[Especial] Teledramaturgia – Parte 1: Novelas Favoritas

Telenovelas, folhetins, soap opera, dramalhões, teledramaturgia.

O público conhece mesmo como novela.

Algo que gera uma confusão quando o assunto é literatura. Semelhante ao que ocorre quando falamos a respeito do gênero romance.

Na literatura, novela é um romance curto.

Romance, por sua vez, é uma narrativa de ficção composta de vários capítulos.

O que os difere, portanto, é a extensão.

Partindo destes conceitos, O Outro Gume da Faca de Fernando Sabino é uma novela, bem como A Hora da Estrela de Clarice Lispector e Crônica de Uma Morte Anunciada de Gabriel García Márquez.

O Exorcista é um romance. Harry Potter é um romance. O Grande Mentecapto é um romance. Carrie, a Estranha é um romance.

Como gênero literário, romance não é sinônimo de história de amor. E novela não é sinônimo de folhetins televisivos.

Mas as terminologias geram uma confusão dos infernos. Assim é comum que, quando um professor de literatura peça para que os alunos leiam uma novela, eles apareçam na sala de aula com livros como A Escrava Isaura, Helena, A Moreninha, Gabriela Cravo e Canela, Senhora, entre outros. Isto porque todos foram adaptados para a telinha no formato de telenovela. Porém, tratam-se de romances.

Também é comum que o professor passe uma lista de romances para que os alunos leiam e, ao término da leitura, façam observações do tipo :“Li Dom Casmurro e Memórias Póstumas e não vi nada de romance ali…”. Isto porque tem enraizada a ideia de que romances compreendem histórias de amor.

Foram termos que se popularizaram e ganharam novas definições ao longo dos séculos. Afinal, telenovela é uma palavra muito grande. Por que não abreviar para “novela”?

Então vamos falar de novelas. Não o gênero literário. Refiro-me à teledramaturgia brasileira. O que os gringos chamam de soap opera.

Quem lê meus textos para os blogs e sites que escrevo, está cansado de saber que sou uma apaixonada por cinema e seriados. Tenho até mesmo um group de séries no facebook que atualmente conta com aproximadamente 850 membros.

Poucas pessoas sabem que eu também aprecio telenovelas.

Já faz algum tempo, no entanto, que não acompanho folhetins pela televisão. A mania de baixar séries com temporadas fechadas e completas e assistir a 13 episódios em apenas um fim de semana, me habituou mal. Atualmente eu não tenho mais paciência para acompanhar tramas seriadas pela TV. Esperar o próximo capítulo não é algo que me agrada. Tornei-me impaciente. Gosto de fazer tudo de uma vez. Estou sempre lendo milhares de livros, vendo dezenas de séries e isso torna praticamente impossível manter uma rotina em frente à telinha.

Eu também sou uma pessoa dada a obsessões transitórias. Só no começo deste ano, já tive umas nove diferentes.

Eu funciono mais ou menos assim: Numa semana eu decido reler todas as histórias clássicas do Batman. Noutra semana, já desapeguei de Batman e quero mesmo é assistir todos os episódios da série Cavaleiros do Zodíaco. Na semana seguinte, cansei de Cavaleiros. Quero mesmo é baixar toda a filmografia do Brian De Palma. Mais uma semana chega e agora estou mesmo é com vontade de assistir documentários e ler livros e artigos sobre emissoras de TV extintas. Quem sabe o que o próximo mês me reserva? Maratona de alguma série que ainda não vi? Um mergulho no universo dos Doramas? Rever alguma novela que marcou minha vida? Rever todos os filmes do Kubrick ou do Hitchcock? Ler Tintin compulsivamente? Procurar algum novo shoujo-ai para viciar?

Sim, eu gosto de shoujo-ai. Não me critiquem.

Então, se eu começo a nutrir uma obsessão por algo, é bom saciá-la de uma vez! Reservar alguns horários durante a semana para supri-la e saná-la, porque é bem provável que na outra semana, eu já tenha esquecido desta obsessão. Admito este meu lado superficial.

E é esse o meu problema com telenovelas. Eu posso até começar gostando da trama. Mas antes da metade, eu já enjoei de acompanhar e simplesmente largo mão. Às vezes não é nem por conta da qualidade do enredo, atuações ou direção. O problema é comigo mesmo. Eu canso, enjoo, abandono.

Outro motivo que contribuiu para meu distanciamento do gênero é o fato de entrar novela, sair novela e eu não ver mais os nomes e rostos de Raul Cortez, Rubens de Falco, dentre outros monstros sagrados, integrando as chamadas de elenco das novelas… Isto porque já partiram desta para uma outra.

Apesar de tudo que coloquei acima, algumas novelas marcaram a minha vida, portanto, abaixo decidi listar as minhas favoritas. Muitos clássicos não foram contemplados e vocês perceberão a ausência de títulos que fizeram história. Todavia, levem em conta que listas são essencialmente subjetivas e eu nasci em 1988, então não vi muitas das novelas épicas e que se tornaram praticamente sagradas e indispensáveis na maioria das listas. Outras, tive a oportunidade de acompanhar as reprises ou vê-las pela internet. Há também títulos discutíveis e que parecerão duvidosos para muita gente. São novelas que fazem parte de minha memória afetiva, que estão listadas apenas por me trazerem recordações de bons tempos, portanto, peço para que perdoem minhas idiossincrasias. Sem mais explicações, aí está!

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10) Xica da Silva
Walcyr Carrasco <sob o pseudônimo de Adamo Angel>
(Rede Manchete, 1996)

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9) O Rei do Gado
Benedito Ruy Barbosa
(Rede Globo, 1996)

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8) A Indomada
Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares
(Rede Globo, 1997)

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7) Vale Tudo
Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères
(Rede Globo, 1988)

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6) A Viagem
Ivani Ribeiro
(Rede Globo, 1994)

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5) Cabocla
Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Edilene Barbosa
(Rede Globo, 2004)

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4) A Próxima Vítima
Silvio de Abreu
(Rede Globo, 1995)

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3) Essas Mulheres
Marcílio Moraes e Rosane Lima
(Rede Record, 2005)

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2) Pantanal
Benedito Ruy Barbosa
(Rede Manchete, 1990)

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1) Roque Santeiro
Dias Gomes
(Rede Globo, 1985)

Este especial será dividido em, mais ou menos, quatro partes. Nos vemos no próximo post!

Até lá!

Andrizy Bento

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