Mid-Season Finale – Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. / The Tomorrow People

Duas das séries sci-fi da atualidade chegaram ao final de meio de temporada em dezembro. Isto é, entraram em hiatus e voltam agora, em janeiro, com mais alguns episódios para fechar de vez a primeira temporada. Como fã de séries, digo que não existe nada mais chato e desnecessário que o tal do mid-season finale.

Pois bem, as séries em questão são as decepcionantes Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (da ABC, que volta amanhã, dia 7) e The Tomorrow People (da CW, cujo retorno será no dia 12). Não vou dizer que foram extremamente decepcionantes porque elas possuem alguns trunfos. Mas, no geral, predomina a vontade de abandoná-las e dar reverte no orangotag.

Eu também não tinha nada que me aventurar a assistir uma série da CW, não é mesmo? Já que eu passo boa parte do meu tempo criticando os seriados do canal. Creio que foi castigo, mas acabei adicionando duas tramas da emissora na minha watchlist em 2013. Além da já mencionada, também estou vendo Reign. E embora tenha diversas incoerências históricas, tome algumas liberdades bastante questionáveis, como a Gaby bem apontou em seu texto sobre as primeiras impressões da série, ela é divertida e prende a atenção. Fora que o episódio 7 me conquistou por uma série de motivos. E um deles foi dar foco à força feminina numa época em que as mulheres eram extremamente oprimidas. Só o fato de a protagonista saber se defender sozinha e se livrar do vilão antes de o mocinho chegar para socorrê-la (o que eu achei que ia acontecer e já estava ficando desapontada por antecipação), fez meu respeito crescer pela série.

Mas o assunto em questão não é esse. Outro dia, quem sabe, eu falo mais sobre Reign. Vamos às minhas impressões das duas lamentáveis produções da fall season.

Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D: Procedural

Marvel: Agents of S.H.I.E.L.D.

A trama de Agents of S.H.I.E.L.D. se passa após a batalha em Nova York retratada no filme Os Vingadores – The Avengers (2012). O agente Phil Coulson (Clark Gregg) organiza um grupo de agentes para resolver casos pelo mundo que ainda não foram classificados pela organização global da qual é integrante, a Superintendência Humana para Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão.

O time de Coulson é formado pelo focado agente Grant Ward (Brett Dalton), um especialista em combate e espionagem; a agente Melinda May (Ming-Na Wen), uma piloto e perita em artes marciais; o agente Leo Fitz (Iain De Caestecker), um cientista brilhante, porém um pouco deslocado socialmente; e a sua parceira, a agente Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge). Eles serão auxiliados pela nova recruta civil Skye (Chloe Bennet), hacker de computadores integrante de uma misteriosa organização de ativistas digitais.

Procedural

Eis o maior problema de Agents of SHIELD. Eu já gostei muito de séries que seguem essa linha “o caso da semana”. Mas isso era na época em que eu acompanhava as séries semanalmente, como CSI: Las Vegas e Without a Trace. Mas compreendia perfeitamente quem fazia maratona e terminava por não gostar dessas e de outros produtos do gênero. Afinal, assistir de uma vez todos os episódios de uma temporada de uma série procedural faz saltar à vista o fato de ela ser repetitiva e, consequentemente, cansativa. Esse tipo de série funciona, desde que você assista um episódio por semana. Pelo menos no meu caso. Se eu faço maratona, a série só irá me prender se haver algo que conecte os episódios entre si e ao elemento central da narrativa, o que chamamos de fio condutor da trama. Do contrário, será uma overdose de fillers e bocejos a cada novo “caso” ou “monstro da vez”. Fringe, por exemplo, é uma série que se apoiou demais nessa estrutura procedural nas duas primeiras temporadas (ainda que contasse com casos bem interessantes). E melhorou consideravelmente na terceira temporada, cujos episódios se conectavam. Isso tornava difícil a indicação. Sempre que eu a recomendava, falava para o povo segurar as pontas durante as duas primeiras temporadas, porque a terceira valia muito a pena. O fato é que muitos não resistiram e abandonaram. Uma pena.

Série procedural deixa os telespectadores preguiçosos. Eles costumam, por conta disso, pular episódios, pois sabem que os personagens que protagonizam o “caso da semana” não vão ser desenvolvidos posteriormente mesmo, então são irrelevantes. Fora que isso denuncia a preguiça dos roteiristas também, e elimina um dos recursos mais legais e próprios de narrativas seriadas: o cliffhanger. Até mesmo a teenager Pretty Little Liars prende o espectador por saber desenvolver a trama em diversos episódios. Se a série se enrolou completamente, aí é outra coisa. Mas que ela soube criar bons arcos dramáticos em seus primeiros anos, isso é fato.

