Oscar 2013 – Vencedores

Argo, de Ben Affleck, se consagrou como o grande vencedor da noite

Na 85ª edição do Oscar, Argo triunfou. Apresentado pelo controverso Seth Macfarlane, a cerimônia, realizada no Dolby Theatre, em Los Angeles, Califórnia, trouxe algumas surpresas e obviedades. O filme de Ben Affleck foi o grande vencedor da noite, levando o Oscar de Melhor Filme. Abaixo, você confere a lista de vencedores:

Melhor filme: Argo
Melhor ator: Daniel Day-Lewis – Lincoln
Melhor atriz: Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida
Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz – Django Livre
Melhor atriz coadjuvante: Anne Hathaway – Os Miseráveis
Melhor diretor: Ang Lee – As Aventuras de Pi
Melhor roteiro original: Quentin Tarantino – Django Livre
Melhor roteiro adaptado: Chris Terrio – Argo
Melhor filme em lingua estrangeira: Amor (Áustria)
Melhor longa animado: Valente
Melhor trilha sonora original: Mychael Danna – As Aventuras de Pi
Melhor canção original: “Skyfall”- 007 – Operação Skyfall
Melhores efeitos visuais: As Aventuras de Pi
Melhor maquiagem: Os Miseráveis
Melhor fotografia: As Aventuras de Pi
Melhor figurino: Anna Karenina
Melhor direção de arte: Lincoln
Melhor documentário: Searching for Sugar Man
Melhor documentário em curta-metragem: Inocente
Melhor montagem: Argo
Melhor curta: Curfew
Melhor curta animado: Paperman
Melhor edição de som: 007 – Operação Skyfall / A Hora Mais Escura
Melhor mixagem de som: Os Miseráveis

Andrizy Bento

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Previsões Oscar 2013 – Vencedores

US-ENTERTAINMENT-OSCAR-NOMINATIONS

Hoje finalmente saberemos quem serão os agraciados com as tão cobiçadas e celebradas estatuetas do Oscar. Por enquanto, aí vão as previsões do Bloggallerya nas principais categorias:

Melhor Filme: Argo
Possibilidade: Lincoln
Considerações: O único obstáculo entre Argo e o Oscar de Melhor Filme é fato de Ben Affleck não ter sido indicado como Diretor.

Melhor Diretor: Steven Spielberg (Lincoln)
Possibilidade: Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Considerações: Categoria difícil de se palpitar este ano. Algo raro de se acontecer, inclusive. Mas a não-indicação de Affleck torna complicado apostar desta vez.  Eu acho que Ang Lee merece mais. Mas vamos ver logo mais à noite.

Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Possibilidade: Joaquin Phoenix (O Mestre)
Considerações: Hoje, muito provavelmente, Day-Lewis entrará para a história da premiação graças a uma terceira vitória nesta categoria. Não acho que Bradley Cooper e Hugh Jackman tenham alguma chance.

Melhor Atriz: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Possibilidade: Emmanuelle Riva (Amor)
Considerações: Essa categoria promete. Realmente não posso dizer que estou totalmente segura da minha aposta. Emmanuelle faz aniversário hoje… E é atriz mais velha a ser indicada ao Oscar… Ela venceu o Bafta. Jennifer venceu o SAG… Há uma vontade genuína da Academia de premiar o jovem, o moderno… Mas Academia também adora um tributo… Veremos.

Melhor Ator Coadjuvante: Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
Possibilidade: Tommy Lee Jones (Lincoln), Christoph Waltz (Django Livre)
Considerações: Complicadíssimo. Temos aqui uma categoria de vencedores. Todos eles já tem um Oscar no currículo. Eu fico, na verdade, mais entre De Niro e Jones… É provável que eu mude a minha aposta no decorrer do dia.

Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Possibilidade:
Considerações: O prêmio já é da Anne há muito tempo. Duvido que Sally Field represente alguma ameaça.

