[Dicas] O Contador de Histórias

Bem vindos ao ano do fim do mundo! 🙂

Pra começar, temos novidades: Esse ano, contaremos com uma nova colaboradora: Bianca Lumière. Assim que der, ela aporta por aqui com seu post de estréia 😉

No mais, logo tem novo post do Eduardo Molinar por aqui.

Para começar, dica de um bom filme nacional:

A Fábula do Real

Pelos idos dos anos 70 a propaganda que a televisão exibia da instituição Febem, é que esta formaria jovens de bem, éticos e morais, que só sairiam de lá médicos, engenheiros, advogados. Roberto Carlos Ramos, então com seis anos, se sentiu, portanto, premiado quando sua mãe o escolheu dentre os dez filhos para ser interno na Febem. Mas a realidade com a qual ele se deparou ao chegar à instituição era bem diferente daquela que a sua imaginação havia contornado.

O Contador de Histórias (Luiz Villaça, 2009) conta a história real de Roberto Carlos Ramos, nascido em Minas Gerais, ex-interno da Febem, hoje pedagogo e professor e, segundo o filme, um dos dez maiores contadores de histórias do mundo. Ele permaneceu na instituição dos seis aos treze anos e, depois de mais de cem tentativas de fuga, roubo e envolvimento com drogas, ele foi considerado irrecuperável, até encontrar a pedagoga francesa Marguerite Duvas que se aproxima dele lhe apresentando palavras como “por favor” e um gravador, para que ele pudesse lhe contar sua história. No começo, ela é tratada com hostilidade pelo garoto, porém, com o passar do tempo, ele começa a ver em Marguerite a figura de mãe que lhe faltava.

O filme conta com uma bela direção de arte. Interessante a forma que o diretor do longa encontrou de contar a história nas telas, se apropriando da maneira como o Roberto Carlos Ramos da vida real conta suas histórias, dando a essa um aspecto lúdico, um caráter pueril. E é nessa maneira de projetar a biografia de Ramos em tom de fábula que reside seu encanto.

O Contador de Histórias, portanto, anda na contramão de tudo que já foi apresentado no cinema nacional, em termos de desigualdade social e exploração infantil. O filme não apela para demagogia ou cenas de violência gráfica impactantes, como é comum em algumas produções que tratam de temas densos, como esses, no Brasil.

Contudo, a narração do próprio Ramos é um dos fatores que prejudica o filme. Ela acaba por cair no lugar-comum. Tudo o que é dito pelo narrador, já estamos vendo na tela, o que torna este um elemento desnecessário e redundante, fazendo também com que a narrativa acabe por empalidecer em determinados momentos. O filme também não se livra de alguns clichês sentimentais aqui e ali, por mais genuína e autêntica que a emoção se apresente em algumas passagens cruciais.

O filme de Villaça não veio para mudar o panorama do cinema nacional atual. O Contador de Histórias nada mais é do que um filme simpático e despretensioso, que tem o mérito de fugir dos padrões ditados por outras cinebiografias nacionais

Postado originalmente em: http://cineacademia.blogspot.com/2009/09/fabula-do-real.html

Fonte da imagem: http://www.meucinemabrasileiro.com/

Andrizy Bento


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