Branca de Neve e o Caçador

Vi numa cabine sem expectativa nenhuma já que não sabia praticamente nada a respeito do filme. As únicas coisas que eu sabia é que esse ano contou com um sem número de adaptações de Branca de Neve; e que Tim Burton fez escola. Mesmo que Alice tenha tido uma recepção de morna para fria, esse filme parece ter inspirado muita coisa que veio depois, como este aqui por exemplo. Claro que releituras sombrias de contos de fadas não surgiram com Burton, mas o cineasta parece ter exercido um grande fascínio em outros de seus colegas de profissão. Não à toa, este Branca de Neve e o Caçador é dos mesmos produtores de Alice.

E isso é bom?

Digamos que sim em se tratando de acuro visual. O filme apresenta ao espectador belos cenários, excelentes efeitos especiais, e um preciso equilíbrio entre cores vibrantes e tons cinzentos. Visualmente ele é espetacular, se relevarmos algumas passagens que quase descambam para o brega devido a uns pequenos excessos do diretor Rupert Sanders na sua ânsia de apresentar um visual rico e belo.

Aliás, o visual rico e belo se sobrepõe a todos os outros elementos da narrativa. Se por um lado é fabuloso ver uma direção de arte e fotografia tão notáveis, por outro é um tanto decepcionante se deparar com um roteiro tão frívolo e personagens tão mal elaborados. Ninguém chega realmente a conquistar, embora o elenco todo desempenhe bem seu trabalho. O problema está mesmo no plot, no qual nada é aprofundado. Até chega a apresentar um background para compreendermos o quão relevantes e fundamentais os protagonistas são para a trama, mas não convence. Charlize Theron rouba a cena toda para ela como a Rainha Má e praticamente vale o filme. Kristen Stewart mostra competência ao interpretar a princesa heroína que, no final, não é nem uma coisa nem outra. É apenas humana. Eu sei que a moça tem críticos ferrenhos, mais por ter participado de uma franquia de sucesso (A Saga Crepúsculo), o que é um exagero. Existem bem piores. Ela, aqui, dá conta do recado. Chris Hemsworth… oras, é bem o que se espera de Chris Hemsworth. Aqui ele é o Thor sem o martelo, mas com um machado. Funciona no papel que não exige muito além disso. Mas a narração de seu personagem quase chega a comprometer o todo. E o príncipe… Se não fosse a história original e o fato da releitura necessitar desse elemento, ele poderia ser dispensado. Sua função na trama é praticamente nula, sendo interpretado por um ator até simpático, mas sem qualquer carisma, brilho ou alguma beleza excepcional

Mas é uma aventura sadia e um entretenimento vigoroso de fim de semana. Ainda mais se você não tiver grandes expectativas, aí não corre o risco de sair frustrado. E também se você não exigir demais do roteiro.

O filme tanto acerta quanto erra. Tem grandes qualidades, mas alguns notórios defeitos. O que é compreensível vindo de um diretor estreante, mais acostumado com a beleza plástica da embalagem (o cara vem da publicidade), do que exatamente com o que o miolo tem a oferecer. Mas espero que em suas próximas empreitadas, o diretor venha contornar isso e se lembre que cinema é mais do que visual e tecnologia. Potencial ele tem.

Kaio Dantas

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