Roteiro Original: Django Livre
Possibilidade: Amor ou A Hora Mais Escura
Considerações: Amor não é um filme falado em língua inglesa. Já tem a sua estatueta de Filme Estrangeiro praticamente garantida. Isso depõe contra o belo filme de Haneke nesta categoria. A Academia também pode querer se redimir diante das injustiças cometidas com A Hora Mais Escura. Mas, por enquanto, aposto em Django. Tarantino vem colecionando indicações a Roteiro Original. Já foi nomeado por Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Roteiro Adaptado: Argo
Possibilidade: Lincoln
Considerações: Embate entre Argo e Lincoln novamente. Mas creio que Argo leva.

Melhor Animação: Detona Ralph
Possibilidade:
Considerações: Parece certo o Oscar para Detona Ralph. Não consigo ver outro vencendo nesta categoria

Melhor Filme Estrangeiro: Amor (Áustria)
Possibilidade: No (Chile)
Considerações: Na verdade, as chances de qualquer outro indicado tirar o Oscar de Amor, parecem impossíveis. Colocar No em possibilidade foi mais um tributo meu ao filme.

Por enquanto, é isso! Hoje conheceremos os vencedores e eles serão postados aqui logo após o término da cerimônia de entrega dos prêmios.

Até lá!

Andrizy Bento

Vencedores do Independent Spirit Awards 2013

O Lado Bom da Vida – O grande vencedor do Independent Spirit Awards 2013

No sábado, dia 23, em Los Angeles, foi realizada a cerimônia de entrega do Independent Spirit Awards 2013, que premia anualmente os melhores filmes independentes. O Lado Bom da Vida, de David O. Russell, se consagrou como o grande vencedor da noite, levando quatro dos cinco prêmios aos quais foi indicado. Confira abaixo a lista dos vencedores:

Melhor Filme: O Lado Bom da Vida
Melhor Ator John Hawkes (As Sessões)
Melhor Atriz Jennifer Lawrence  (O Lado Bom da Vida)
Melhor Diretor David O. Russell (O Lado Bom da Vida)
Melhor Documentário The Invisible War
Melhor Roteiro David O. Russell (O Lado Bom da Vida)
Melhor Ator Coadjuvante Matthew McConaughey (Magic Mike)
Melhor Atriz Coadjuvante Helen Hunt (As Sessões)
Melhor Primeiro Filme As Vantagens de Ser Invisível
Melhor Primeiro Roteiro Derek Connolly (Sem Segurança Nenhuma)
Melhor Documentário The Invisible War
Melhor Filme Estrangeiro Amor (Áustria)
Melhor Fotografia Ben Richardson por (Indomável Sonhadora)
Prémio Produtores Piaget Mynette Louie (Stones in the Sun)
Prémio Truer Than Fiction The Waiting Room (Peter Nicks)
Prémio Someone To Watch Adam Leon (Gimme The Loot)
Prémio John Cassavetes Middle of Nowhere
Andrizy Bento

