próprio quer saber o que vai encontrar quando fizer a passagem. A Dra. Carolyn aceita, pois, mesmo sendo extremamente lógica, a dúvida que ela sente após sua EQM é maior do que sua racionalidade médica. Se o tema lhe agrada, eis uma série que vale muito a pena. Mas se esse assunto tão espiritual não é bem a sua praia, passe longe.

Zoo

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Imagine que você está passeando tranquilamente pelo zoológico da sua cidade e o leão que você admira, pelo seu porte e beleza, partisse, repentinamente, para cima do tratador do zoo e o matasse sem dó? Eu, obviamente, sairia correndo, pois seria assustador. Na trama, vários acontecimentos como esse pipocam pelo mundo e o questionamento que inevitavelmente surge a partir disso é: os animais estão se vingando? E por quê? Amo a ideia, mesmo morrendo de medo. Recomendo demais a série. (Clique para ler a resenha)

Complications

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Um médico tem um dia de cão e destrói o Pronto Socorro em que trabalha. Porém há uma justificativa para isso. O nosso amigo John Ellis (o protagonista, interpretado por Jason O’Mara), tem motivos mais do que suficientes para surtar. E seus problemas só aumentam. Boa produção, mas nada de extraordinário.

Scream

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A MTV se propôs a refilmar o clássico dos suspenses adolescentes da década de 90, Pânico, agora em formato de série (o que é moda atualmente; séries adaptadas de produções cinematográficas). Correndo alguns riscos, a pergunta é: se sustenta como narrativa seriada? O formato agrada aos jovens, mas será que essa mecânica de assassino maníaco – os chamados teen slasher, gênero que se popularizou pelos idos dos anos 1990 – ainda é capaz de conquistar como há duas décadas? Em minha opinião, a dinâmica funciona, sim. Além do mais, como a série é apenas baseada no original, não uma reprodução fidedigna, isso os obrigou a fazer adaptações e tomar algumas liberdades criativas. Elas funcionam. O produto agradou e Scream já foi renovada. (Resenha completa em breve)

Mr. Robot

Tem tudo para ser o hit da temporada. Um programador antissocial, que trabalha em uma empresa de segurança online, acredita que a única forma de se conectar com as pessoas é hackeando as suas vidas. Suas estranhas atividades chamam a atenção do misterioso Mr. Robot, que atua em uma organização ilegal e anárquica, cujo objetivo é destruir grandes corporações americanas. A narrativa é engenhosa, bem executada e instigante. Aguça a curiosidade do espectador que busca avidamente por respostas, quer saber como a história vai se desenvolver e desvendar seus mistérios. A questão principal a ser respondida é se tudo aquilo é mesmo real ou não passa de alucinação. Mr. Robot é, de longe, o melhor piloto visto neste período. (Resenha completa em breve)

Humans * 

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O piloto de Humans cumpre o que propõe. É competente, repleto de personagens interessantes, diálogos bem sacados e deixa o espectador curioso para saber como vai se desenrolar a história. Contudo, não se trata de uma trama realmente original. O plot é similar ao que já vimos em filmes como A.I. – Inteligência Artificial; Eu, Robô; e o chatíssimo O Homem Bicentenário, porém, a construção do enredo e de sua própria mitologia não decepcionam. Retratando um presente no qual todos possuem um sintético (robôs com fisionomia humana e que tem por objetivo atuar como servos nas casas das pessoas), Humans, exibida pela AMC, acerta ao conciliar a abordagem da temática com dramas e conflitos familiares. Os personagens são todos desenvolvidos de maneira satisfatória, mesmo que partam de estereótipos comumente encontrados em tramas que focam em famílias suburbanas. Mas o fato de os dramas serem elaborados de forma a fazer frente à necessidade (ou não-necessidade) de robôs é um achado. Trama bem arquitetada, ótima construção de situações e capaz de gerar interessantes debates a respeito de como a tecnologia domina nossas vidas atualmente; da exploração no trabalho; bem como de outras questões intrínsecas ao  nosso cotidiano. (Resenha completa em breve)

Dark Matter *

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Uma das apostas do canal SyFy, narra a história de seis tripulantes de uma nave à deriva no espaço. A trama tem início quando eles despertam completamente sem memória, sem ideia de suas identidades e de como vieram parar a bordo de uma nave espacial. Ao final do piloto, vem a revelação contundente de quem eles são. É um clichê atrás do outro no que concerne a diálogos e personagens – completamente estereotipados. Não apresenta nenhum ineditismo e não se trata de uma proposta realmente tentadora desse período de férias da season. O estranho é que o piloto até envolve, mesmo sendo bastante fraco. É dessas produções ruins que a gente se pega assistindo, às vezes, e nem mesmo sabe o porquê.

Deutschland 83

A historiadora seriemaníaca que vos fala vai dar uma pincelada básica do que rolou em termos de história há sete décadas. A maior parte dos eventos históricos são sempre consequência de atos anteriores. Para os menores de 20 anos, é necessário saber que a Alemanha já foi dividida em duas.  Já imaginou dois times capazes de nos dar um 7×1 no Mundial? Pois é…  Tenso! Isso foi consequência da Segunda Guerra Mundial. Os ditos Aliados dividiram Berlim em quatro zonas de influência e, com o instalar da Guerra Fria (atos de tensão entre a União Soviética e os Estados Unidos), a primeira construiu um muro que dividia Berlim em duas. Na verdade, dividiu o mundo em dois. Historiadores afirmam que essa foi uma das maiores derrotas de John F. Kennedy. Pulamos para 1983, Ronald Reagan é, então, o presidente dos Estados Unidos e a Guerra Fria atinge um patamar gravíssimo. É nesse ponto que tem início a trama de Deutschland 83, com uma Alemanha atrasada e oriental tentando espionar uma Alemanha rica a ocidental e, para isso, usa uma das principais armas das ditaduras, isto é, a manipulação, trazendo um rapaz contra a sua vontade para aquele mundo que ele desconhece. Martin Rauch se torna um espião infiltrado na Alemanha Ocidental. Para os membros do audaz século XXI, é difícil imaginar um mundo onde não se conhece café solúvel ou disquetes (alguém aí ainda sabe o que é um disquete?), em que se vibre pela descoberta de um walkman e outras coisas inimagináveis pra ele. Quem sairá vitorioso? O atraso causado pela intransigência dos construtores do muro? Ou os ocidentais que se acham os donos da razão e que veem os do outro lado como insetos que devem ser esmagados? A série e um produto do SundanceTV e, ao contrário do que, de praxe, vemos por aqui em telenovelas de Glória Perez (onde o mundo inteiro fala português), a série é falada em alemão. E vale muito a pena.

Ah! Antes que eu esqueça escapou do meu crivo, além das comédias: Dark Matter, Humans (devidamente comentadas pela Andrizy) e Killjoys. Obrigada, Senhor, por esse pequeno milagre!

Gaby Matos
Colaborou: Andrizy Bento

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2 opiniões sobre “Habemus Pilotos: Novas Séries”

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