[Especial] X-Men – Parte 3 – X-Men: Primeira Classe

Admito que eu fui uma das que torceu o nariz para este filme da franquia X-Men. Eu vinha acompanhando as notícias e novidades acerca da produção desde que esta não passava de uma ideia que circulava pelos estúdios da Fox. Lembro ainda de Lauren Shuler Donner, produtora dos três primeiros filmes da série, dizendo numa entrevista que First Class poderia seguir uma linha Harry Potter (sic).

Qual não foi minha decepção quando anunciaram que a Primeira Classe do filme não seria a Primeira Classe que eu conhecia? Aquela de 1963, criada por Stan Lee e Jack Kirby e que eu pude conferir anos mais tarde nas páginas das edições X-Men Classics e Biblioteca Histórica Marvel, formada por Ciclope, Jean Grey, Fera, Anjo e Homem de Gelo?

Era difícil, para mim, imaginar a origem dos X-Men sendo contada sem Ciclope, que foi o primeiro X-Men. Outra notícia que me incomodou foi a de que Alex Summers, o Destrutor faria parte do filme. Primeiro porque eu nunca gostei muito do Destrutor. Segundo que, pra mim, não fazia o menor sentido a primeira classe contar com o irmão de Ciclope e não com o próprio Ciclope.

O meu medo não era nem o fato de não seguir a cronologia dos filmes anteriores. Normal querer recontar a história dos X-Men desde sua origem independente dos filmes de Singer e Ratner, lançados entre 2000 e 2006. O que me incomodava era que First Class traísse os conceitos e características do original, das HQs, deturpando toda a história e ferindo consideravelmente a cronologia mutante com a qual estamos familiarizados. Juro que não se trata de purismo… Mas quando as modificações são excessivas, aí já é outra história.

Assim que as primeiras fotos do set de filmagens foram parar na internet, desisti de acompanhar toda e qualquer notícia a respeito do filme. Me assustei com os uniformes coloridos… Talvez seja porque me acostumei com a estética e sobriedade de Bryan Singer, com os uniformes de couro pretos (que também me assustaram em um primeiro momento). Ou talvez porque eu fiquei pensando no quão kitsch poderia ser o filme. Ou ainda porque, admito, sou uma fã ferrenha de X-Men e já havia ficado tão desapontada com o que eu tinha lido sobre a produção que decidi implicar com isso também.

Comecei a escapar dos spoilers, das fotos, stills, do tal script vazado, dos clipes… Então vi o primeiro trailer oficial do filme. Não me convenceu. Vi um spot com a Mística e o Xavier e comecei a simpatizar. Vi o segundo trailer oficial e tive que confessar que talvez tenha sido injusta e equivocada nos meus julgamentos. Pensei: “Esse filme está a ponto de me surpreender”.

Enquanto críticos e fãs, gente que não entendia bulhufas e outros versados no universo mutante, teciam elogios, eu, ainda assim, fui para o cinema pronta para reclamar de algumas coisas e fazer vista grossa. Já admiti que sou fã ferrenha, não é? Às vezes até inconscientemente.

E não é que tive que dar o braço a torcer? Eu juro que achei que iria ver um filme divertido e visualmente interessante como Thor. Mas foi mais do que isso.

Essencialmente, X-Men: Primeira Classe foca no início da complexa relação entre Professor Xavier e Erik Lehnsherr (o Magneto) que, mais tarde, irão se tornar rivais, devido a um conflito ideológico. Ambos ótimos em seus papéis, embora Michael Fassbender roube a cena, dando vida e profundidade a um Erik rancoroso e revoltado que sofreu na juventude, tendo sido levado ainda pequeno a um campo de concentração pelos nazistas e visto sua família ser executada devido à sua origem judaica. A história de vida do personagem faz com que o espectador compreenda seus impulsos violentos e  tirania, mesmo que não os justifiquem.

Charles Xavier, a antítese de Magneto, surge em seu caminho como um amigo disposto a refrear sua raiva, mostrar que o ódio não é a melhor saída, tentando fazê-lo crer na coexistência entre as duas raças, humanos e mutantes.

Outra que compõe um personagem memorável é Jennifer Lawrence na pele da transmorfa Mística, transmitindo ao público toda a insegurança que sente em relação à sua mutação genética e a consequente dificuldade em se aceitar como é.

Xavier e Lehnsherr, trabalhando lado a lado, recrutam outros mutantes para formar uma extraordinária equipe. Personagens desconhecidos do público que não acompanha as HQs surgem na tela como Banshee, Destrutor e Angel (no filme seguinte, entendemos o propósito disso). Durante essa busca de Erik e Charles, Wolverine dá as caras numa rápida e divertida cena.

Esta é a melhor qualidade do longa: a construção e desenvolvimento de personagens. Mas há outros méritos a se ressaltar.

O trabalho do diretor Matthew Vaughn não se limita a ser apenas competente, surpreendendo em vários momentos. O cineasta conduz a narrativa com bastante destreza, equilibrando bem momentos mais dramáticos e densos com cenas de ação e humor.

Felizmente a temática do preconceito é, mais uma vez, bem trabalhada. Esse aspecto do roteiro jamais é negligenciado, e também não cai no discurso panfletário. O filme tem uma mensagem a passar, mas o faz com bastante naturalidade e inteligência, sem nunca deixar de lado o senso de diversão. O roteiro é feliz ao aliar a atmosfera de filme de ação a um contexto histórico bem definido.

Os uniformes são funcionais, sim – ao contrário do que eu pensei a princípio. O estilo retrô da direção de arte, cenografia e figurinos evoca um clima sessentista preciso e até elegante, remetendo ao cartunesco em certos momentos.

Os diálogos representam um dos pontos fracos do filme, soando um pouco over em algumas sequências, com frases de efeito que poderiam muito bem ser limadas. A cena em que os X-Men escolhem seus codinomes é tola e até forçada. Também não há nenhuma cena realmente grandiosa (uma carência que já se tornou constante nos filmes dos X-Men), mas isso não prejudica o conjunto.

Não é o X-Men dos meus sonhos, tanto que não derramei uma lágrima ao final da projeção. E isso é muito significativo. Ainda gosto mais de X-Men 2 e, agora, de Dias de um Futuro Esquecido. Contudo, Primeira Classe trata-se de um digno recomeço (ou seja lá como chamam) para a franquia mutante.

Como foi bom ver que eu estava errada. Mudar de opinião é uma atitude sábia quando se reconhece o erro e a injustiça que cometemos 😉

Adendo 1: Apenas bem mais tarde – leia:se: quando eu já havia assistido ao filme – que me dei conta que a proposta era manter os acontecimentos e a cronologia estabelecida nos primeiros filmes. Portanto, Ciclope e Jean Grey jamais poderiam fazer parte da equipe dos anos 60. Se a ideia era conectar a trilogia aos novos filmes, não faria sentido, uma vez que eles ainda eram bem jovens em um futuro não muito distante.

Adendo 2: X-Men: Primeira Classe contou, infelizmente, com uma das piores campanhas de divulgação. A Fox é aquele estúdio que quando não faz bobagem na entrada, faz na saída. Nesse caso, foi na entrada. Menos mal.

Andrizy Bento

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