Indicados a Melhor Filme – Oscar 2013

Amor ★★★★

Belo e trágico talvez seja a melhor forma de definir Amor, filme de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012. Contando com as atuações poderosas de Emmanuelle Riva (merecidamente indicada ao Oscar e premiada no Bafta) e Jean-Louis Trintignant, Amor talvez seja o filme, dentre os indicados, que mais impacte o espectador, ainda que se trate de uma trama simples e intimista. Georges e Anne são dois músicos cultos e aposentados, que partilham do bom gosto pela arte e seguem sua rotina sem grandes surpresas. Demonstrando em cada quadro do longa a intimidade, o respeito e o amor (sem muitas demonstrações de afeto, mas sim, o amor está lá) que sentem um pelo outro, a doença vem de forma inesperada se abater sobre o casal. Anne sofre um derrame e, gradativamente, vai padecendo. Aí é que o título do filme faz jus à narrativa que se desenrola na tela e ao próprio sentimento universal, e vemos todo o esforço de um marido dedicado ao cuidar de sua mulher até o inevitável fim.  A evolução da atriz em cena é assombrosa. Com uma câmera singela e elegante e longos planos estáticos, o diretor conduz a narrativa com sutileza, embora se trate de uma história contundente. Haneke abre mão da trilha sonora e aposta em momentos de silêncio (que, ironicamente, conseguem ser bastante prolixos), ao invés de injetar dramaticidade com temas musicais que apelariam facilmente para o emocional do público. O filme se passa quase inteiramente em apenas uma locação, o apartamento aonde vive o casal protagonista, e o cenário é bem explorado, além de adequado, uma vez que transfere ao espectador uma sensação claustrofóbica, de se fechar para o resto do mundo e de fim iminente. Amor é a epítome da deterioração do ser humano, mas nunca de suas relações e sentimentos, versa sobre a ironia da vida e coloca em pauta questões polêmicas; como, por exemplo, um ato cruel – que é o grande momento do filme – não pode e nem deve deixar de ser legitimado como um ato de amor. O longa de Haneke é lírico e cru. De extrema frieza em diversas passagens, mas, ainda assim, capaz de fazer aflorar as mais diversas emoções no espectador.

Argo ★★★

Baseado em fatos reais, Argo é um thriler político correto, mas que tem seus encantos. O mote do longa é uma operação de resgate de diplomatas americanos no Teerã, durante o que ficou conhecida como Crise de Reféns no Irã. O agente secreto, Tony Mendez, é o responsável pela elaboração de um plano tão brilhante quanto absurdo para resgatá-los: a produção de um filme falso com tudo a que se tem direito. Desde o roteiro com uma proposta sci-fi, claramente inspirado em Star Wars, até coletiva de imprensa. A audácia do agente acaba por convencer a CIA e eles começam a operação. O tom de crítica a Hollywood, é público e notório. Mas o fascínio que a indústria exerce sobre ator/diretor Ben Affleck também. Dessa forma, nem a magia do cinema e nem o fake da indústria é descartado do roteiro. A trama toda é muito bem arquitetada. Tanto o minucioso desenvolvimento do ousado plano, quanto a alta carga de tensão na segunda metade do filme, capturam a atenção do espectador que se vê rapidamente envolvido com a história. Apesar de dirigir com mão segura e mostrar maturidade como cineasta, ainda não se pode dizer que Affleck tem um estilo. O filme passa longe de ser burocrático, mas também não é correto chamá-lo de cinema de autor. Ele opta por soluções cinematográficas eficientes na hora de desenvolver a trama na tela. A câmera ágil e detalhista, diálogos afiados, trilha sonora retrô, tomadas eficientes e direção de fotografia que explora bem as locações, contribuindo para o sucesso artístico do filme. A sequência final, que mostra bonecos dos personagens de Star Wars e Star Trek no quarto do filho do protagonista, é um achado. Argo tem sido apontado como o grande favorito a vencedor da estatueta de Melhor Filme deste ano. Até agora, ele faturou vários prêmios importantes como o Globo de Ouro, SAG e Bafta. Uma pena não ter sido indicado a Melhor Diretor, dado os méritos de Affleck na função. Vamos ver se o Oscar subverte suas regras e premia um filme que não concorre nesta categoria.

