Empire

Empire
O “imperador” com sua família

Uma coisa clássica na dramaturgia é a repetição. Da repetição nasce uma figura muito comum: o clichê. Eu, particularmente, não tenho problemas com eles, basta que sejam bem executados. Uma das derivações possíveis de um clichê são as tramas ou cenas inspiradas em alguma história de conhecimento público – aquelas que já são parte do imaginário popular.

Já fui espectadora de altos embates em redes sociais (leia-se: twitter) onde a revolta domina quando um autor de novela ousa se inspirar em alguma cena já vista em filmes ou séries estrangeiras.

Com essa ideia na cabeça, o que você acharia se uma série americana que tem tudo para ser o hit da temporada (números de audiência pra isso, tem) tivesse como plot principal toda a história da novela das nove da Rede Globo de televisão, cujo capítulo final foi exibido na última sexta-feira, 13? Queria entender por qual motivo não vi o mesmo barulho nas redes sociais…

Em Empire (sim, ela se chama Empire, custo a acreditar nisso). Nós temos um imperador do ramo musical, dono de uma gravadora. Lucious Lyon, vivido por Terrence Howard, é um ex-traficante de drogas que ficou rico por seus próprios méritos, destruindo quem aparecesse no caminho para atrapalhar seus ideias de prosperidade. O drama se concentra no universo do hip-hop e é produzida por Lee Daniels (diretor do filme Preciosa) e Danny Strong.

Se no Brasil o arquétipo da pessoa simples e humilde que vence na vida é representado pela figura do nordestino, lá nos Estados Unidos o imperador é negro, também tem três filhos (igual ao nosso) e, óbvio, tem um filho preferido e uma esposa que é sua imperatriz. Ah, antes que eu me esqueça, o imperador americano também namora uma menina bem mais jovem do que ele.

Existem diferenças. Sutis, mas existem. O imperador americano trabalha com música; ele vai morrer de ELA (a doença que ficou famosa devido ao desafio do gelo), bem diferente do nosso comendador; e a série da Fox tem uma pegada dramática, mas não de dramalhão como o produto global.

Longe de mim desmerecer o produto americano. A série é bem construída e tem ótimos ganchos. Mas eu queria ter visto a mesma gritaria dos fãs com os americanos que nos copiaram descaradamente.

Gaby Matos

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