Personal Demons – Lisa Desrochers

Esse livro se encontrava na minha estante não sei por que cargas d’água. Nunca tive o interesse de lê-lo realmente, mas algumas amigas e membros de groups de livros no facebook dos quais participo, me diziam para dar uma chance. Protelei. Até que finalmente me vi com algum tempo disponível para dar uma oportunidade para um livro que eu julguei mal desde a capa. E, apesar de muitas vezes concordar com o velho ditado, em relação a Personal Demons eu não poderia estar mais certa.

O destino deste livro é o sebo mais próximo. Espero trocá-lo por algum título mais interessante.

Mas vamos à resenha… Afinal, não dá para dizer que algo é simplesmente ruim sem ter argumentos que fundamentem a opinião.

Existe uma diferença entre livros bobos que se assumem bobos e livros bobos que parecem se levar a sério demais. Personal Demons (que no Brasil recebeu o título de Amor Infernal) se encaixa, infelizmente, na segunda categoria. A autora Lisa Desrochers tenta se aprofundar em um assunto controverso e bastante delicado – além de complexo – sem ter o devido conhecimento do assunto e, dessa forma, entregando ao leitor uma trama extremamente mal estruturada.

O maniqueísmo e o triângulo amoroso (clichês em livros do gênero) são mecanismos levados ao limite; abusando de metáforas simplistas e óbvias que evidenciem as representações do bem e do mal, do certo e do errado, resultando em uma forçação de barra tremenda. E é exatamente por isso que a coisa desanda, mais precisamente no momento em que a autora tenta levar o leitor a um momento de reflexão acerca de anjos, demônios, céu, inferno, escolhas, premonições e influência das massas.

Se o livro não tivesse essa pretensão de querer provocar um debate acerca de questões de ordem filosófica e religiosa, além de dúvidas existencialistas, e fosse apenas mais um romance de banca título YA Lit com temática sobrenatural, embarcando na brincadeira que a confusão da protagonista entre o demônio sedutor e o adorável anjo parece sugerir nos primeiros capítulos, estaria tudo bem. Mais um entretenimento escapista que não provoca nenhuma análise ou exige muito do leitor, nenhuma literatura edificante.

Mas esse desejo de querer se aprofundar em temas densos, com personagens tão razoavelmente construídos e uma linguagem que parece oriunda de fanfics ruins, acaba provocando o efeito contrário e a narrativa se torna superficial.

A autora aparentemente não tem nenhum domínio dos temas dos quais tenta tratar. E também não sabe para onde correr. Para mais uma fantasia adolescente com triângulo amoroso como mote, tendo uma mocinha assustada, indecisa, mas manipuladora como protagonista, e dezenas de doses de sexualidade implícita e explícita na história? Ou para as discussões profundas e controversas a respeito do ocultismo, da religião, daquilo que não podemos ver ou tocar, que está além de nossa percepção ou alcance, da existência de um mundo de seres divinos e demoníacos além do nosso?

Se Sussurro (Hush Hush; Becca Fitzpatrick) investiu em anjos e arcanjos numa narrativa assumidamente superficial e com a única intenção de divertir as adolescentes com o relacionamento confuso e regado a demonstrações de ciúmes da personagem principal com seu guardião angelical (com intenções nada angelicais), Personal Demons erra ao tentar dar mais profundidade e substância a um texto que não consegue se sustentar, com rivais que chegam a irritar com sua onipotência, pretendendo passar sem ser percebido como mais um livro de romance adolescente. E é o que ele é.

Não que eu esteja afirmando que Sussurro tenha um texto mais substancial, uma trama mais consistente, que a história tenha mais conteúdo. Não. Apenas que Fitzpatrick assume descaradamente em cada linha de seu livro que se trata de mais um romance de banca moderninho com elementos sobrenaturais, uma leitura fácil. Ela não tenciona criar uma mitologia pretensiosa nem nada do gênero. O contrário acontece com Personal Demons, um livro pedante cuja maior ambição (e erro também) é querer ser uma grande história de suspense, terror, romance e com espaço para divagações espirituais. Vira apenas uma salada de temas mal trabalhados, esquecível e desnecessário.

Andrizy Bento

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