As Aventuras de Pi ★★★★

Ang Lee é um diretor raro. Além de um exímio contador de histórias, é um mestre na hora de criar visuais soberbos. Seus filmes não são outra coisa que não espetáculos cinematográficos. E o cineasta só vem evoluindo ao longo de seus últimos filmes. As Aventuras de Pi narra a história do indiano Piscine Patel (Sim, Piscina), o único sobrevivente ao naufrágio de um navio que transportava sua família e os animais do zoológico de seu pai para o Canadá, para onde partiram em busca de uma nova vida. O que seria apenas a luta pela sobrevivência de um garoto em um bote salva-vidas, se torna uma aventura repleta de elementos fantásticos, com direito a um tigre de bengala com quem Pi deve tentar manter um relacionamento amistoso se quiser sobreviver. Não é fácil, mas com muita persistência e perspicácia, o garoto consegue e, logo, o tigre se torna seu “temido amigo”, com quem ele encara o desafio de resistir em alto-mar, encarar tempestades oceânicas e uma ilha carnívora. A fotografia é esplendorosa. O que testemunhamos na tela é uma aventura exuberante. Mais do que isso, As Aventuras de Pi narra uma jornada de fé, esperança, coragem e companheirismo. A moral da história no final, pode fazer com que a narrativa empalideça um pouco. Mas até lá, o diretor já conseguiu nos conquistar com a aventura do garoto indiano e seu tigre perdidos no meio do oceano. Com um trama repleta de metáforas e contada com extrema sensibilidade, temos mais uma vez a constatação de que Ang Lee faz cinema como poucos.

Django Livre ★★★★★

Django Livre é uma história de amor e de vingança. Mas é um filme de Quentin Tarantino, portanto, ainda que parta de premissas simples, o cineasta jamais trilha caminhos óbvios. Tarantino continua fiel às suas obsessões. Homenageando, reinventando e subvertendo gêneros. Dessa vez, ele conta a história de Django, um escravo em busca da liberdade da amada, que tem a sorte de encontrar em seu caminho um perspicaz e audacioso caçador de recompensas que quer a sua ajuda para mais um de seus serviços. Tarantino não abre mão de seu estilo e dos elementos que o consagraram como cineasta. Mas desta vez, é mais contido, e apresenta uma maturidade e evolução inquestionáveis como diretor. As referências pop obscuras estão lá, bem como doses cavalares de violência, mas em menor número do que em seus filmes anteriores. Os excessos ficam por conta dos diálogos repletos de palavras de baixo calão e algumas sequências catárticas no clímax do filme. A narrativa é mais linear, sem muitos flashbacks e quebras cronológicas. A trilha sonora, como sempre, é um espetáculo à parte. Vai do blues e do folk até o hip-hop contemporâneo. Com uma gama de personagens bem construídos e um excelente desempenho de todo o elenco, pode-se dizer que este é o trabalho mais sóbrio e maduro do diretor. Tarantino é mais do que bem-sucedido em sua ode ao western spaghetti.

A Hora Mais Escura ★★★

Correto e ambicioso, A Hora Mais Escura é provavelmente o filme que mais desperta emoções controversas no espectador. Na caçada ao inimigo número 1 dos Estados Unidos, Osama Bin Laden, como podemos delinear o lado dos mocinhos e vilões? De fato, não podemos. A vida não é maniqueísta como tantos filmes hollywoodianos insistem em apregoar. E Kathryn Bigelow é uma cineasta suficientemente inteligente para perceber isso e não se deixar levar pela fórmula do heroísmo que tanto ronda outras tramas com temática de guerra desde os primórdios do cinema americano. Em nenhum momento, ela defende ou exalta a América. Ela está mais preocupada em contar uma história, em esclarecer o episódio da caçada de Bin Laden, não se esquivando de apresentar, em um tom que por vezes soa documental, os eventos que levaram até a morte do terrorista por um soldado americano depois das conclusões certeiras de Maya (Jessica Chastain) acerca de seu paradeiro. A atuação de Chastain é excelente. Está na evolução de sua personagem, um dos maiores méritos do filme. Denso, violento, impactante, Bigelow conduz a trama com mão segura, com ritmo apropriado, dando uma veia realista ao seu filme, mas não deixando de compor uma obra cinematográfica técnica e esteticamente primorosa, especialmente no que diz respeito à construção de imagens e ao cuidadoso jogo de luz e sombras. As tão comentadas cenas de tortura no início do longa, apesar de filmadas de maneira crua, não chegam a chocar. Bigelow não as justifica em nenhum momento. Há um objetivo na execução delas, mas o longa jamais se presta a fazer juízo de valor. É simplista dizer que A Hora Mais Escura é, como muito se alardeou, mais um retrato da vitória dos heróis americanos. É mais um retrato de um momento de impacto da história contemporânea. Um episódio que gerou comoção e despertou a curiosidade de tantos. Na tela, conferimos o desenvolvimento da operação, sem grandes exaltações à bandeira americana.

