Trilha Sonora: A música do episódio – The Walking Dead

Sou viciada em séries. Assisto várias ao mesmo tempo e acabo desatualizada na maioria delas. Agora, por exemplo, estou com tantos episódios para assistir que, para conseguir dar conta disso tudo, teria de abrir mão de meus afazeres diários e outros hobbies. O que não vai acontecer, então continuarei atrasada nas séries que normalmente assisto.

Atualmente, no meu perfil do Orangotag (uma rede social para marcar seriados que assistimos e episódios já vistos, de forma que tenhamos um controle e possamos acompanhá-los sem correr o risco de nos perdermos pelo caminho), conto com 25 séries na minha watchlist, mas estou em dia com apenas 10 delas. De algumas vi vários episódios, mas acabei deixando-as de lado por um tempo (leia-se: para me dedicar a outras séries) com a promessa de voltar a vê-las em breve (Ally McBeal, Merlin, The Following). Outras vi apenas o piloto, mas logo pretendo me atualizar (The NewsroomMy Mad Fat Diary). Há algumas que realmente abandonei por não gostar do rumo que elas tomaram (Skins, Misfits, CSI:. Las Vegas). Há aquelas que nem sei por que cargas d’água comecei a ver, mas já abandonei (American Horror Story, Nikita). Tem as minisséries que já fechei os episódios, mas volta e meia torno a assistí-las (Pride & Prejudice, Emma, North & South, Titanic). E mantenho a promessa de assistir algumas que ainda não integram a minha watchlist (Life on Mars, Sons of Anarchy, Entourage, Six Feet Under). Sem falar naquela, cuja qual eu ainda não assisti a última temporada apenas porque não quero dizer adeus tão cedo (Fringe).

Algumas considero prioridade me manter atualizada. É o caso de Doctor Who, Downton Abbey, Girls, Game of Thrones e The Walking Dead.

A última é a que merece destaque nesse post. Muito já se falou sobre The Walking Dead por aí. Tanto defensores quanto detratores e aqueles que mantém um eterno caso de amor e ódio com TWD, já teceram suas opiniões acerca de um dos seriados de maior audiência da TV americana. A série tem uma primeira e segunda temporada viciantes. Uma pena que a terceira tenha contado com tantos fillers e a quarta esteja sendo tão morna.

A preguiça dos roteiristas em trabalhar com diferentes núcleos e arcos dramáticos em um mesmo episódio (optando por focar em determinado personagem e situação e esquecer completamente dos outros, o que é uma solução simplista) tem sido bastante evidenciada nessas duas últimas temporadas. O que é sua grande fraqueza e conta pontos contra a série, resultando em episódios mornos, com ritmo arrastado e pouco memoráveis, a não ser por uma sequência ou outra. Mas para evitar mais críticas, não vou discorrer muito sobre o andamento da trama ou evolução dos personagens (poucos evoluíram efetivamente da primeira temporada pra cá). Que fique claro que gosto muito da série e ainda tenho esperanças desta temporada arrancar e nos proporcionar episódios densos e brilhantes, com cliffhangers que nos deixem realmente ansiosos pelos próximos.

Mas se tem algo que merece aplausos e elogios nesta quarta temporada, sem dúvida, é a trilha sonora. As músicas dos episódios 5 e 6 além de fantásticas por si só, foram certeiras e condizentes com a narrativa.

A música do quinto episódio foi o tema de Hershel Greene, embalando duas cenas do personagem. A canção é do jovem músico Ben Howard e se chama Oats in the Water. Não encarem meu comentário como demonstração de misoneísmo, mas a música é tão boa que parece ser antiga. E o inglês Ben Howard tem uma voz e uma presença tão marcantes que ninguém diz que é assim tão jovem (ele tem apenas 26 anos). Eu não ouço muito música nova. Tudo o que eu costumo ouvir é dos anos 90 para trás. Mas realmente me interessei em procurar saber mais a respeito de Howard depois de me deparar com Oats in the Water em The Walking Dead. Um indie folk delicioso de se ouvir, com uma letra que casa perfeitamente com o enredo da série.

Hershel é um personagem que tem muito a oferecer, racional e generoso e, assim como os demais, ele tem seguido por uma estrada cujo destino é incerto. E está preparado para enfrentar a dor e a perda com mais parcimônia, talvez, do que qualquer outro personagem. Ele está sempre ciente das consequências a que estão sujeitos. Funciona como o equilíbrio e o juízo que muitas vezes falta ao restante do grupo. O clima de melancolia da música é perfeitamente adequado, exatamente por nos trazer a sensação de fuga, de querer se distanciar, mas saber que não há mais para onde correr, de se conformar com o que virá pela frente e jamais deixar de manter um tênue fio de esperança. Bela canção que ilustrou alguns belos momentos protagonizados por Hershel na série.

 

Já o 4X06 apresentou uma abertura maravilhosa embalada pela canção  The Last Pale Light in the West de Ben Nichols, que parecia prometer um episódio sensacional, mas ficou só na promessa mesmo. A música se inicia de forma sombria, para então assumir um caráter melódico, triste e até nostálgico, se confundindo com o próprio ritmo e enredo do episódio, cujo grande destaque é a jornada do Governador, o vilão da série, que aqui revela nuances que os espectadores desconheciam. De certa forma, alcançou alguma redenção, mostrando ser capaz de possuir ainda alguma humanidade, mesmo tendo aniquilado fria e cruelmente diversos civis que contestaram suas ações na temporada anterior.

O Governador aparece primeiramente em uma cena noturna, com o ar frio e calculista de sempre. Logo depois, ele vaga em tomadas diurnas pela estrada, dirigindo e em seguida caminhando solitário após ver Woodbury em chamas, mostrando uma fragilidade inesperada e buscando por ajuda de outros sobreviventes ao apocalipse zumbi. Temos então um personagem desconstruído e desmitificado diante dos nossos olhos. E a música do episódio não poderia ser mais apropriada, funcionando perfeitamente como background da derrota do Governador.

Resta saber se o personagem enlouqueceu ao assumir o poder de Woodbury e agora que não está mais no comando de nada, venha a se mostrar um ser humano provido de emoções e sentimentos; ou se ele continua o sujeito megalômano de antes, que agora deu uma trégua ao perceber que precisa da ajuda de outros para sobreviver. O mais interessante do episódio, certamente, foi mostrar a dualidade e fugir do maniqueísmo. Todos tem seu lado sombrio, basta não deixar que ele se apodere de você. Algo que já tinha sido mostrado de forma menos metafórica na figura de Carol, e alcançou uma simbologia inteligente neste sexto episódio da série, beneficiando-se da melodia e da letra triste e bela da canção de Ben Nichols.

 

Andrizy Bento

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