E quando ficou evidente que essa seria a estrutura de MAoS, a decepção foi imediata.

Funciona ou não?

Se não fosse o fato de ela carregar a poderosíssima marca Marvel no nome, provavelmente não passaria do piloto. MAoS tem cara de seriado que passa nas manhãs de domingo no SBT e ninguém assiste. A série tem falhas gritantes. Seu maior demérito está na construção de personagens, superficiais e estereotipados, o que torna difícil o público se importar ou sentir empatia por algum deles até mais ou menos o quarto episódio. O seriado também peca ao exagerar no tom engraçadinho, partindo para excessos cômicos, com piadinhas que surgem fora de hora e são totalmente desnecessárias. O mistério envolvendo o agente Coulson pode até causar curiosidade no espectador, mas o fato de ele estar vivo, torna uma das cenas mais tocantes do filme Os Vingadores uma farsa, uma mentira, uma coisa dispensável. Isso é uma pena. Saber que os fanboys tiveram de fazer esforço em disfarçar as lágrimas no cinema à toa. Outro problema está na incoerência devido aquele papo chato de direitos autorais. A palavra mutante não pode ser mencionada na série, uma vez que a Fox detém os direitos da franquia X-Men. Então, ouvir Coulson e Cia falando que telepatia não existe, não é comprovado cientificamente, pode até passar despercebido pelo público em geral, mas pelos nerds aficionados em quadrinhos de plantão, isso soa frustrante e incongruente. Em sua mídia de origem, e também nas séries animadas, sabemos do contato que a SHIELD tem com os X-Men (que, por sua vez, conta com vários telepatas no grupo).

Mas nem tudo é tempo perdido com esse seriado. O selo Joss Whedon de qualidade, pelo menos no que diz respeito ao visual, é inegável. Os efeitos são bastante competentes. Os episódios contam com um bom ritmo, combinando a ação com os dramas dos personagens (ainda que superficiais) e com referências (muitas vezes dispensáveis) aos quadrinhos, sem se prender ao universo das HQs . O piloto, devido as minhas baixas expectativas, até que me surpreendeu e divertiu. Apesar de procedural e do tom um tanto infantil de sessão da tarde, o ritmo frenético da narrativa consegue prender a atenção do espectador. Os demais episódios deixaram bastante a desejar, com casos aleatórios e um tanto quanto insignificantes, além de vilões caricatos. O quarto episódio recupera o fôlego inicial do piloto, com uma trama até interessante e menos piadinhas inúteis. Uma pena que, depois disso, o único episódio mais legal tenha sido o 1X10, justamente a mid-season finale.

Se ela sobreviver à primeira temporada, creio que corre o risco iminente de ser abandonada e retirada da watchlist.

The Tomorrow People: Clichê

The Tomorrow People

Stephen Jameson, até um ano atrás, era um adolescente normal, mas agora deve lidar com grandes transformações na sua relação com o mundo e com outras pessoas, enquanto ouve vozes, move coisas com a mente e começa a duvidar de sua sanidade. No entanto, tudo muda quando ele decide seguir uma das vozes em sua mente e termina descobrindo outras pessoas iguais a ele — com super-habilidades —, jovens que se intitulam “The Tomorrow People”, ou “Seres do Amanhã”. John, Cara e Russell fazem parte de uma raça de humanos de genética avançada com habilidades de se comunicar, de se transportar e de mover objetos apenas com o poder da mente. Logo Stephen descobre que seus pares estão sendo seguidos por um grupo de paramilitares cientistas conhecidos como “Ultra”. Liderado pelo Dr. Price, esse grupo acredita que as pessoas com superpoderes são uma ameaça real de uma espécie rival. Tudo se complica para Stephen, quando o líder da Ultra lhe oferece a chance de ter uma vida normal em troca de ajuda para erradicar os Tomorrow People, enquanto o grupo de jovens com superpoderes lhe oferece a chance de ter uma nova família em um mundo a que ele realmente pertence. Além disso, há muitos mistérios envolvendo o passado de Stephen a serem descobertos, incluindo a verdade sobre o desaparecimento de seu pai.

X-Men encontra Heroes, cruza com Alphas e vai parar no filme Jumper

Basicamente é isso. A série é um amontoado de clichês e praticamente uma salada dos citados. Até aí, tudo bem. Clichês, desde que bem escritos e desenvolvidos, podem ser legais. O problema é que alguns clichês aqui até que funcionam, mas, no geral, a série é bem genérica. A direção burocrática e nada inovadora, típica de Danny Cannon (como é possível perceber em CSI e Nikita), só torna tudo ainda mais desinteressante. Para completar, os efeitos especiais são catastróficos. O que é desastroso para uma série do gênero ficção científica. Entre as referências, também é possível identificar Matrix, principalmente ao se analisar como é empregado o efeito bullet time. Isto é, mais um clichê. Enfim, a estética da série segue a linha de outros produtos da CW. Pouco inspirada e pouco criativa. E inócua, na maior parte do tempo.