Indomável Sonhadora ★★★

As agruras de uma vida miserável e um mundo selvagem através do olhar inocente de uma criança. Indomável Sonhadora, longa de estreia de Benh Zeitlin, que obteve merecido destaque e foi premiado em Sundance e Cannes, explora a relação de uma garotinha com o seu pai, que vivem na Banheira, uma ilha isolada e fictícia, situada numa região pantanosa de Lousiana, que acaba inundada após uma tempestade. Toda a comunidade precisa se virar e lidar com as consequências desse evento trágico, mas o peso maior está sobre os ombros da pequena e adorável Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) que, além de tudo, ainda vê seu pai, a única família que possui, ficar gravemente doente. A garotinha, indicada ao Oscar de Atriz com apenas nove anos de idade, exibe uma força impressionante como protagonista. A performance dela é marcante e, provavelmente, definirá sua carreira durante muito tempo. Com um enredo muito simples, melancólico e honesto, Indomável Sonhadora é bem-sucedido em mesclar elementos de realidade e fantasia. A câmera de mão, inquieta e trepidante, imprimem realismo à trama e contribuem para trazer ao longa um tom praticamente documental. Outras cenas têm como alicerce a imaginação prodigiosa da garotinha que dão um tom mágico ao filme. É nesse preciso equilíbrio entre o realismo e o fantástico, o drama de cunho social e a fábula, que reside a força e o encanto do longa. Se beneficiando de boas tomadas e excelente uso das locações, Zeitlin presenteia o espectador com um filme claro e direto, genuíno, sem grandes pretensões. Uma obra que mostra que mesmo diante dos maiores obstáculos e desafios da realidade, crianças são crianças, e não devem deixar de sonhar e idealizar um mundo diferente daquele em que se vive. Isso sem precisar recorrer a fórmulas maniqueístas e ao melodrama. Em suma, um belo filme.

O Lado Bom da Vida ★★★★

Apaixonante. Talvez seja a melhor forma de descrever O Lado Bom da Vida. Mas não apaixonante como uma comédia romântica. Digamos que possa ser considerado um sopro de vida dentro do gênero – hoje tão famigerado. Há tempos que eu não via uma história de amor interessante, intensa e honesta como essa no cinema atual. Chamado por aí de dramédia-romântica, essa classificação até que lhe cai bem. O Lado Bom da Vida do esforçado David O. Russell conta com um roteiro bem costurado, ótimas sacadas e se beneficia das presenças inspiradas e química arrebatadora do duo principal, composto por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper. O roteiro acerta na composição de personagens disfuncionais que dão o tom exato ao filme e no desenvolvimento de um plot simples, mas atraente e interessante. Recheado de diálogos espertos e afiados, o longa procura fugir de saídas e soluções óbvias, e é bem-sucedido nesse quesito. Mesmo que a gente já saiba de antemão como a história vai terminar, acompanhar o desenrolar da trama é uma delícia. O filme também me ganhou pela trilha que vai de Stevie Wonder a White Stripes, passando por Bob Dylan. Aliás, a música é muito bem utilizada nesse filme – o fato de a canção-tema do casamento do protagonista ser também trilha sonora da traição e depois o estopim para suas explosões emocionais, é um achado. E a trilha incidental de Danny Elfman dispensa comentários, precisa e marcante. Lawrence mostra sua força como protagonista numa performance segura e extrai risadas do espectador com um timing cômico certeiro, como no momento em que revela suas experiências sexuais pós-trauma pela morte do marido. E falando em cenas inspiradas, toda a sequencia em que os personagens combinam uma aposta que envolve um jogo de futebol americano e um campeonato de dança é muito boa. Todos estão bem em cena, como Jacki Weaver, uma ótima surpresa, e Robert De Niro que há muito nos devia um desempenho interessante em um filme decente. Pode não ter nada de inovador, ser um dos azarões na categoria principal do Oscar, pode nem mesmo ser considerado um filme de Oscar, mas é fato que temos aqui um bom exemplar de comédia romântica atual. Ou dramédia-romântica, seja lá como chamem.

