Viagem à TV Peruana

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Em uma viagem recente ao Peru, uma das coisas que eu tinha curiosidade em ver era a televisão peruana. Programação nacional, jornais locais, TV aberta, canais pagos… quando tinha um tempo livre, eu assistia alguma coisa. Algumas, bem interessantes.

Para começar, o país tem dois canais dedicados exclusivamente às telenovelas, que são dubladas: o Pasiones e o TLnovelas. Dos mais variados lugares, até do Japão. As brasileiras são destaque. Nos meus primeiros passos pela capital, Lima, saindo do aeroporto vi um cartaz anunciando “Índia: uma historia de amor”, nome peruano da novela Caminho das Índias. E acrescentava: “de misma autora de ‘El Clon”. Há muita novela mexicana também, mas ainda tem espaço para a produção nacional.

À meia noite, o canal Global transmitia CSI enquanto o Frecuencia Latina passava Cold Case, tudo dublado em espanhol. Os canais a cabo como Sony e Warner mantinham o mesmo padrão visual, com cores e propagandas parecidas. Aqui, tudo legendado. Era 1h da manhã quando coloquei no Canal de lãs Estrellas e me deparei com Chaves, que se torna muito esquisito de assistir em espanhol.

Na semana em que cheguei ao Brasil descobri que estava para estrear uma série chamada “Avenida Perú”, que, além do nome parecido com a novela Avenida Brasil, ainda tinha uma entrada com trilha sonora muito parecida. Peruanos definitivamente estão de olho no que fazemos!

Na parte da tarde, entre 16h e 18h, três canais abertos passavam programas de competição entre adolescentes ou jovens adultos, algo que me lembrou muito os antigos programas do Celso Portioli. Equipes de escolas ou universidades se enfrentavam em provas de teste físico e mental, “Esto es guerra” coloca homens contra mulheres. Anunciavam que se concorre a um grande prêmio, sem dizer o quê, como uma surpresa.

Às 20h, algo que seria um horário nobre no Brasil, o Frecuencia Latina (uma espécie de SBT) trazia a melhor surpresa da TV peruana: o programa “Yo Soy”. Aqui, concorrentes personificavam astros da música mundial e do Peru, precisando conquistar os jurados com voz e interpretação. Um dos favoritos era o imitador de Paul McCartney. Os desesperados, como o autointitulado Justin Bieber peruano, ganhavam risadas e saíam na primeira participação. Está na segunda temporada, mas já é sucesso entre os peruanos. O programa vai ao ar de segunda a sexta, por duas horas. No canto, ao lado da logo do canal, o aviso: “voz en vivo”.

Entre os telejornais, um de destaque é o “90 segundos”. Matérias de um minuto e meio sobre acontecimentos policiais sem o menor cuidado em preservar imagem de ninguém. Os câmeras entram nas cenas de crimes, filmam de cima a baixo e falam com quem querem. Notícias de suicídio, tabu no jornalismo brasileiro, aqui são corriqueiras, logo se misturam às outras, como ataques violentos de cachorros que se tornam pauta de discussão dos comentaristas matinais. Ainda assim, com closes em pessoas acidentadas e manchas de sangue, não há comentaristas exaltados, como a febre que virou no Brasil.

Muitos programas são parecidos com os nossos, mas com seus toques peruanos, com o jeito do povo. Para quem chega pensando em pontos turísticos, liga a TV e se depara com outra realidade, que deixa mais atenta aos passeios pelas ruas, às conversas alheias e às torcidas pelo Paul McCartney peruano. Eu entrei nessa torcida também.

Bruno Manenti

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