Protagonista sem carisma, desenvolvimento pobre de personagens, triângulo amoroso de novo, não!

Com um piloto munido de clichês, mas um ritmo agradável, com um pouco de boa vontade em dar o benefício da dúvida, tínhamos a impressão de que estávamos diante de uma série até divertida e, que se bem conduzida, teria potencial. Não tinha nada de novo. Seres sobrenaturais descobrindo seus poderes, treinando e praticando combate corpo a corpo. Os personagens, bastante óbvios. Seus dramas, também previsíveis. Fora que o protagonista consegue controlar seus poderes muito rápido, já de início. Mas o interessante era que ela não se levava muito a sério. Os diálogos alusivos, em um tom quase de autossátira, era um trunfo ao seu favor. Os personagens comentavam  sobre se autodenominarem Seres do Amanhã e Homo Superior, afirmando que não foram eles que escolheram os nomes, deixando clara a referência à série cult britânica dos anos 70 e 90 que levava o mesmo nome e na qual esta nova versão foi levemente inspirada; e aos X-Men, de quem roubaram… Bem, muita coisa. As lutas não eram bem coreografadas, mas pelo menos a forma como os personagens utilizavam seus dons não era gratuita. Contudo, as impressões simpáticas que o piloto deixou, foram dizimadas assim que o segundo episódio foi ao ar. O desespero por construir uma mitologia sólida com uma narrativa óbvia e pouco intrincada, soa como uma forçação de barra tremenda. E apresentar o background de cada um dos seres do amanhã em episódios individuais e seguidos um do outro, só evidencia o quanto os roteiristas são preguiçosos. Pra completar, a pegada meio Smallville (com o protagonista, inclusive, tentando reproduzir à exaustão os maneirismos e gestual do Superboy) é constrangedora. E maniqueísta é apelido. A forma como se delimita o lado dos heróis bonzinhos e dos vilões caricatos, é simplória demais. O único personagem que oferece um contraponto, John, é jogado pra escanteio na maior parte das vezes.

O cenário típico do adolescente em conflito, isolado no colégio, representado pela figura de Jameson é cansativo. Como era de se imaginar, ele tem um irmão mais novo que precisa de uma figura masculina mais velha na qual se espelhar; e a mãe preocupada com o que ela acredita ser uma doença mental que o filho possui (que, no entanto, se trata do descobrimento e desenvolvimento de seus poderes). Para protegê-los, ele trabalha para o inimigo. O voice-over, na introdução dos episódios, que explica tudo o que já cansamos de saber, deixa claro que os produtores não estão nem aí para o clichê.

Uma das coisas mais interessantes da série, é jogada pelo ralo. Explico: Os seres do amanhã não acreditam que são super heróis, apenas lutam pela sobrevivência de sua raça trazendo para o seu lado os que puderem “pegar”, antes que caiam nas mãos da Ultra para serem exterminados. Mas se a Ultra pega primeiro… bem, é perigoso demais para os seres do amanhã tentar resgatá-los, então eles deixam pra lá, afinal seria burrice tentar mexer com a super organização. Mas aí surge o personagem de Stephen que diz para os subterrâneos paranormais saírem da defensiva e partirem para o ataque, serem corajosos. O discurso manjado do herói. E então a coisa degringola.

O protagonista é totalmente sem carisma. Apesar das limitações na atuação de Luke Mitchell, que interpreta John, seu personagem é bem mais interessante, e o ator bem mais expressivo e carismático do que Robbie Amell, que vive Jameson na série. O que não tornaria o plot mais interessante, mas seria capaz de salvá-lo, seria o fato de John ser filho do vilão Jedikiah. Seria uma obviedade, mas pelo menos a relação entre eles seria mais verossímil. E sinceramente, entre uma porta que é o que o Amell é, e um John, se a Cara fosse esperta, ela escolheria o John. A ligação entre Cara e Jameson só existe mesmo para que o casal dê certo e não é bem explicada, nem contextualizada. Mais um triângulo amoroso dispensável da CW.

É boa ou não?

É cheia de incoerências e joga no lixo uma premissa que, se bem trabalhada, poderia ser bem legal. Mas o que se esperar de um sci-fi da CW? Vamos ver se sobrevive a mais uma temporada, levando-se em conta a maldição do cancelamento que tanto assombra séries pop de ficção científica e produtos da emissora.

Fonte sinopses

Andrizy Bento

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