Lincoln ★★★

Steven Spielberg é sempre bom. Quando se propõe a fazer ficção. Contudo, quando se atreve a ser político e engajado demais, a coisa, não raramente, degringola. Embora mantenha seus méritos como diretor, a mensagem e a proposta de seu filme pecam. Não tanto pelo patriotismo exacerbado (de certa forma, até compreensível), mas por romancear demais a narrativa, enchê-la de floreios e de um tom melodramático dispensável. Felizmente, Lincoln escapa desse ufanismo e romantismo excessivo. Com um belo trabalho de reconstituição da época e amparado por um excelente elenco, o cineasta optou por retratar um dos momentos mais importantes e decisivos da história dos Estados Unidos (a aprovação Décima Terceira emenda, cujo objetivo era abolir a escravatura) e, dessa forma, ao invés de uma cinebiografia tradicional, o longa contempla os quatro últimos meses de vida de Lincoln, um recorte apropriado da história do mais emblemático dos presidentes da Terra do Tio Sam e do próprio país. O estilo autoral de direção de Spielberg não passa despercebido. O rigor na composição dos quadros, a fotografia bem trabalhada que corrobora o contexto histórico no qual a ação se desenvolve, a maquiagem e a ótima caracterização de Daniel Day-Lewis são dignos de nota. Excelente em aspectos técnicos, a trama enfadonha aqui e ali, é até enxuta, abandonando os contornos épicos – presentes em demasia em outros trabalhos do diretor – em favor de uma narrativa mais intimista que apresenta algumas falhas históricas. Não há muito de memorável nesse longa. Mas facilmente leva o Oscar por retratar de maneira contemplativa e reverencial o icônico presidente. O longa acerta em humanizar Lincoln – ao mostrar momentos do presidente com sua família, por exemplo – mas enaltece sua figura em vários momentos com um tom deveras solene demais que chega a ser incômodo. Talvez o aspecto que torne o filme relevante no presente contexto, sejam as discussões sobre igualdade que fazem alguma referência a questões mais atuais (como o casamento homossexual). Poderia ser um filme pertinente, mas é exaltado e um tanto quanto pretensioso em suas intenções, Lincoln é bastante coeso, mas também muito verborrágico.

Os Miseráveis ★★

Assassinar uma obra tão imponente como Os Miseráveis é uma tarefa árdua mesmo para Tom Hooper que ainda não aprendeu a filmar direito. E só por isso, esse filme não consegue ser uma perda de tempo total. Mas toda a grandiosidade de um drama tão belo presente nas páginas do livro do francês Victor Hugo, se perde na transposição para as telonas. Na verdade, o longa de Hooper se aproxima mais da versão dos palcos e não consegue se desvincular do tom teatral. Outro ponto que depõe contra Os Miseráveis é o fato de ser inteiramente musical. Não é todo mundo que aprecia o gênero, mas mesmo quem gosta tende a se decepcionar com o filme, visto que todos os diálogos, com algumas poucas exceções, são musicados. O que o torna um tanto farsesco demais e complicado de digerir. Geralmente, quando falamos que um filme não é de fácil digestão, é por se tratar de uma trama complexa ou algo do tipo, mas aqui a história é bastante simples. Para quem já conhece o livro ou o musical, sabe que a história se passa na França do século XIX e gira em torno do carismático personagem Jean Valjean (Hugh Jackman) que, depois de passar 19 anos preso por roubar um pão para matar a fome de sua família, assume uma nova identidade e se torna o prefeito Madeleine. Paralelamente, há a história de Fantine (Anne Hathaway), de origem humilde, que procura trabalho para sustentar a filha que está sendo criada (maltratada, na verdade) por uma família que insiste em mentir que a menina está doente e pedem por cartas que Fantine mande cada vez mais dinheiro para que eles possam comprar os remédios necessários. Dessa forma, a mãe da garotinha não encontra outra saída a não ser a prostituição. O destino de Jean Valjean se cruza com o de Fantine e quando esta última está à beira da morte, pede para que Valjean cuide de sua filha, Cosette. Ele vai atrás da menina tendo em seu encalço o inspetor Javert (Russel Crowe) que passa a trama o perseguindo. O filme é de difícil digestão por ser enfadonho demais. O que é surpreendente, uma vez que a adaptação sofreu profundos cortes em relação ao original, a passagem de tempo é muita rápida, tudo acontece rápido demais, por vezes de forma atropelada. Mas o que o torna entediante, é realmente o fato de musicarem cada diálogo, o que, convenhamos, é bem desnecessário, mas foi o modo que Hooper, o medíocre vencedor do Oscar 2011, por O Discurso do Rei, encontrou de contar Os Miseráveis nas telas. Uma pena. Dentre cenas óbvias e alguns momentos espalhafatosos, o que se pode dizer de positivo do filme, é que este conta com algumas boas atuações. Hugh Jackman nem de longe está em seu melhor ou mais memorável papel, mas o carisma, talento e presença de cena do ator australiano já valem o filme. O mesmo para a pequena, porém, efetiva participação de Anne Hathaway, que lhe rendeu uma indicação – e muito possivelmente o prêmio – de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar deste ano. Amanda Seyfried e Eddie Redmayne estão bem, mas Russel Crowe é o principal equívoco do filme, caricato como Javert e, bem, o ator não sabe cantar. Suas cenas musicais são desastrosas e constrangedoras. Esse era um dos filmes mais esperados do ano por muita gente, mas não é surpresa nenhuma que grande parte das pessoas tenha saído desapontada ao término sessão.

Fonte das imagens: imdb

Andrizy Bento

BAFTA 2013

A entrega dos prêmios da Academia Britância de Artes da Televisão e do Cinema (BAFTA), ocorreu no último domingo, dia 10, no London’s Royal Opera House em Londres, e teve como mestre de cerimônias de sua 66ª edição o ator Stephen Fry. Argo, de Ben Affleck, foi o grande vencedor da noite, levando os prêmios de Direção e Filme, o que aumenta suas chances de sair consagrado no Oscar. Abaixo a lista de vencedores:

Argo, do ator/diretor Ben Affleck, foi o grande vencedor do Bafta

Filme: Argo
Ator: Daniel Day-Lewis, Lincoln
Atriz: Emmanuell Riva, Amor
Diretor: Ben Affleck, Argo
Filme em língua estrangeira: Amor
Documentário: Searching For Sugar Man
Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Django Livre
Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway, Os Miseráveis
Roteiro Original: Django Livre
Roteiro Adaptado: O Lado Bom da Vida
Trilha Sonora: 007 – Operação Skyfall
Fotografia: As Aventuras de Pi
Desenho de Produção: Os Miseráveis
Montagem: Argo
Som: Os Miseráveis
Longa de animação: Valente
Efeitos Visuais: As Aventuras de Pi
Maquiagem: Os Miseráveis
Figurinos: Anna Karenina
Filme Britânico: 007 – Operação Skyfall
Curta de ação: Swimmer
Curta de animação: The Making of Longbird
Estreia de produtor, diretor ou roteirista: Bart Layton & Dimitri Doganis, The Imposter
Melhor atriz/ator em ascensão: Juno Temple
Contribuição ao Cinema: Tessa Ross
Conjunto da Obra: Alan Parker

Andrizy Bento

Of Monsters and Men

Of Monsters and Men

Confesso que gosto muito de caçar bandas novas, principalmente aquelas que fazem parte da cena indie. O mais legal disso tudo é que gosto de dar e receber sugestões, mesmo que muitas vezes não concorde com a classificação dada à banda ou ao cantor citado por meus amigos.

O fato é que eu amo música, então ouço muitas delas. Eu amo, venero e respeito muito. Ouço música quando vou ao trabalho e quando volto dele, ouço música durante as tarefas corriqueiras do dia a dia, ouço música quando escrevo – aliás, sem ela dificilmente conseguiria escrever algo decente. Ouço música em todos os momentos da minha vida e, para cada um deles, tem uma composição em especial – geralmente a ouço tanto que enjoo; mas, tempos depois, a escuto como se fosse uma dádiva dos deuses, uma relíquia. Um tesouro guardado com extremo carinho em minhas lembranças.

Nessa eterna busca por tesouros perdidos, verdadeiras relíquias, encontro bandas pouco conhecidas, o que particularmente gosto muito. Gosto porque até alguém comentar sobre essa banda, e/ou eu mesma comentar, ou a banda tornar-se superestimada, ou tornar-se midiática, ela vem a ser a minha propriedade particular, algo que só eu conheço e detenho; algo precioso que preciso guardar religiosamente e quem tem minha total estima. Acham forte? Para algumas pessoas, a música é como uma religião politeísta, então… Não!

E durante essa investigação, pesquisa e procura por algo que me seja agradável aos ouvidos, honesto ao meu gosto indie rock/folk e que me fascine a ponto de ouvir várias e várias vezes, por vários dias, encontrei uma banda que me conectou com a natureza numa lista de músicas do aplicativo 8tracks (Recomendo, para quem gosta de música como eu).

Era uma banda islandesa estranhamente cativante (que de primeira já ganhou alguns pontos comigo porque curto muito as coisas do lado de lá), de nome estranho com membros com nomes mais estranhos ainda.

Nanna Bryndís Hilmarsdóttir (voz e guitarra), Ragnar “Raggi” Þórhallsson (voz e guitarra), Brynjar Leifsson (guitarra), Arnar Rósenkranz Hilmarsson (bateria), Árni Guðjónsson (piano e teclados), Kristján Páll Kristjánsson (baixo) e Ragnhildur Gunnarsdóttir (trompete) são os músicos dessa banda formada em 2010. De acordo com a Wikipédia (Salve!), o grupo começou a ganhar conhecimento depois de ter vencido um concurso anual de bandas na Islândia. Em 2011, o grupo lançou seu primeiro álbum, o “My Head Is an Animal”, com o single “Little Talks”, atingindo, assim, a primeira posição nas paradas de diversos países.

Pra quem quiser ouvir e constatar o que os meus ouvidos apuraram e gostaram, comece por “Little Talks”, passando por “Mountain Sound” até chegar a “King And Lionheart”, que foi o terceiro single lançado recentemente pela banda (vale ver o clipe da música). Vale muito a pena conferir as músicas doces, misteriosas e a riqueza instrumental do grupo. A maioria das canções de “My Head Is an Animal” remete às lendas e histórias fantásticas que são características do folclore da Islândia, país natal dos músicos.

A revista Rolling Stone chamou a banda de novo Arcade Fire e a comparou ao Mumford & Sons num show apresentado em 2011 na Islândia. Pra quem quiser tirar a sua dúvida ao vivo e a cores, a banda fará uma apresentação no Brasil, no Lollapalooza em São Paulo, no mesmo dia que The Killers e The Temper Trap (próxima a ser assunto por aqui).
E bem, já há planos para um novo álbum, mas que de acordo com a vocalista Nanna Bryndís para a revista Rolling Stones será totalmente diferente do que expuseram em “My Head Is An Animal”: “Estamos em um estado de espírito totalmente diferente, um lugar diferente do que estávamos quando escrevemos nosso álbum. O que não é bom ou ruim. É apenas diferente”.

Estou aguardando esse diferente. E espero que vocês queiram aguardar também…

Até a próxima música!

Caroline Silveira